Em bicos de pés numa noite taticamente escura e de chuva

15 de Abril de 2016

Entra em campo quase como quem entra durante a noite num quarto escuro em bicos de pés para não acordar ninguém. Traduzindo taticamente, o Moreirense de Miguel Leal entra sem querer partir nada da base do seu jogo (a organização defensiva) para depois, olhando para todos os lados, ir dando pequenos passos seguros para tentar avançar no terreno. Umas vezes consegue impor esta estratégia (e obrigação de jogar em campo pequeno), outras não.
Esta “ideia silenciosa” de jogo surge sobretudo em casa contra os grandes. E a imagem de “fazer campo pequeno” até é real porque o relvado do Moreirense é mesmo o mais curto do campeonato (104x68) em largura.

Isso condiciona muito as equipas grandes que entram em ataque continuado mas que quando começam a trocar a bola iniciando construção desde trás têm a ilusão pura de que estão a jogar sozinhos. Começam a perceber que estavam enganadas quando aparece um avançado furtivo em pressão (inesgotável a combatividade de Rafael Martins) e depois quando avançam e chegadas à entrada dos últimos 30 metros descobrem por fim toda a equipa adversária plantada à frente da sua área/baliza em cobertura sem dançar a toda largura do relvado.
William e Adrien conseguiam, assim, começar a jogar mas depois chegado ao local da “povoação tática” a equipa tinha dificuldade em... acabar a jogada.

Foi, por isso, o jogo menos indicado para saber como está nesta fase final da época a dinâmica do processo ofensivo leonino, sobretudo sem a asa Jefferson que tantos desequilíbrios criou no seu melhor período. Ganhou um jogo “difícil de perceber” mas não teve problemas em acabar olhando mais em como o travar quando de repente com a entrada dum “avançado-rato” veloz (Boateng) o tal onze silencioso de Moreira quis passar a fazer ruído (ofensivo) no jogo. Foi então Jesus a pôr silêncio no jogo (fechar espaços de penetração) somando os pontos indispensáveis.