Eles Sabem Como Jogam Melhor

25 de Novembro de 2016

Benfica e FC Porto vão discutir no último jogo a passagem aos oitavos da Champions. Nápoles e Leicester, do outro lado. O Sporting caiu num grupo habitado por dois monstros de outra dimensão, B. Dortmund e Real Madrid.

Não ganhar ao Besiktas e ao Copenhaga, empatando os dois jogos (ambos jogados fora), não é um drama para Benfica e FC Porto, mas olhando a forma como os jogos decorreram, o mais perturbante é ver como em certos momentos as equipas portugueses não conseguiram mandar no jogo sem isso ter acontecido por o adversário ser então muito mais forte.

Ou seja, a primeira parte do FC Porto (sem conseguir sair e acabando a ver bolas a sobrevoar a sua área) como a ultima meia-hora do Benfica (incapaz de segurar o 0-3 não fechando o flanco direito) revelaram que, a certo ponto, Nuno e Rui Vitória (e, claro, as equipas em campo) como que foram ultrapassados pelo chamado “jogo real” que escapava ao “plano de jogo” (necessariamente pensado para controlar) que tinham traçado antes.

Penso que, para esta fase da época,  ainda existem demasiadas dúvidas sobre como devem jogar as três equipas. Isto é, debate-se demais qual a melhor forma de se estruturarem (e dinâmicas subsequentes) para abordarem da melhor forma cada jogo quando essa resposta devia já ter uma base simples.

Para responder a essa questão bastaria um simples olhar para, vendo tudo o que já se jogou, detectar como essas equipas jogaram quando fizeram as suas melhores exibições. É essa a pista que Rui Vitória, Nuno e Jesus devem seguir e lançar, sobretudo nos chamados jogos mais difíceis.

O FC Porto que jogou contra o Benfica (num 4x1x3x2 com um extremo aberto) o Sporting de Madrid ou contra o FC Porto (num 4x2x3x1 evitando a equipa partida com Bruno César no centro atrás do ponta-de-lança que afina movimentos pós-Slimani) e o Benfica mais compacto como sendo o que tem Pizzi na direita para relacionar faixa com zonas interiores na hora de defender ou dar largura, dependendo do que o jogo pede.

Estes pontos, em cada equipa, são fundamentais para a sua melhor expressão de futebol no que já se viu esta época e os modelos de jogo muito diferentes que cada um dos treinadores preconiza. Devem, por isso, como criar uma memória no “disco duro táctico” de cada uma delas que lhes permita, a qualquer momento (no plano inicial traçado para o jogo como na necessidade de reagir no seu decorrer) resgatar essa “memória do seu melhor futebol”. Mais do que um “onze base”, ter um “seis base” dentro do... onze que pode mudar em torno deste núcleo forte.

A forma como todas elas (umas mais do que outras) perde, por vezes, essa lucidez nos jogos, é o mais perturbante de ver neste momento da época.