AMADEO CARRIZO

16 de Junho de 2005

Renato Cesarini, um dos maiores treinadores da história do futebol argentino, costuma dizer que para saber se um guarda redes era bom ou mau, nem precisava de vê-los jogar. Bastava ver as suas fotos após sofrer um golo: Se estão sentados de culo, não servem. Se estão parados, de pé, são bons. Amadeo Carrizo, guarda redes do River entre 45 e 68, foi, claramente, um caso de vocação pura. Com 520 jogos é o homem que mais vezes vestiu a camisola do River. Personalizado como uma velha árvore, foi um precursor entre os postes, ao utilizar as mãos para lançar o contra ataque. Detinha os centros só com uma mão e antes de a bola cair no chão, já a estava a tocar, com o pé, para um companheiro melhor colocado. Por isso dizem que jogou mais do que defendeu, e iniciou uma dinastia de guarda redes que sabem jogar com os pés, na qual se seguiram Gatti, Fillol, Baley e muitos outros.

AMADEO CARRIZOOutra forma de detectar um grande guarda redes é descobrir como seguem fazendo defesas mesmo muito depois de terem deixado de jogar. Conta Angel Cappa em La intimidad del fútbol, que em 1983, era costume, pelo fim da tarde, ir com Menotti até á praia, bebe uma cerveja e, sobretudo, falar e futebol com muitos amigos que aí se reuniam entre eles Carrizo. Uma dessas tardes, Carrizo virou-se para Menotti e perguntou-lhe: - Flaco, lembras-te daquele golo que me fizeste um dia em Rosário e que vocês ganharam? - Qual...? não me recordo –respondeu Menotti - Aquele, em que remataste muito forte que quase rompia as redes. - Ah, sim, sim –disse Menotti - Sabes porque o fizeste? –perguntou Carrizo e seguiu sem esperar resposta - porque me cheguei demasiado perto de ti. Aos tipos que chutam tão forte como tu, não há que se aproximar demais, pois assim fica-se sem tempo de levar as mãos á bola. Tinha que ter ficado atrás, para a pode agarrar ou desviar. Esse golo de que falava acontecera já há 20 ou 25 anos, mas ele continuava dando voltas á cabeça para descobrir a forma de o evitar. Era uma dívida que tinha para com o seu orgulho. Seja como for, quando o sofreu, quedou-se de pé, como os grandes!

CARREIRA

  • River Plate, 1945 a 1968.
  • Millonarios de Colombia 1969 y 1970.
  • TITULOS:
  • 6 vezes Campeão argentino (River Plate, em 45, 52, 53, 55, 56, 57).
  • 1 titulo com a Seleccão argentina (Copa das Nacões - Brasil - 1964)