Diário do Euro 19

24 de Junho de 2008

O «patinho feio» turco

Contra toda a lógica, a Turquia está na meia-final do Euro. O lado épico de dar a volta aos resultados nos derradeiros minutos, leva a buscar explicação para o feito no estado de alma turco que move montanhas. É injusto dizer que pode ser a Grécia de 2008 pela simples razão que esta Turquia não é uma equipa ultra-defensiva. Ok, Tem insuficiências, não seduz, mas tenta jogar e embora a o lado guerreiro seja evidente, a verdade é que vendo os seus jogos, vê-se que na base dessas reviravoltas estão também sábias alterações tácticas. O seu sector defensivo não melhorou mas, nas manobras colectivas, o onze aprendeu a defender melhor, criou outros escudos a meio-campo e, a atacar, também inventa novas vidas (trocando extremos ou variando entre um ou dois pontas de lança).

É a visão de Terim. Repare-se: contra a Suíça, a perder, mudou o inofensivo 4x2x3x1 que defrontara Portugal e, sem Emre, passa para um 4x4x2 aberto (Tuncay, à direita, e Arda, à esquerda) com Semih-Nihat dupla no ataque. Mantêm o duplo-pivot defensivo Aurélio-Topal. Virou de 0-1 para 2-1.

Contra a Republica Checa, entra com o mesmo onze que acabara contra a Suíça. A perder, recuou para o original 4x2x3x1, tirando o ponta-de-lança Sabri e metendo Sabri para interior-direito. O 2-0 seria o alarme para mexer na dinâmica ofensiva. Desfaz o duplo-pivot defensivo, tira Topal (fica só Aurélio atrás) e mete o extremo Kazim Kazim à direita, ficando Arda na esquerda. Os dois, muito velozes serviem a nova dupla atacante, com Tuncay em trocas posicionais com o perigoso Nihat que agora entrava mais de trás em velocidade. Um 4x4x2 com asas que vira de 0-2 para 3-2. Entretanto manteve Altintop a lateral direito. Quanto mais à frente e mais alto começou a pressionar, melhor defendeu a equipa no conjunto e melhor respirou a linha defensiva que assim podia subir um pouco, passando de bloco baixo para médio.

Um passo para o impossível

Diário do Euro 19Contra a Croácia sofre o golo aos 119, marca aos 121 e ganha nos penalties. Joga num falso 4x2x3x1, pois Altintop passa de lateral-direito para médio centro defensivo com missão de marcar o playmaker croata Modric. A marcação funciona, ficando o operário Topal mais fixo a cobrir. Na segunda linha do meio-campo, Tuncay surge agora no centro. Ajuda nas transições e pega na bola na organização ofensiva, ficando Kazim Kazim e Arda abertos nas faixas. Nihat joga solto na frente de ataque. Com 0-0, a substituição mais arriscada. Tira o trinco Topa, e lança mais um ponta-de-lança, Semih, ficando apenas Altintop recuado a marcar. Tuncay cresce então no jogo e enche o campo a recuperar bolas e lançar o ataque. O milagre do golo no último suspiro confunde-se com as alterações tácticas.

O patinho feio turco continua tornar-se num cisne, mas para o jogo com a Alemanha, mais do que montar uma estratégia, Terim tem de inventar uma equipa. Faltam peças-chave como Tuncay, Nihat e Arda. Será o supremo desafio ao impossível. Afinal, o território favorito dos turcos.