Do céu, caem estrelas…

15 de Janeiro de 2010

Duas jogadas de encantar e o nome na primeira página. Para tornar tudo mais impressionante, as estrelas nascem cada vez mais novas. Em Espanha, esse toque de midas, iluminou, esta semana, um niño de Santander: Sergio Canales, 18 anos. Em Sevilha, dois golos fantásticos. Um chapéu de poema e um lance individual, desmarque, finta e remate. Tudo com um pé esquerdo que parece ter vida própria. Em termos de posição é um segundo avançado, embora também possa ser médio ofensivo.
Sem sair de Espanha, emerge outro niño, ainda mais pequeno: Muniain. Com apenas 16 anos (fez 17 em Dezembro) estreou-se no ataque do Ath.Bilbao. E marcou. É, porém, um jogador diferente. Não tem a mesma imaginação de Cañales. É mais a garra basca concentrada em 1,65m. e 58kg. que tanto morde como se agarra aos calções dos defesas adversários.

O grande desafio que se coloca ao ver estas estrelas despontar é adivinhar como irá este talento evoluir e expressar-se no futuro, ao longo da carreira? As dúvidas crescem ainda mais quando esses talentos têm origem africana. Também é maior, diga-se, o entusiasmo que provocam, quase de por os olhos fora de órbita. São os casos de Kakuta, 18 anos, já nos quadros do Chelsea, e Lukaku, fenómeno goleador do Anderlecht, 1,90m. e 94kg. de futebol forte, imaginativo e com golos. No B.I. apenas 16 anos! Só em Maio fará 17. Têm ambos, Kakuta e Lukaku, origem congolesa, mas já nasceram na Europa (Bégica e França).

Quando se fala em grandes portentos africanos, recordo um tanque que vi, em 2005, a jogar pela Gambia no Mundial Sub-17: Momodou Ceesay. Sozinho explodiu com toda a defesa do Brasil, desde o meio-campo, passou tudo e fez um golão. Era 1, 95m. e 89kg. de força e técnica. Parecia impossível que só tivesse 16 anos! Hoje, alguns anos depois, com 21, projectar-se-ia um talento firmado. Mas não. Cessay tem andado meio perdido. Saiu do Wallidan Banju, mas não se firmou no Grasshopers. Ainda treinou nas reservas no Chelsea e desde 2008 foi para o Westerloo belga. Continua a assustar pelo poder físico, mas golos…nem vê-los.
Lukaku, porém, parece ser muito mais do que um simples portento físico africano que assombra nas camadas jovens. Todas aquelas jogadas e golos são já feitas no futebol sénior. Como impressiona pela capacidade atlética, a questão da idade surge naturalmente. A verdade surgirá em poucos anos. Isto é, sendo real, esse poder físico (capaz de fazer a diferença) não poderá desaparecer tão rapidamente. Se, aliado à evolução técnica, ele tiver um crescimento natural, está aqui um grande avançado.
Em qualquer caso, detectar talentos não se trata de adivinhar o futuro. Trata-se de perceber o presente.

Do céu caem estrelasUma bola para Kakuta

Colocando numa bola de cristal estas estrelinhas (Cañales, Muniain, Lukaku e Kakuta) o mais fácil de prever o futuro é Muniain, o miúdo basco. Imagino-o, daqui a alguns anos, ainda dentro da área, a mesma garra e roda-baixa (mesmo que cresça uns centímetros continuará baixote), a farejar segundas bolas e a fazer golos na confusão. Cañales tem técnica, pelo que será sempre um belo médio ou segundo avançado para o novo estilo do futebol espanhol. Lukaku é o tal case stuy da condição física africana falado no texto principal.
Sendo assim, o jogador que mais expectativa me cria é Gael Kakuta, feito no Lens, já nos quadros do Chelsea. Esquerdino, faz o que quer da bola. Dribla, passa, simula, tabela, inventa espaços. Sem criar a diferença pelo físico (tem 1,72m e 64kg), impressiona pelo que joga e faz jogar. Toda esta atracção nasceu do visto nas selecções jovens francesas. Se souber evoluir técnica e tacticamente (não sendo só um malabarista das fintas) está ali um grande craque. Daqueles que, na sua geração, pode marcar uma época.