Diário do Euro 1

06 de Junho de 2008

O “lado lunar” turco

Pensar na Turquia durante muito tempo, foi pensar em adeptos aos saltos com um eterno goleador, Hakan Sukur.Ok, os adeptos continuam lá, mas Sukur extinguiu-se. Agora, pensar em turcos a atacar é imaginar os zigzags de Nihat. Mas o jogo tem mais velocidades e, em geral, é controlado em ritmos mais baixos. É para isso que existe Aurélio, o relógio turco-canarinho que dá intensidade a um meio-campo que nunca foge de uma bola dividida.

Nos quatro momentos do jogo, a Turquia é, indiscutivelmente, mais forte em dois. Transição e organização ofensiva. E, claramente, mais frágil, noutros dois. Transição e organização defensiva. Faltam defesas-centrais de referência no actual futebol turco. Servet, o chefe, é lento e para jogar a seu lado a melhor aposta talvez fosse o jovem Emre Gungor que fez uma excelente final de época no Galatasaray, em contraste com Asik ou Gokhan Zan. Vendo a dificuldade do onze em unir linhas nesses momentos, fica a ideia que o melhor lugar para Altintop seria como lateral-direito, onde já jogou várias vezes. Sabe fechar bem, por fora e por dentro, queima-linhas com facilidade e sabe voltar atrás na hora certa.

Cérebros e alas  

Sem Basturk, o organizador perdido, a Turquia confia no tic-tac de Emre para dar vida à equipa, mas o nome que faz os adeptos turcos levantar as orelhas é outro : Arda. Um garoto do Gala que abana o jogo quando pega na bola. Mas também a Republica Checa pós-Nedved perdeu o seu guia espiritual: Rosicky. Estão lá Polak e Galasek, seguram a organização defensiva, mas falta cérebro na segunda linha do meio-campo. Pedem-se diagonais de Skacel ou Sionko. Pode ser Matejovsky a surgir na zona cerebral mas desconfio que tenha ainda estatuto para isso.

No ataque, pensa-se logo na dupla Baros-Koller, mas no banco mora um avançado secreto: Sverkos. Fez muitos golos no Banik Ostrava e as suas desmarcações confundem defesas. Mas para ele jogar teria de sair Baros. Um espaço para seguir com atenção neste Suíça-Republica Checa é o flanco direito suíço onde joga Behrami. Bom toque de bola, finta, passa e vai para a área. Vai ter pela frente Jankulovski, lateral-esquerdo checo que, muitas vezes, vira ala a atacar. Está aqui um bom duelo: Behrami-Jankulovski, cada um a defender e a atacar, dependendo de qual equipa tiver a bola.

Inler: sigam este suíço! 

Diário do Euro 1E de repente, Kobi Kuhn descobriu dois médios para agarrar o jogo. Gelson Fernandes e Inler. Em duplo-pivot ou ficando Fernandes mais fixo e Inler descaindo mais para o flanco (quando jogar num 4x4x2 losango) dão consistência ao meio-campo suíço. Inler cresceu muito no seu primeiro ano no futebol italiano. Na Udinese. Tacticamente, ocupa muito bem os espaços e não escolhe o melhor pé na hora do passe ou corte. Faz 24 anos este mês e acho que tem tudo para poder ser um médio de clube grande no futuro. O problema suíço também estará muito na defesa, Djorou-Senderos são uma dupla de centrais muito rígida, falta-lhes jogo de cintura.

É certo que a equipa raramente desposiciona a sua organização defensiva, mas falta classe a este sector. A lesão da promessa Von Bergen (do Hertha) ainda confundiu mais esta linha de «4». Frei continua a ser o nº9 a seguir, mas custa ver tantos jogos sem que o imaginativo Vonlanthen aproveite o seu enorme talento. Será do carácter, talvez.

Primeiro dia do Europeu. Resgatando o principio dos organizadores, poderá ser também o primeiro dia do resto da vida de Moutinho.