COPA LIBERTADORES (1960-2001): OS GRANDES CONQUISTADORES

27 de Junho de 2001

COPA LIBERTADORES 1960-2001 OS GRANDES CONQUISTADORES

ANOS 60: O SANTOS DE PELÉ, O GATO SELVAGEM E A MÁQUINA DE GUERRA

COPA LIBERTADORES 1960-2001 OS GRANDES CONQUISTADORESNo inicio dos anos 60, as primeiras edições da Copa, resgataram a glória uruguaia perdida nos idos anos 30. Numa década dominada por Rei Pelé, estrela do Santos, vencedor da prova em 62 e 61, o conquistador dos dois primeiros torneios seria o lendário Peñarol de Luis Cubilla, Pedro Rocha e do goleador Alberto Spencer, o gato selvagem do Equador. Apesar de criada á imagem europeia, a Copa Libertadores sentiu mais cedo que o Velho Continente, a necessidade de, por motivos desportivos e financeiros, se alargar aos vice campeões de cada país e não se limitar apenas aos seus campeões. Foi o que sucedeu a partir de 1966, data da terceira vitória do Peñarol.

Na Argentina, foi o tempo do Independiente de Bernao, Mura e Suarez, e, depois, da inolvidável máquina de guerra do Estudiantes de La Plata, orientada pelo astuto Osvaldo Zubledia, adepto de procurar a vitória por todos os meios, que transformara uma simples equipa de futebol num exército de onze guerreiros como Madero, Verón e Billardo, então famoso por, dizia-se, costumar picar, sem o árbitro ver, os seus adversários com uma agulha! Apesar dessa memória terrorifica, fica o registo de três vitória consecutivas na Copa, 68, 69 e 70. Pelo meio ficara, em 67, uma sedutora vitória do Racing Club, com um onze feito de nomes míticos no futebol argentino: Perfumo, Raffo, Cardenaz, Rodriguez e o grande Maschio, o pensador, arquitectos de uma outra máquina, a do bom futebol.

ANOS 70: JAIRZINHO E A MAGIA DE BOCHINI

Na frente do mundo argentino surge a fantástica equipa do Independiente, os diabos vermelhos de Avellaneda, vencedores da Copa por quatro vezes consecutivas, 72, 73, 74 e 75, feito até hoje inédito, numa epopeia imortalizada por magos como Santoro, Pavoni, Pastoriza, Balbuena, Bertoni e o ilustre maestro Bochini A cruzada seria interrompida pelo Cruzeiro. Depois do Santos de Pelé, nos anos 60, por fim, uma equipa brasileira volta a vencer a Copa. Se a nível de Selecção, o Brasil era rei, no plano clubistico a realidade era outra. Intérpretes de um futebol mais artístico e tecnicamente adornado, os onzes brasileiros encontravam dificuldades para encaixar essa arte no agressivo e muito mais competitivo futebol argentino e uruguaio.

Em 76, porém, com um onze onde a grande estrela era o furacão Jairzinho, então já com 34 anos, o Cruzeiro de ZeZé Moreira, mítico técnico brasileiro nessa altura já com 77 anos, esmagou o River Plate e resgatou a coroa sul americana de clubes Depois dos triunfos em 77 e 78 do Boca Juniores de Gatti, Tarantini e Mouzo, em 79, surge, 29 anos depois do seu inicio, um vencedor fora do trio uruguaio, brasileiro e argentino. Foi o Olimpia Assuncion do Paraguai, treinado pelo uruguaio Luis Cubilla, que nos anos 60 vencera a prova como jogador no Peñarol. Os guaranis destacaram-se sobretudo pela sua superior condição atlética, num onze com figuras como Piazza, Aquino, Romerito e o guarda redes uruguaio Ever Almeida, recordista de jogos na Libertadores: 113 em 16 edições, sempre pelo Olimpia.

ANOS 80: DE ZICO A HIGUITA, O SAMBA E O TOQUE.

