Descobrindo “novos” jogadores em “velhas” equipas

29 de Fevereiro de 2016

A evolução numa forma de jogar tanto pode nascer de um movimento individual como de um traço global mais coletivo.

1. O lado vertiginoso do 4-5 em Norwich devorou tudo mas vendo este Liverpool de Klopp nos últimos jogos há um novo factor a destacar: Firmino como avançado-centro do 4x3x3 fazendo movimentos de “falso 9”. Os seus avanços e recuos (embora sem ser especialista a jogar de costas) levam defesas com ele. Depois, a sua velocidade de rotação e “decisão técnica” cria/abre espaços para entradas desde trás dos médios ou alas (um aspecto, que nas diagonais, ainda a ser rotinado). Gosto mais de ver Firmino a segundo-avançado (posição que é a sua essência) e o onze com um 9 puro como Benteke mas nesta variante posicional-individual, Firmino a falso 9 está a ser o maior golpe táctico de Klopp.

sanabria

2. Um ponta-de-lança que acho que pode crescer está no Gijon. É o paraguaio Sanabria. Faz golos com apenas 19 anos numa equipa pequena que joga para não descer. Pertence à Roma que o emprestou após o ter ido ao buscar ao Barcelona que o vira nos sub-17. Tem raça e desmarcação. Joga bem entre os defesas porque foge ao choque (tem 1,81m) e inventa espaços. Precisa melhorar a técnica individual de decisão mas o potencial está lá.

guidolin

3. A estreia da semana sucedeu no banco do Swansea, com o regresso de Guidolin após um ano parado. As 60 anos, entra numa aventura inglesa numa equipa que luta para não descer. A primeira boa impressão já a ganhou no bom jogo que fez contra o Everton.
Pode ter sido o “impacto de atitude” típico do primeiro jogo pós-chicotada mas a forma como o onze -meio-campo (Cork-Ki-Britton) e avançados (Sigurdsson-Routledge e Ayew)- pressionou colectivamente e de forma organizada foi algo que antes a equipa nunca mostrara. Controlou assim o jogo e ganhou. Os próximos jogos dirão se uma sistematização diferente tão rápida já foi mesmo trabalho táctico do treinador.