De Chaves a Setúbal

07 de Setembro de 2016

Não se trata, nesta fase, de avaliar o padrão de jogo. Trata-se de lhe detectar já uma identidade. Para um treinador, esse é um dos factores mais importantes. Deixar sempre algo da sua “impressão digital”. Em três jornadas, vejo jogar este Chaves e já vejo ideias-base do jogo de Jorge Simão. Não querer ter a bola apoiada por natureza como forma de transição ofensiva, a intenção é de esticar rápido a profundidade nesse momento e apanhar as costas dos adversários. Já vejo muito do que era o Paços a época passada.

O jogo com o Nacional mostrou isso (alternando mais pelas características dos jogadores, sobretudo com Elhouni, mais de bola no pé). Na essência, mete verticalidade nas faixas (Perdigão-João Mário) e simplifica à frente da defesa com âncoras (Assis-Battaglia). Porém, o jogador que acho dar mesmo inteligência a esta equipa é outro. Com técnica e leitura: Braga. Aos 33 anos, percebeu como devia tratar o seu jogo (gerindo o esforço físico). Joga como terceiro médio ou segundo avançado e tem presença na zona de definição. Pode por vezes não fazer grandes jogos, mas quase sempre... pensa-os bem.

 

 

andreclaro

O V. Setubal de André Claro

O V. Setúbal entrou muito bem na época. Tal como o de Quim Machado a época passada. As equipas e forma de jogar são, porém, diferentes do que cada uma exibia nesta mesma fase. Couceiro procura mais jogar em ataque organizado. A entrada de Mikel (pode ser uma das revelações da época) dá mais coesão ao meio-campo. Um jogador, no entanto, permanece inalterável nos dois tempos, André Claro.

Já falei dele várias vezes e acho estranho clubes maiores não olharem para ele. Na formação do FC Porto era 9. Depois aprendeu a jogar a partir da ala. Em Setúbal mostra que sabe jogar bem a partir destes dois espaços (combina em trocas posicionais com Zé Manuel) porque sabe temporizar com a bola nos pés e depois tomar a melhor opção, passar ou rematar. Não sei como será a sua cabeça. Sei como é o seu jogo. E tal como falo de outro jogador em baixo, tem traços de inteligência. Não faz do jogo uma corrida de cem metros, mesmo que esteja metido num daqueles contra-ataques vertiginosos. Não, ele é quase sempre o jogador da pausa. E é desses que gosto de ver quando sinto que a velocidade por si só é apenas correr depressa. Muito diferente de jogar rápido.