COPA AMÉRICA 2015 DIA 9

27 de Julho de 2015

DIÁRIO DA COPA AMÉRICA 9

Técnica, força, táctica e... “huevos”!

No último suspiro da primeira fase, o Equador apareceu com traços do seu melhor futebol. É uma equipa que demonstra intensidade competitiva muito diferente entre defesa e ataque. E, neste processo defensivo, para além da “rochosa” dupla de centrais Erazo-Achilier, estou também a meter o meio-campo e a dupla de médios-centro, com o possante Lastre a “comer” todos os espaços nessa área, e o experiente Noboa a gerir os equilíbrios e a ligar com a segunda linha do meio-campo. Por aqui, intensidade alta.

COPA AMÉRICA 2015 DIA 9Quando a bola entra no último terço já parece outra equipa e torna-se por vezes demasiado “light”. Montero é um driblador irregular desde a esquerda, mas quem mais me transmite essa sensação, e de quem espero muito mais nesta Copa América, é do segundo-avançado Bolaños. Vem de fazer excelentes jogos pelo Emelec na Copa Libertadores. Tem uma técnica refinada, segura bem a bola e finta mesmo em cima do defesa, mas está a custar-lhe progredir com a bola quando os jogos (e as marcações) sobem de intensidade. Nessa altura, Bolaños “esconde-se” um pouco do jogo. E é nesses momentos que um craque como ele tem mesmo de aparecer.

O México é a primeira seleção eliminada. Deixa um legado de contrastes. O jogo em que jogou melhor foi o mais difícil (contra o Chile). No momento decisivo, foi um onze asteca “desconhecido”.

Vi o jogo com o Equador na televisão mexicana comentado pelo “Kinkin” Fonseca e para ele, numa análise direta, o que faltou ao onze foi... “huevos”! Penso que, apesar da importância da...atitude, a questão é mais técnica. Porque acabei por nem ver Luís Montes, um médio-centro ofensivo que, aos 29 anos, está a jogar muito no Club León. Falo nele porque senti sempre a falta desse acelerador a meio-campo, sobretudo no corredor central. A opção para aumentar essa velocidade era o extremo Aquino, mas entrando no decorrer dos jogos fica algo desfasado do ritmo global de jogo. A equipa não o procura e ele não a entende. O maior objetivo mexicano é a Gold Cup da CONCACAF, mas os problemas de jogo podem ir junto com o onze.

Onde pode falhar o Chile?

COPA AMÉRICA 2015 DIA 9Ao terceiro jogo, o Chile surgiu com uma clássica defesa a “4”, em vez da sua irreverente dos três defesas baixinhos. Apesar de se falar muito da altura desse trio habitualmente titular (Medel, 1,71m, Jara, 1,78 e Mena, 1,75) a verdade é que nem é por esse factor que vejo a segurança da equipa abalar. É mais porque os três são estruturalmente lentos e um factor indispensável para jogar com defesa a “3”, é esses três defesas serem rápidos. Sem isso, a eficácia fica sempre um pouco comprometida, sobretudo nos lances em que o adversários lhes ganhaprofundidade.

É pois um sistema de risco, mais pela (pouca) velocidade dos defesas do que pelo desequilíbrio estrutural de raiz que este tipo de sistemas tem.

O outro factor que faz questionar o Chile, é saber se é possível ganhar um torneio destes sem ter um verdadeiro nº9. É, aliás, um velho problema desta geração chilena (sobretudo desde o eclipse de “El Chupete” Suazo). Alexis pode ser até o seu melhor jogador da história, mas não é, longe disso, o seu melhor avançado-centro de sempre.