FRIEDENREICH

16 de Junho de 2005

O entusiasmo pelo futebol ia, no entanto, crescendo, e em 1919, disputou-se no Rio de Janeiro, um campeonato sul americano. A final colocou frente a frente Brasil e Uruguai. Desse lendário jogo, contaram-se através dos tempos, as mais diversas histórias, mas a frieza dos registos, reza que o Brasil venceu o jogo decisivo por 1-0, com um golo do célebre Artur Friedenreich, El Tigre, uma das mais fascinantes personagens da história do futebol brasileiro.

Em torno desse homem contam-se histórias mais incríveis. Muitos narram-lhe façanhas de outro mundo que só eles viram. Outros dizem que marcou mais golos que Pelé e falam de um pontapé estrondoso. Outros porém dizem que esse lendário avançado centro era mestre em chutar suave enganando toda a gente. Durante o seu empo de jogador, chegou a correr inclusive o boato que ele matara o próprio irmão na cobrança de um pénalti, pois, segundo se dizia, esse suposto irmão tentara parar o poderoso remate, mas, ao fazê-lo, cairia morto, fulminado, com a bola nas mãos. Uma história desconcertante, sem qualquer ponto de fundamento, mas que fazia, e fez, aumentar ainda mais a lenda de Friedenreich. Mas, afinal, quem foi esse homem que supostamente teria marcado mais golos que Pelé?

FRIEDENREICHNascido a 18 de Julho de 1892, numa casa na esquina das ruas do Triunfo e da Vitória –impossível nome mais premonitório que este- Arthur Fredenreich, filho de pai alemão e mãe brasileira, era um mulato claro de olhos verdes. Os registos e as teses sobre os golos que teria marcado dividem-se. Segundo o livro Os Gigantes do Futebol Brasileiro, da autoria de João Máximo, ele teria feito, durante a carreira que durou entre 1909 e 1935, o total de 1329 golos! Outros registos apontam, no entanto, para 1239, mas, em qualquer dos casos, é impossível atestar da veracidade de qualquer das versões, pois todos eles foram feitos num tempo onde muitas vezes os jogos nem eram cobertos pela imprensa que, no inicio, dava pouco espaço ao futebol. Uma coisa é certa, El Tigre, nome que lhe foi colocado pelos uruguaios pela forma destemida como enfrentava os defesas adversários, foi um goleador fabuloso, com a camisola de clubes como o Mackenzie, Ypiranga, Paulistan, São Paulo da Floresta e, claro, a selecção paulista e brasileira.

Mas, para além destas proezas goleadoras, a grande aura mítica que ficou em torno de Fredenreich tem a ver com a cor da sua pele, pois numa época em que o futebol se mantinha, tal como desde as suas origens no Brasil, elitista, aristocrático e rotulado de desporto de brancos, seria um mestiço a tornar-se no primeiro jogador brasileiro a ser venerado pelo público. Fried jogou até os 43 anos mas fez toda a carreira em São Paulo, pois nas equipas do Rio a segregação era mais intensa. Consta que gozava de protecção especial pois seu pai pertencia á classe alta de origem alemã que nessa época gozava de grande influência na região paulista. Para evitar confusões, porém, decidira alisar o cabelo e muitas vezes jogava com uma rede na cabeça para disfarçar as suas origens. Fascinante, a sua vida e carreira, representam uma parábola futebolística sobre as raízes do futebol brasileiro

CARREIRA:

FRIEDENREICH1

  • Germania.
  • Mackenzie.
  • Ypiranga.
  • Paulistano, 1909 a 1929.
  • Sao Paulo, 1929 a 1931.
  • Flamengo, 1931 a 1934.

TITULOS

  • 6 vezes Campeão Paulista, com o Paulistano, 1918, 19, 21, 26, 27 e 29.
  • 9 vezes melhor marcador do Campeonato paulista.
  • Campeão paulista com o Sao Paulo, 1931.
  • 2 Copa América com a Selección brasileira, 1919, 1922.