Dost-Depoitre: o ataque dos “monstros”

12 de Setembro de 2016

A quarta jornada lançou, na frente de ataque dos grandes, dois monstros em forma de nº9. Também lançou, pela força das circunstâncias tácticas, o melhor rato de técnica veloz ofensiva, Rafa, perto desses espaços, mas a sua aposta é diferente do que pode representar para o futuro em termos de ideia consistente de jogo, as entradas de Bast Dost e Depoitre como pontas-de-lança clássicos de Sporting e FC Porto. Saíram entretanto Slimani (vendido inevitavelmente) e Aboubakar (prescindido por opção).

Se para Jesus, a aposta em Dost visa manter o mesmo modelo de jogo, metendo um jogador que é, no estilo-físico, uma “fotocópia” morfológica-posicional de Slimani, para Nuno, a aposta em Depoitre, mantendo André Silva, representa a intenção de criar uma nova opção de sistema (4x4x2) para o onze. No fundo, ter um sistema de, digamos, “dimensão nacional” para defrontar (ou talvez, na maioria do jogo, chocar com) dessas compactas bem fechadas atrás. O sistema preferencial acredito que continue a ser o 4x3x3, com as suas nuances de princípios estratégicos de jogo para jogo, mas o sistema mais versátil pode ser o que surgiu contra o V. Guimarães.

fcp-v.g

Depoitre amassou os centrais do Vitória, foi decisivo no cabeceamento desvio para o primeiro golo, mas o seu grande mérito foi o que permitiu (pelos espaços que abriu nesses “arrastamentos” para jogar... André Silva. Por isso, muitas vezes, aquilo que um jogador joga depende tanto do que joga... outro jogador. Depoitre fez um grande jogo para André Silva. E André Silva fez talvez o seu melhor jogo no FC Porto na partida em que... rematou menos. Tudo isto pode parecer estranho, mas é o futebol e os seus subterrâneos de movimentações.

Bast Dost não dá a profundidade que Slimani ganhava e até alargava (transformando espaços curtos em compridos tal a forma como caía nas costas das defesas), mas tem o que Jesus quer para aquela posição. É verdade que, neste início, jogou o “seu jogo” e não o “jogo da equipa”. Isto é, movimentou-se olhando essencialmente para si e não para a complementaridade de movimentos que (também em 4x4x2) devia ter com quem joga em torno de si (neste caso foi Alan Ruiz, embora mais segundo-avançado do que André Silva, nº9 por natureza no sistema do FC Porto)

Em qualquer perspectiva, Sporting e FC Porto montaram dos “carros de assalto” para meter na sua frente de ataque e ir contra as defesas adversárias mais “entrincheiradas”. É natural que a dimensão competitiva do nosso campeonato leve a pensar assim a maior parte dos jogos. Tornar cada jogada de ataque como no assalto ao “cofre-forte” de um banco (neste caso, ao “castelo defensivo” adversário).