Diário do Euro 7

12 de Junho de 2008

“Desculpem, mas essa bola é nossa!”

Gosto de imaginar as equipas com vários disfarces. Avançados que recuam e confundem marcações. Médios que avançam e entram nos espaços vazios. E, depois, voltar à forma original, deixando os defesas adversários confusos a coçar a cabeça. O que iram eles fazer a seguir?

O princípio para jogar bem é roubar a bola ao adversário. Como uma vez disse Labruna no tempo de La Maquina do River antes de um jogo ao capitão adversário: “Trouxeram outra bola? É que só vai estar uma no jogo e é para nós! Desculpem.” Depois, na sua posse, criar problemas ao adversário, fazer-lhe perguntas difíceis. O futebol defensivo não entende estas diferentes dinâmicas de jogo. Recordamos o jogo da Grécia e parece que os seus jogadores passaram 90 minutos com um martelo em punho atrás dos adversários e da bola. E quando a apanhavam, atiravam-na pela janela fora.

A capacidade de uma equipa atacar ou defender bem não é directamente proporcional ao número de avançados ou defesas que coloca em campo. O importante é fazer bem as transições. Ter a cobertura dos espaços a defender e ser capaz de criar desequilíbrios a atacar. Por isso, a Croácia atacou melhor, de forma mais inteligente, só com um avançado, Olic (em 4x1x4x1) como fez contra a Alemanha, do que com dois, Petric-Olic (em 4x1x3x2) como fez contra a Áustria.

A estratégia de Bilic, colocando mais um médio (Rakitic) para formar uma linha de «4» a meio-campo, passou por deter maior posse de bola em apoios curtos no inicio da transição defesa-ataque, para depois, na entrada da zona de definição, soltar a velocidade de Olic e as entradas desde trás de Modric e Kranjcar. Desta forma, escondia e mostrava a bola no nariz dos alemães, controlando os quatro momentos do jogo sem nunca perder o equilíbrio entre-linhas. No fundo, roubaram a única bola do jogo só para eles. Com uma boa ideia por trás, não existe melhor principio para começar a ganhar um jogo.

A posição de Ballack

Diário do Euro 7A influência de um jogador depende muito do sistema em que se insere. Isto é, do local onde começa a correr para soltar o seu futebol. Penso nisso ao ver jogar Ballack na Alemanha, sempre numa posição muito recuada, perto de Frings, como médio-centro num 4x4x2 clássico. Passa todo o jogo sempre muito longe da área. Distante da segunda linha do meio-campo onde podia soltar o seu potente remate. Como é um jogador sem grande velocidade e lento na transição defesa-ataque, nunca aproveita o espaço para avançar no terreno. Limita-se a avançar até meio do meio-campo adversário e só auxilia na circulação. Inserido num 4x4x2, como médio adiantado num dos vértices mais subidos (como faz no Chelsea) é outro jogador.

Mais perto da área e do remate para o golo. Este 4x4x2 clássico da Alemanha pede-lhe uma disponibilidade box to box que claramente não tem, nem procura. Para além do 4x3x3, seria diferente num 4x4x2 losango ou até num 4x1x3x2, onde poderia mover-se desde locais mais adiantados, pois é o clássico jogador que começa e acaba a jogar praticamente nas mesmas zonas. Uma questão de casting táctico.