COPA LIBERTADORES 1960-2001 OS GRANDES CONQUISTADORESOs anos 80 conheceram vários equipas atraentes, mas que, apesar do seu sedutor perfume não marcaram claramente uma época. A nível internacional atingiu maior projecção o Flamengo de Junior, Tita, Nunes e Zico, vencedor em 81, com um jogo feito de dribles e passes de mágica, ao ponto de Bob Paisley, treinador do Liverpool ter dito, após ser derrotado na Taça Intercontinental (3-0) que “nós desconhecemos esse tipo de jogo. Vocês dançam e isso devia ser proibido.”

Entre outros vencedores da década, destaque para o Grémio de Renato Gaúcho em 83 e para o regresso aos títulos do Peñarol, em 82 e 87. com os golos de Fernando Morena, o maior goleador uruguaio de todos os tempos. Entre os argentinos, depois do Independiente, agora sob a batuta de Pastoriza e com Burruchaga no meio campo, conquistar, em 1984, o seu sétimo titulo, surgiu por fim a hora do gigante River Plate. Os Milionários venceram a Copa em 1986, com uma equipa chefiada por Héctor Vieira, alinhando o guarda redes Pumpido, os centrais Ruggeri e Gutierrez, o libero Ruben Gallego, seu técnico em 2001, o uruguaio Alzamendi e o capitão Beto Alonso, o único sobrevivente da final perdida em 76. Na ultima edição dos anos 80, surge o triunfo, pela primeira vez na história, de uma equipa colombiana: o Nacional Medelin de Higuita, guiado pelo chamado Treinador do Toque, Paco Maturana, em homenagem ao estilo de jogo rendilhado que fez a glória do futebol colombiano de finais dos anos 80 e inicio dos 90.

ANOS 90: A MAGIA DE TELÊ SANTANA, SCOLARI E BIANCHI

COPA LIBERTADORES 1960-2001 OS GRANDES CONQUISTADORESA ultima década do século abriu com duas vitórias surpresa: Em 90, ainda sob as ordens de Luis Cubilla, deu-se o regresso do Olimpia do Paraguai, guiado pelos golos de Amarilla, que bateu na final o Barcelona do Equador e em 91, com o inédito triunfo de uma equipa chilena, o Colo Colo de Pizarro, que, no jogo decisivo, venceu o Olimpia, confirmando o progresso competitivo dos chamados países de segunda linha do futebol sul americano. Os anos 90 ficariam marcados pelo emergir de grandes equipas brasileiras que finalmente conseguiram enfrentar com sucesso os lutadores argentinos e uruguaios. Foi nesse contexto de evolução táctica que surgiu, em 95, o Grémio de Filipe Scolari, onde brilhava então um ponta de lança que marcava golos como respirava, Jardel, em 97, o Cruzeiro de Paulo Autori, com o guarda redes voador Dida, em 98, o Vasco da Gama de Donizete e Felipe e em 99, o Palmeiras das estrelas Alex, Oseas e Paulo Nunes, de novo com a marca de Scolari. A grande equipa brasileira da década seria, porém, o São Paulo de Telê Santana, vencedor em 92 e 93, com um jogo apoiado, tacticamente armado em função de Raí, e interpretado por Cafu, Palhinha, Muller e pelo veterano Toninho Cerezo, então com 38 anos.. O infinito talento argentino permaneceu no River Plate de Ortega e em duas fantásticas equipas de Carlos Bianchi, mentor do fulgurante Velez Sarsfield de Chilavert, em 95, e, por fim, do renovado Boca Juniores, vencedor em 2000.

OS FINALISTAS 2001

COPA LIBERTADORES 1960-2001 OS GRANDES CONQUISTADORESBOCA JUNIORES: A CORTE DE RIQUELME

Mais do que um clube de futebol, o Boca Juniors, fundado no bairro portuário de La Boca, é um grito de revolta das classes social mais pobre da imensa Buenos Aires. Por isso, Juan Perón chamou-lhe o clube dos descamisados. No final do século, após longos tempos longe dos títulos, chegou por fim um treinador capaz de despertar o fogo adormecido da Bombonera: Carlos Bianchi. Depois de conquistar a edição do ano 2000, sonha repetir o feito esta época, tendo para isso apostado tudo na Copa Libertadores, pelo que na Liga argentina jogou quase sempre uma equipa de reservas, o chamado Boquita, que mesmo assim terminou em 3º lugar. Em relação ao onze da época passada, saíu o ponta de lança Palermo, mas, apesar disso, manteve o mesmo estilo destemido, sob a magistral condução de Riquelme, um nº10 de grande classe. Técnica, força, drible e visão de jogo. Em seu torno gira todo o resto do onze, onde estão o central Bermudez e os dois mais perigosos avançados da equipa, Shelotto e Barihjo Para atingir a final, o Boca afastou, desde os 1/8 final, o At.Barranquilla, Vasco da Gama e Palmeiras

