EURO 2016: Há algum sistema dominante?

02 de Julho de 2016

É difícil detectar neste Europeu um claro sistema preferencial. Olhamos todas as equipas e vemos diferentes expressões tácticas, mais de estratégia do que de identidade na abordagem ao jogo. A forma como Portugal vagueia entre sistemas (admitido por Fernando Santos que, contra a Áustria, os jogadores o confundiram entre o losango pretendido e o 4x3x3, e, contra a Polónia, passando então para 4x4x2) é um exemplo desse traço que marca o Euro.

Assim, em termos de sistemas preferenciais podemos definir diferentes grupos.

Islândia e Polónia: 4x4x2, embora com modelos e dinâmicas distintas, bloco baixo o islandês com duas “linhas de 4”, mais subido o polaco com extremos).

França, Espanha, Inglaterra, Suíça, Eslováquia, Croácia e Hungria: 4x3x3, cada qual com as suas nuances. Mais puros na base, o espanhol sentiu dificuldade em lhe meter o seu estilo de toque-passe apoiado em construção (Fabregas não foi o gestor que poderia ser Thiago), enquanto o francês é mais bem definido posicionalmente no trio do meio-campo (Kanté-Pogba-Matuidi) mas na frente o mais assimétrico com as diagonais de Payet e o jogo central de Griezmann.

A Inglaterra cede nos momentos difíceis aos 4x4x2, ou melhor, a mete uma dupla de avançados (Vardy-Kane) mas sem rotinas colectivas de jogo atrás. A Croácia prendeu Modric no duplo-pivot, a Eslováquia teve dos dois melhores interiores rotativos (Hamsik-Kucka) e a Suíça do melhor trio intermédio posicional (Xhaka-Behrami e Dzemaili) mas a todos custou depois soltar-se.

A Hungria foi a que melhor definiu um único pivot claro de constrição criativa, Nagy, com Gera por perto quase desenhando o duplo-pivot mas sentiu muito a falta do seu 10 Kleinheisler contra a Bélgica nos oitavos. Noutro artigo falarei das equipas nas diferenças entre jogar com duplo-pivot ou só com um).

Alemanha e Bélgica: os 4x2x3x1 mais sólidos com duplo-pivot. O alemão com a base Kroos-Khedira e a Bélgica com Nainggolan-Witsel (mas coma alternativa dum triângulo acrescentando um médio, Fellaini, e fazendo um jogador do duplo-pivot dar um passo em frente).

Nem sempre passaram as que gostei mais ou tinham uma ideia mais definida. Passaram quase sempre as que souberam mexer melhor no jogo e no... seu sistema

O núcleo da “defesa a 3”

A Itália chefia na autoridade táctica o grupo dos sistemas de “defesa a 3” (com três centrais). No papel, 3x5x2, com laterais a projetar-se e um trio de médios a segurar a equipa só como um pivot. De Rossi na Itália como Ledley em Gales, mas aqui mais num 5x3x2 pois os laterais baixam para a linha dos centrais e fazem “defesa a 5”.

As Irlandas também vaguearam nestes sistemas, mas enquanto a Irlanda do norte entrou com um 5x4x1 (contra a Alemanha) que foi o sistema mais defensivo do Euro, evoluiu depois para 5x3x2 (dando companhia a Laferty) ou, noutros jogos, voltou á clássica “defesa a 4”. A Rep. Irlanda variou mais em função dos jogadores, com Brady de ala a interior na esquerda, mas que fez os melhores jogos num 4x3x3 (que sem bola se escondia, como contra a França, em 4x5x1).

Para trás ficaram Suécia, o 4x4x2 menos versátil; Turquia, o 4x2x3x1 menos equilibrado contenção-criação (tal como a Ucrânia) enquanto Áustria, Roménia e República Checa:, também em 4x2x3x1 falharam na profundidade e não definiram um 10 (quando se via que o pretendiam). A Albânia resistiu entre o 4x5x1 e o 4x3x3 e a Rússia deixou perder-se o seu 4x2x3x1 num jogo excessivamente direto para o nº9 Dzyuba.