Em que sistema joga verdadeiramente o PSG?

20 de Março de 2016

É hoje, talvez, a equipa com a estrutura táctica mais difícil de desenhar num papel. A tendência é desenhar um clássico 4x3x3 com um pivot (Thiago Motta, que, no estilo e método, acumula com trinco) dois interiores e extremos, mas em campo isso não se vê e nem é muito por causa da famosa dinâmica. É mesmo por uma questão posicional de raiz: a posição central de Di Maria, o único extremo no mundo que joga, de inicio, como um... nº10, sem precisar de fazer diagonais.
É o “formato Champions” do PSG de Blanc que, nessa altura, com Ibrahimovic na frente e o surgimento de Lucas por dentro (em diagonais sem bola vindo da ala) fica quase num losango improvisado.
Em todos os movimentos e posicionamentos, Di Maria fica, assim, quase impossível de ser marcado pois nunca dá referencias de onde parte e para onde vai. Mutas vezes baixa para pegar na bola atrás no corredor central. Noutras surge num pique na faixa a ir á linha centrar. Noutras, está a organizar fazendo a pausa entrelinhas como um 10. Em todas revela num traço o seu crescimento táctico-técnico mais notável desde que o vimos nascer: a qualidade do passe (visão e precisão). Algo que só tem tanta expressão devido ao seu crescimento simultâneo no plano do entendimento dos fundamentos do jogo.

O outro factor de crescimento coletivo deste PSG nota-se em Matuidi. Por uma razão: está a correr muito menos.
Não sei se isto fará dele melhor jogador (ou mais ou menos influente no jogar da equipa pois ele é essencialmente um “8 box-to-box” físico) mas, junto com o “futebol novo” de Di Maria, ambos estão, desta forma, asa fazer correr mais a bola e a equipa a jogar cerebralmente mais rápido na sua elaboração/circulação de jogo, em vez do anterior “jogar depressa” da mera velocidade sem pensamento.
Dois jogadores a correr menos, a pensar mais (e melhor), Matuidi e Di Maria é igual a uma equipa a crescer taticamente em campo.