BOCHINI

16 de Junho de 2005

É difícil encontrar em todo o mundo um jogador que ao longo de toda a sua carreira se tenha identificado e dedicado tanto a um clube, como Bochini com o Independiente, onde jogou durante 20 épocas, toda a carreira, entre 1972 e 1991, realizando 638 jogos oficiais marcando 97 golos e conquistando 4 Campeonatos, 4 Libertadores e 2 Intercontinentais. Para os hinchas do Independiente só duas coisas são sagradas na vida: La vieja e El Bocha. A admiração pelo seu talento era tanta que quando pegava na bola, driblando e tocando como um poeta, todos os adeptos acreditavam que a jogada podia acabar em golo. Os seus passes pareciam desenhados a régua e compasso e a sua agressividade com a bola lembrava um domador a amansar uma fera. Num ápice, tinha todo o jogo nas mãos.

Foi descoberto em Zárate, pelo caçador de talentos Luís Ciriulli que o levou a treinar ao Boca Juniores, onde o técnico Diego García disse que, sim senhor, era bueno, mas faltava-lhe un poco.... Foi então que surgiu o Independiente, onde Nito Veiga, então á frente das camadas jovens, logo ficou ele, após o ter visto jogar apenas 10 minutos. A verdade, era que, apesar de ser algo frágil fisicamente, 1, 68 m. e 67 kg, não lhe faltava nada para ser um dos maiores maestros da história do futebol argentino. Como explicar? Era Woody Allen a jogar futebol, como lhe chamou Valdano que definiu o seu futebol como o de um ladrão que ausculta a impenetrável caixa forte, enquanto os seus dedos procuram o segredo da chave, até que de repente... clic! Sim senhor, uma bola jogada por ele abria todos os aloquetes defensivos. Bastava-lhe um clic.

Nunca foi, no entanto, uma personalidade pacifica. Nunca falou bem de um director, porque nunca sentiu admiração por nenhum. Recusou os empresários e desconfiava dos jornalistas Foi sempre um duro crítico dos treinadores defensivos e por isso elogiava Menotti, apesar deste não o ter levado aos Mundiais de 78 e 82. Por ironia, acabou por ser um técnico que sempre criticou por ser defensivo, Billardo, a convocá-lo para o Mundial-86, onde jogou apenas os últimos 5 minutos da meia-final contra a Bélgica, quando a Argentina ganhava por 2-0, por isso disse que não se sentia campeão do mundo. Quando o viu entrar em campo, Maradona homenageou-o com estas palavras: Bien, Maestro! Retirou-se aos 37 anos. Foi uma das últimas reservas espirituais de um futebol maravilhoso, em estado puro, que se nos escapou pelas mãos como areia fina por entre os dedos...

CARREIRA

  • Séptima División de Belgrano de Zárate.
  • Club Atlético Independiente, 1972 a 1991.
  • TITULOS
  • 4 Copas Libertadores com o Independiente, 1973, 74, 75 y 84.
  • 2 Taças Intercontinentais, 1973 y 1983.
  • 3 Copas Interamericanas.
  • Campeão argentino, 1977, 1978, 89.
  • Campeão Metropolitano, 1983.
  • Campeão do Mundo/ Argentina- 86.