COPA AMÉRICA 2015 DIA 5

25 de Julho de 2015

COPA AMÉRICA 2015 DIA 5

DIÁRIO DA COPA AMÉRICA 5

Nunca conheci nenhum jogador como Vidal!

Não conheço, nunca conheci, um jogador tão omnipresente em campo como Vidal. Não se trata de ser polivalente. Trata-se de a partir de uma posição conseguir jogar numa série delas diferentes. Pega na equipa desde trás, conduz, arranca até à área adversária, recua, luta e recupera. É defesa, médio a cobrir ou atacar e avançado quando chega à frente. Técnica e táctica. Passa por todas as posições na equipa. Para ser completo, só lhe falta exercer também de médico e fisioterapeuta.

Provando que há jogos que lavam mesmo a alma, ele foi o jogador perfeito para brilhar num jogo com esse condão futebolístico mágico. Lançando Vargas no onze, como extremo, o Chile de Sampaoli perdeu a dinâmica habitual de saída pelas faixas quando joga a “3”, com laterais “carrilleros” ofensivos. Porque Vargas também procura o centro, fazendo Alex Sanchez descair na ala e a equipa fica estranha, sem largura a atacar.

A posição em que Sampaoli não encontra solução é a de lateral-esquerdo. No primeiro jogo, com defesa a “3”, jogou Beausejour, mas na segunda parte passou à “4” clássica com Mena. Agora com o México jogou Albornoz. Nesta indefinição, a equipa mantem-se sempre completa a defender, mas fica coxa, descompensada a atacar num dos flancos.

COPA AMÉRICA 2015 DIA 5Após o jogo soporífero com a Bolívia, o México do “Piojo” Herrera cresceu muito dentro do seu 3x5x2. “El Coronita” Corona passou a jogar mais por dentro, destacando-se não só pela velocidade e finta que o fez emergir nas seleções jovens aztecas, mas sobretudo pela visão e notável capacidade de passe.

Para aguentar o meio-campo, a dupla Guemez-Medina à frente dos três centrais. Não se limitavam a ficar só na posição e saiam em pressão alta. Foi este o trio que, cada qual no seu estilo, apoiou a dupla atacante Jimenez-Vuoso que sacou o coração do peito para a relva, fazendo de cada bola um perigo. Há jogadores, porém, que parecem só crescer neste habitat. Bom negócio para uma equipa que não tinha encontrado o seu perfil, confiança e... rebeldia. Encontrou agora.

A ligação Bolívia-Suécia

COPA AMÉRICA 2015 DIA 5Uma forma duma equipa melhorar de um jogo para o outro é definindo melhor as posições/missões dos seus jogadores. Sucedeu com a Bolívia.

Nenhum dos seus médios do triângulo do meio-campo brilha com luz própria, mas em conjunto fazem um “bloco táctico” interessante. Bejarano a 6, Lizio como interior-direito, e sobretudo Chumacero, interior-esquerdo, talvez o mais completo, porque tanto pode marcar individualmente um adversário (como o vi pelo Strongest na Copa Libertadores) como pode jogar na ligação com o ataque.

Neste onze boliviano, porém, um jogador desperta atenção: Martin Smedberg-Dalence, filho de pai boliviano emigrado na Suécia, onde já nasceu, cresceu e sempre jogou (Ljungskile, Norrkoping, Goteborg). Joga em qualquer das alas e aparece bem por dentro. Apesar de ter crescido longe, sempre quis jogar pela Bolívia, as suas raízes (após ter alinhado pela Suécia dos sub-16 aos sub-19). Acabou por o conseguir aos 30 anos, a primeira vez que foi convocado. Agora, aos 31, fez o primeiro golo, ao Equador. Na estranha ligação Bolívia-Suécia, a “Copa América global”