Em contra-mão na “autoestrada”

23 de Junho de 2016

eurologoPortugal- Hungria. Um jogo impensável taticamente para a seleção nesta fase (de necessária evolução e maturação de jogo)

Seguindo as pistas de Fernando Santos de que a seleção jogara (ou tinha esse plano) em 4x4x2 losango contra a Áustria, a primeira diferença que se notou contra a Hungria é que desta vez a equipa parecia mesmo jogar em losango. Não se ficara pelas intenções anteriores (que então a tinham levado para um 4x3x3).

Este regresso às bases tinha, porém, um dado adicional: o “4” do meio-campo todo feito de médios, retirando-lhe o avançado disfarçado, Quaresma. A intenção era ter mais posse e ataque posicional organizado, e não tanto “esticões” dos avançados naturalmente separados dos médios nesse pensamento sobre o jogo.

Nem todos os losangos, porém, “falam” da mesma forma. Este, de traço português, custava-lhe a abrir, a alargar-se em posse para procurar mais as faixas. João Mário, André Gomes, Moutinho, “tacticamente anfíbios” no jogo, jogavam todos muito “por dentro” sem definir a relação ente faixa e centro.

Pedir numa equipa destas, o protagonismo da profundidade a atacar nos flancos a laterais como Eliseu e Vieirinha, é confrontá-la com as suas limitações. Com Quaresma (e mesmo Nani) a cair mais nesse “jogo exterior” (com cruzamentos/passes) a nossa expressão atacante pela faixas ganhou, num ápice, outro perigo.

 

É mesmo possível crescer a partir daqui?


O “golo psicológico” do empate (porque surge mesmo junto ao intervalo) resulta da combinação entre os dois avançados, Ronaldo-Nani, quando os húngaros adormeceram na marcação rápida dum livre. Tal podia dar estabilidade emocional à equipa mas dificilmente daria novas ideias. E não deu.

O livre de Dzsudzack a desviar no braço de André Gomes parecia um “grito de ironia do destino” tanto como o golo de calcanhar de Ronaldo logo a seguir. O jogo como luta entre estados de alma mas tacticamente anárquico que só estabilizou no "pensamento" quando apareceu o melhor João Mário. Em nenhum momento sentíamos segurança a defender (assustadores desequilíbrios defensivos permanentes). Jogar como “pisando a relva em brasa” mas os húngaros pareciam esta a gostar até... pararem de ameaçar quando sentiram que o empate lhes dava o primeiro lugar.

Conseguir o apuramento como se fosse um “ato burocrático” obrigatório (carimbado taticamente com a entrada de Danilo, saindo Nani, para “fechar a porta do jogo” a dez minutos do fim) pode acalmar a alma neste momento, mas deixa a evolução de jogo da seleção num “limbo”. Até onde pode (e como) o nosso jogo crescer a partir destas bases? Isso é que é neste momento difícil de ver e, sobretudo, imaginar.