BERGOMI E SANCHIS: OS HOMENS QUE ATRAVESSARAM O TEMPO

10 de Outubro de 1999

Madrid, Santiago Bernabéu, 16 Abril de 1986. Depois de derrotado por 2-0 em Milão, o Real Madrid prepara-se para, com a magia turculenta de Hugo Sanchez, esmagar o Inter por 5-1. Santillana e Altobelli são os capitães das duas equipas, onde alinham os jovens Bergomi, 22 anos e Sanchis, 21. Os merengues seguem em frente rumo á vitória na Taça UEFA. Sevilha, Sanchez Pizjuan, 16 Setembro de 1998. Os olhares de Giuseppe Bergomi e Manolo Sanchis cruzam-se antes do ínicio do electrizante Real Madrid-Inter para a Liga dos Campeões. Ambos abrigam no braço esquerdo a braçadeira de capitão dos seus dois clubes. Entre as duas datas passaram-se doze anos e centenas de jogos. Em todos eles, em Turim ou em Madrid, estes dois homens, aparentemente feitos de outra matéria, estiveram presentes. Nem sempre dentro das quatro linhas, mas sempre com os emblemas dos seus clubes colados ao coração que durante toda a carreira não conheceram outra paixão. Eles serão, talvez, os últimos jogadores à moda antiga, aqueles que, dizia-se, jogavam com amor á camisola.

Sanchis é o último resistente da prodigiosa Quinta del Buitre que nos anos 80 encantou a Espanha e toda a Europa, e onde também estavam Michel, Martín Vasques, Pardeza e, claro, Butragueño, El Buitre em pessoa. Esta famosa equipa como que espelhou o contraste de estilos que ditou a evolução do futebol espanhol durante aquela década, marcando a diferença entre o tempo da fúria e os novos desenhos técnicos que o tornaram mais elegante e competitivo. Sanchis, embora sempre com um semblante rebelde, foi dos poucos jogadores castelhanos que soube conciliar os dois estilos. É da mesma forma comum vê-lo a voar para um impiedoso tackle, como é observá-lo a sair a jogar da sua área, com a bola dominada, iniciando um movimento ofensivo. Na presente época forma com Hierro uma das duplas de centrais mais fortes da Europa. Chegou ao Real iluminado pela linhagem futebolistica que colhera nos sábios conselhos de seu pai, membro da equipa que venceu a sexta Taça dos Campeões da história merengue. Tiveram que passar 32 anos até que aquela Taça voltase a aprender o caminho para a Casa Branca. Foi Sanchis que a voltou a tocar pela primeira vez após mais de três décadas de espera. Em 98, o Real conquistou o seu 7º titulo europeu. A Quinta del Buitre já não estava lá há muito tempo. Michel, elegante, assistiu a tudo sentado na bancada “Sanchis até ajeitou o cabelo quando foi receber a Taça. Creio que é a primeira vez que Manolo se penteía. E não era para menos..”

Quando em 82, Bergomi jogou com apenas 17 anos a final do Mundial, Thiery Henry tinha apenas 2 anos e ainda mal aprendera a andar. O França-98 colocou-os frente-a-frente. Durante os 120 minutos daquele confronto latino poucos lembraram que naquele curto espaço de terreno, cabine telefónica que emoldura o eterno duelo entre o defesa e o avançado, estavam duas gerações do futebol mundial. Bergomi é um produto tipico da defensiva escola táctica italiana, mestre na marcação homem-a-homem. Talvez por isso tenha falhado o seu quinto Mundial, em 94, em plena era-Sacchi que pretendia implementar a “zona pressionante” a qualquer custo. Um sistema pouco á medida do estilo de Beppe Bergomi, para quem a palavra cattenacio soa a música celestial. Um italiano genuíno. Uma vida dedicada ao Inter. Bergomi e Sanchiz, dia 25 de Novembro voltaram a estar olhos nos olhos, agora em S.Siro.

BERGOMI Nasceu em 22-12-63

Fez a primeira época em 80/81. Ao longo de 18 temporadas no Scudetto realizou 66 jogos e marcou 66 golos. Quando há 16 anos jogou a final do Mundial 82 apenas estava a alinhar pela segunda vez na squadra azzurra.

Hoje conta com 80 presenças, mais duas do que o Scirea, e menos uma que Tardelli e Baresi. Conquistou 1 Mundial, 1 Scudetto, 3 Taças da UEFA e 1 Taça de Itália.

SANCHIS Nasceu em 23-5-65

É o jogador que maís jogos realizou com a camisola branca do Real Madrid. Completou 779 presenças, número com que ultrapassou o record de Santillana, no último jogo com o Barcelona, para a 3ª jornada da Liga. Fez a primeira época em 83/84. Ao longo de 15 temporadas na Ligaefectuou 472 jogos e marcou 33 golos, conquistou 1 Taça dos Campeões, 2 Taças da UEFA, 7 Ligas de Espanha, 2 Taças do Rei, 4 SuperTaças de Espanha e 1 Taça da Liga