COPA AMÉRICA 2015 DIA 6

25 de Julho de 2015

COPA AMÉRICA 2015 DIA 6

DIÁRIO DA COPA AMÉRICA 6

O futebol argentino “buscando associar-se!”

Pode-se criticar o seu estilo, se joga bem ou joga mal, se é mais duro ou não, mas se há coisa de que nunca se pode acusar uma seleção uruguaia é que não luta até cair para o lado. Uma competitividade histórica e mítica, que se transformou neste duelo com a Argentina, num exercício defensivo que comeu mais de meio-jogo.

Tabarez deu nova qualidade ao jogo uruguaio (resgatou o equilíbrio da defesa a “4”), moldou a agressividade, impulsionou a técnica, mas quando chega a estes jogos restrutura a equipa. No papel, viam-se avançados e médio-ofensivos mas, no campo, acabaram hipotecados ao momento sem bola. Assim, plantou um 4x5x1 com dois pivots (Arevalo Rios-Gonzalez) e colocou Diego Rolán, promessa no centro do ataque, descaído na faixa direita para... fechar.

COPA AMÉRICA 2015 DIA 6O contraste com o plano argentino de Martino não necessitava, porém, de tanta análise táctica. Basta ver o que se pede a cada médio mais criativo para perceber o que se pede às... equipas. Dessa forma, enquanto Lodeiro tinha de vagabundear atrás de Cavani para encontrar uma bola que o ligasse ao ataque, do outro lado, Pastore tinha o protagonismo todo no centro, de frente para o jogo, pegando na bola e conduzindo-a com visão construtiva. Todo o resto da equipa dava-lhe a bola.

Nessa dinâmica, Pastore buscava aquilo que os argentinos falam e pedem muito ao seu médio mais iluminado em posse: “que se associe com os outros jogadores”. Ou seja, que na progressão com bola (ou no local em que a recebe) busque sempre o colega zonal mais próximo e jogue com ele, em apoios e triangulações. Assim fez Pastore, largando o estilo dengoso de correr género “pantera-cor-de-rosa em forma de jogador de futebol”, para passar a ordenar todo o ataque argentino. Isto com Messi em campo.

Depois do golo de Aguero, quase parecendo irromper de um alçapão na área, o Uruguai mudou o “chip” e passou para outro meio-jogo, na procura do empate. Quase que o conseguia. Como antes também quase conseguia impedir a Argentina de jogar o seu jogo de “associações sucessivas” ao longo do campo. Até explodir Pastore.

Com o “resto da equipa ás costas”

 COPA AMÉRICA 2015 DIA 6Será difícil ver na fina Copa América um jogo tão “físico” como o Paraguai-Jamaica. Uma expressão emergente das equipas e dos jogadores em cada lance. Nos estilos, a Jamaica tem inspirações britânicas, enquanto o Paraguai sempre foi visto, pela forma como defende, em contraste com outras seleções do “novo mundo”, como uma espécie de “Itália da América do Sul”. Foi o jogo com menos técnica e mais músculo do torneio, deciddio num erro do guarda-redes jamaicano numa saída de cabeça.

Quem manda no meio-campo do Paraguai até pode ser, em rigor, outro jogador mas quem nos salta sempre à vista a conduzir a bola desde trás no seu estilo meio entroncado e pesadão é Ortigoza. Mais do que conduzir a bola, ele parece levar com o peso todo da equipa nas costas nessa tarefa. E, em rigor táctico, até leva. Na frente, Roque Santa Cruz já não dá largura e profundidade como outrora. Aos 33 anos é um nº9 aburguesado que espera pela bola. Mais que um novo estatuto, o último suspiro da carreira a alto nível. Não há ninguém, porém, para lhe tirar o lugar. Só o tempo.