COPA LIBERTADORES 1960-2001 OS GRANDES CONQUISTADORESCRUZ AZUL: O ESTILO AZSTECA

Depois de longos anos aprisionados no pouco atraente quadro competitivo da CONCACAF, as equipas mexicanas, donas de grande tradição no continente americano, começaram, em 1997, a participar também na Copa Libertadores, tendo para isso de disputar uma pré-eliminatória com duas equipa venezuelanas. Este ano, após na época passada o América ter chegado á meia-final, pela primeira vez na história, um onze mexicano atinge a final: o Cruz Azul, conhecidos pelos cimenteiros, devido a ser propriedade de uma fábrica de cimento. Orientada pelo tranquilo José Luiz Trejo, a equipa revela todos os traços do típico futebol mexicano: garra, técnica e coração, mesclando vários estilos sul americanos, expressos no trio atacante composto pelo ponta de lança paraguaio Cardoso, e por dois virtuosos extremos: o brasileiro Pinheiro, na direita, e o mexicano Palencia, na esquerda, enquanto o meio campo é regido por Morales e Hérnandez. Para atingir a final, o Cruz Azul eliminou, desde os 1/8 final, Cerro Porteño, River Plate e Rosario Central. Uma campanha empolgante, mas que pesou internamente na Liga mexicana, onde falhou o apuramento para a fase final, após somar apenas 5 pontos nos 35 disponíveis na ultima jornada.

COPA LIBERTADORES QUADRO DE VENCEDORES

1960 PEÑAROL (URUGUAI)

1961 PEÑAROL (URUGUAI)

1962 SANTOS (BRASIL)

1963 SANTOS (BRASIL)

1964 INDEPENDIENTE (ARGENTINA)

1965 INDEPENDIENTE (ARGENTINA)

1966 PEÑAROL (URUGUAI)

1967 RACING CLUB (ARGENTINA)

1968 ESTUDIANTES (ARGENTINA)

1969 ESTUDIANTES (ARGENTINA)

1970 ESTUDIANTES (ARGENTINA)

1971 NACIONAL (URUGUAI)

1972 INDEPENDIENTE (ARGENTINA)

1973 INDEPENDIENTE (ARGENTINA)

1974 INDEPENDIENTE (ARGENTINA)

1975 INDEPENDIENTE (ARGENTINA)

1976 CRUZEIRO (BRASIL)

1977 BOCA JUNIORES (ARGENTINA)

1978 BOCA JUNIORES ARGENTINA)

1979 OLIMPIA (PARAGUAI)

1980 NACIONAL (URUGUAI)

1981 FLAMENGO (BRASIL)

1982 PEÑAROL (URUGUAI)

1983 GREMIO (BRASIL)

1984 INDEPENDIENTE (ARGENTINA)

1985 ARGENTINO JRS. (ARGENTINA)

1986 RIVER PLATE (ARGENTINA)

1987 PEÑAROL (URUGUAI)

1988 NACIONAL (URUGUAI)

1989 ATL. NACIONAL (COLÔMBIA)

1990 OLIMPIA (PARAGUAI)

1991 COLO COLO (CHILE)

1992 SÃO PAULO (BRASIL)

1993 SÃO PAULO (BRASIL)

1994 VELEZ SARSFIELD (ARGENTINA)

1995 GREMIO (BRASIL)

1996 RIVER PLATE (ARGENTINA)

1997 CRUZEIRO (BRASIL)

1998 VASCO DA GAMA (BRASIL)

1999 PALMEIRAS (BRASIL)

2000 BOCA JUNIORES (ARGENTINA)

2001 BOCA JUNIORES (ARGENTINA)

2002 OLIMPIA ASSUNCION (PARAGUAI)