“Dossier” Islândia

13 de Junho de 2016

Não é a tradicional equipa pequena defensiva. Em muitos momentos do jogo, a ideia que fica é, até, que tenta ser “mais do que é” no sentido de assumir linhas subidas e procurar ter a iniciativa ofensiva antes da preocupação defensiva. É forte nas bolas divididas, mas não promove “jogo de pares” como fazem as equipas nórdica, puxando o jogo para a maior dimensão física.

Não é o caso desta Islândia de Lagerback num 4x4x2 na variante clássica, com defesa mais posicional (os laterais não sobem muito) um trinco forte (Gunnarson) e alas que sabem jogar bem por dentro mas de forma diferente: enquanto Gudmundsson procura a zona central e desequilibra ofensivamente com bola, na outra faixa está um jogador mais para combater e fechar a defender, recuando a ajudar o lateral ou flectindo para equilibrar numericamente o centro (que frente a equipas com três médios fica em inferioridade numérica desse o inicio)

Esse “homem equilibrador” é Bjarnasson, desde a esquerda, culto a temporizar e em posse, o médio que segura melhor o jogo. A outra opção é Hallfredsson, mais forte (mas limitado tecnicamente) pelo que Bjarnasson é, claramente, a referência de gestão táctica num 4x4x2 de que Lagerback nunca abdicou mas que poderia ser a estratégia ideal contra Portugal, tirando um avançado (jogando só um nº9) por mais um médio e fazendo subir ou metendo desde a faixa Sigurdsson que habitualmente joga na dupla do meio-campo.

As duas faces da Islândia
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Pontos fortes

A movimentação atacante da dupla da frente com o apoio vindo desde trás de Sigurdsson, o “playmaker” com golo e passe criativo da equipa, elegante a jogar e exímio a marcar livres. É um 4x4x2 com uma dupla de pontas-de-lança pura, embora Sightorsson possa ficar mais entre os centrais adversários, sendo Finbogasson pegar um pouco mais atrás, sobretudo descaído na meia-direita, enquanto que Bodvarsson (a outra opção) é mais móvel a procurar a largura na meia-esquerda. Quem pode “aparecer” com mais perigo é o ala esquerdo Gudmundsson, a aparecer por dentro a tentar o remate e, claro, Sigurdsson.

A defender, tem uma linha defensiva coesa (atenção aos lançamentos longos da linha lateral de Skulason) e para melhorar a cobertura a meio-campo apela a Bjarnsson para se juntar mais ao trinco Gunnarsson que aguenta muito bem a posição.

 

Pontos fracos

A transição defensiva do 4x4x2 pelo corredor central. Quando perde a bola em zonas adiantadas, com alas abertos, é obrigatório um recuar rapidamente para fechar no meio (isto é, abre em posse, fecha sem bola), missão que Bjarnsson (ou Halfredsson) faz. Sem isso, fica um “buraco” no corredor central por onde pode entrar a transição ofensiva rápida adversária. Quando em organização defensiva os alas voltam a alargar e o onze fica a defender em dois blocos de “4”.

O facto de Sigurdsson partir muito de trás, quase como um nº8 (pois é um 4x4x2 só com dois médios puros) faz com que fique muitas vezes longe das zonas de finalização ou último passe. Prefere o ataque rápido com transição em profundidade, mas quando dá tempo para ele subir é quando a equipa se torna mais perigosa com dois nº9, Sigurdsson imprevisível entrelinhas e Gudmundsson a entrar desde a faixa.