COPA AMÉRICA 2015 DIA 7

26 de Julho de 2015

COPA AMÉRICA 2015 DIA 7

DIÁRIO DA COPA AMÉRICA 7

Nem sempre as jogadas desmentem o... jogo!

A nova “dungazização” da seleção brasileira é algo que causa perturbação. Depois do evangelho de Scolari, o futebol brasileiro não consegue olhar-se ao espelho, nega a realidade e dá mais passos atrás táctica e tecnicamente.

Uma equipa sem ponta-de-lança é até normal no futebol moderno dos falsos 9. Preocupante é quando tal resulta da falta de valores indiscutíveis para essa posição. Não faz sentido na imensidão do futebol brasileiro, mas é lógico num país que tem no seu campeonato um jogador com mais de 100 quilos como uma das primeiras referencias nessa posição, Walter.

COPA AMÉRICA 2015 DIA 7Dirão que disso Dunga não tem culpa. Não tem, de facto. Mas, no jogo da sua seleção, o problema é conceptual (Scolari apostava em Fred nesse lugar e, mesmo quando não jogava bem nem marcava, era importante a sua presença para as movimentações em seu torno do resto do processo atacante). Num ataque com quatro elementos (Neymar-Fred-Willian e Firmino, sendo este outro Fred, que joga na ala, a sua origem, mas que no Shakthar tornou-se pivot) não aparece muitas vezes ninguém nessa zona de finalização. Tirando, claro, Neymar e a sua permanente vontade de resolver tudo sozinho. Vendo como está desligado o ataque, é natural um craque da sua dimensão ter sempre essa tentação. Só que quando não resulta, como contra a Colômbia, acaba irritado, conflituoso e fora do jogo.

Depois entraram Coutinho e Douglas Costa e a equipa melhorou, mas a anarquia, ligada às amarras da dupla de volantes Fernandinho-Elias (o que é perturbante face à excelente chegada de trás para frente de Fernandinho mas que, neste cenário tático, entende que não dever subir para não desequilibrar a equipa) não muda e acaba por tornar o jogo canarinho num monte de peças (os jogadores) soltas que se movimentam sem interligação.

O futebol brasileiro perdeu as bases técnicas sublimes, quis meter táctica no seu jogo sem perceber antes como o fazer e, no fim, acabou numa crise existencial que só uma finta de Neymar a pode tirar. Mesmo nesse caso, é só uma ilusão. Porque há muitas jogadas que só desmentem o... jogo!

A liberdade do “jogo posicional”

 COPA AMÉRICA 2015 DIA 7A Colômbia ganhou consistência táctico-coletiva e coordenação ofensiva com James mais fixo na faixa/meia-esquerda. Não se trata de melhorar a partir de limitar a liberdade do seu jogador mais criativo. Seria contraproducente. Trata-se de dar um jogo posicional (a atacar e depois a... defender) mais correto à equipa (e, por isso, com melhor dinâmica a partir das posições) dentro dum 4x4x2 clássico (grande jogo de Sanchez a pivot) que pelo vazio que se abre nas costas da dupla atacante Gutierrez-Falcão, leva a James buscar sempre o centro.

Não é fácil contrariar a natureza de um jogador. James é naturalmente um 10, mas hoje já não se pode jogar como ele sonha jogar.

A limitação da sua amplitude periférica de espaços coloca-o mais vezes no lugar onde mais pode desequilibrar em ...conjunto com a equipa. No meio, seria onde mais poderia desequilibrar por ele próprio individualmente mas... desconjuntado da equipa.

Pekerman tomou a melhor opção. A equipa, o jogador (e o jogo, colectivo e individual) melhoraram muito. E, depois, um craque tem sempre liberdade para criar.