Copa América Sub-20

11 de Fevereiro de 2011

Copa América Sub-20

Estes nomes são míticos na história do futebol: Nasazzi, Andrade, Scarone… Foram campeões olímpicos em 1928 (então como um Mundial).

Nunca mais o Uruguai voltou aos relvados olímpicos. Até hoje, 84 anos depois. Cabrera, Cepelini, Luna… Novos nomes para a história. São estrelas da selecção charrua que está disputar a Copa América Sub-20, onde os dois primeiros classificados apuram-se para os Jogos Olímpicos. Para tornar tudo mais mítico, o torneio vai ser decidido, na última jornada, com um Uruguai-Brasil.

O Uruguai vale muito pela consistência táctica revelada. É a equipa que defende melhor, com uma linha de 4 muito posicional, chefiada por dois centrais (Patero-Cabrera) muito fortes a marcar e interceptar as bolas mais perigosas que vão a chegar à área. Tacticamente, é a equipa mais adulta, alternando no meio-campo entre dois a três volantes.

Nessa variante, assume-se a pujança de Cayetano (jogador do Danubio), que embora algo lento, tem passada larga a subir e pisa forte, ao lado de Pereira (Wanderers) com processos simples de passe curto, ou, dando maior saída ofensiva, como um nº8 europeu, Vecino (Central).

Deixa um nº9 fixo, Rodriguez (Peñarol) com presença mas pouco remate, numa dupla onde se destaca Luna (Defensor) esquivo e imaginativo. Centra, desmarca-se e marca livres fantásticos. Na ala direita está o jogador que melhor combina técnica e luta: Mayada (Danubio) dá profundidade como um extremo e recua para lutar pela recuperação. Depois de jogar sempre como ala, surgiu a lateral-ofensivo contra a Argentina. O organizador criativo é Cepelini (Peñarol), coloca-se sobre a meia-esquerda, mas como é destro, puxa jogo para dentro e inventa belos passes.

O Brasil tem uma imagem de marca: as fintas, golos e jogadas mágicas de Neymar, garoto do Santos. É ele o mago de um 4x3x3 que coloca o trio atacante em constantes trocas posicionais. Neymar parte preferencialmente da esquerda mas surge muitas vezes no meio, onde nasce o ponta-de-lança William (Grémio Prudente), móvel, forte e de grande remate. Vindo da esquerda, Óscar (Internacional) é mais calculista, mas tem boa visão de jogo. Quando entra Diego Mauricio (Flamengo), forte a entrar pela meia-direita, a equipa fica muito mais objectiva a atacar.

Falta, porém, alguma consistência na ligação das duas linhas do meio-campo, onde os dois volantes (excelente Casimiro, do São Paulo, a subir pela meia-direita, equilibrado em jogo curto, Fernando, do Grémio, na meia-esquerda) combinam pouco como o médio-centro criativo Lucas (São Paulo) que, fantástico na condução de bola, rivaliza com Neymar a ver quem faz mais fintas por jogo…

Extremos e pensadores

Copa América Sub-20Para além de Brasil e Uruguai, este Sul-Americano Sub-20 tem revelado muitos jogadores para fixar. Interessante ver como a maioria das equipas privilegia o jogo pelas alas. É quase o renascimento dos extremos no futebol sul-americano.

É o caso do chileno Carrasco (do Audax Italiano) extremo direito, mas que também cai na esquerda. Os mais perigosos estão, porém, no Equador, uma selecção que tem subido muito nos últimos anos, com Caicedo (Emelec) na esquerda e, sobretudo, o dinâmico Ibarra (Nacional) na direita. Recua, luta pela bola e assume o confronto com o lateral metendo a bola no espaço e comendo metros com facilidade. Belo jogador, sem dúvida.

A Colômbia continua a ser a principal defensora do estilo do toque, jogo apoiado em passes curtos, mas, de repente, no ataque, muda de velocidade com o serpenteado Escobar (Dep.Cali) avançado com velocidade, finta e remate. Castillo (também do Cali) sabe dar largura ao ataque e procura sempre espaços vazios. Cardona é um bom médio a segurar jogo e Ortega pertence à casta dos bons nº10 que este torneio tem revelado, como (para além dos já destacados Lucas, Cepelini e Hoyos) é o caso do chileno Pinares (Chievo) a apoiar o interessante ponta-de-lança Pinto (do Nublense), bom de cabeça. Fico com a sensação que numa equipa melhor, bem servido, podia fazer muitos golos.

Iturbe, “Gascoigne gaúcho”

Copa América Sub-20A Argentina é uma equipa com diferentes velocidades e estilos. Em 4x2x3x1 ou 4x4x2 sabe colocar-se a defender (com os laterais Nervo-Tagliafico a subir muito bem) mas sem criatividade consistente na construção de jogo, onde dependeu muito de Hoyos (Estudiantes). Nas alas, Martinez (San Lorenzo) e Rodriguez (Argentinos Jrs.) tentam dar largura. O esguio ponta-de-lança Funes Mori (River) teve poucas bolas bem metidas e Ferreyra (Banfield) é um jogador elegante mas que não se que meter em confusões (isto é, marcações muito fechadas).

O contrário da estrela Iturbe, 17 anos, um jogador destemido a caminho do Dragão que, mesmo baixote (1,70 m.) é robusto e faz de cada duelo individual uma batalha com finta e choque. Mete os braços, adianta a bola e passa quase por entre o defesa. Parece uma espécie de projecto de Gascoigne argentino. Tem um pé esquerdo iluminado, no remate e na condução. Em campo só vê baliza e faz de cada jogada a mais importante do jogo. Precisa acalmar a natureza do seu futebol. Lutar menos e jogar mais.