GRANDES «DERBYS» DO FUTEBOL MUNDIAL

13 de Fevereiro de 2005

Londres, Madrid, Milão, Atenas, Istambul, Belgrado, Glasgow, Rio de Janeiro, Buenos Aires e Cairo. Os milhões podem estar na Liga dos Campeões, mas, mesmo para os clubes que fazem parte desta elite milionária, nada supera o secular prazer de vencer o título nacional. Um triunfo detonador de paixões que atravessam o tempo e têm como apogeu máximo o grande duelo com o velho rival da sua cidade, simbolizando, muitas vezes, um confronto social. São os grandes derbys do futebol mundial.

Na entrada do Estádio do Arsenal, a frase que recebe os visitantes, Welcome to Highbury, The Home of Football; em tradução livre, Bem Vindos a Highbury, A Casa do Futebol, bem poderia estar, da mesma forma, na entrada de Londres, uma cidade que respira futebol, povoada de clubes centenários, que, ao longo dos tempos, sempre ocuparam lugar de destaque na I Divisão da Velha Albion. Assim, quase todas as semanas podemos encontrar um derby londrino mas, apesar da actual explosão do Chelsea, nenhum adquire a dimensão lendária do Arsenal-Tottenham. A norte do rio Tamisa, os quarteirões onde moram Arsenal e Tottenham coexistem sem uma fronteira claramente definida. De um lado, Highbury Park,, do outro White Heart Lane, casa do Tottenham.

GRANDES «DERBYS» DO FUTEBOL MUNDIALNo passar do tempo, também se criaram lendas que ligam os clubes a diferentes extractos sociais. Com raízes mais proletárias, os gunners, nome porque é conhecido o Arsenal e que teve origem no facto do clube ter sido fundado, em 1884, por operários de uma fábrica de armamento. Mais elitista, o altivo Tottenham, como a maioria dos seus adeptos, que os rivais descrevem como só bebedores de estrangeira cerveja importada, viajantes de avião e leitores exclusivos do Financial Times e do Antigo Testamento. Através dos tempos, muitos mitos se criaram em torno destes duelos. Apesar do Tottenham ter ganho o primeiro grande derby da história (um amigável em 1887, por 2-1), no balanço geral, o Arsenal leva vantagem, num domínio que se iniciou em 1909, data do primeiro embate oficial com o Tottenham (vitória por 1-0) e que teve o ponto mais alto com uma goleada, 6-0, em 1935, poucos meses após a morte de Herbert Chapman. Nessa goleada história ainda esteve, porém, a base da equipa do inventor do WM, onde se destacavam dois terríveis avançados, Ted Drake e Cliff Bastin. Teria de passar quase meio século para o Tottenham devolver semelhante lição. Sucedeu em 83/84, quando os spurs, com um onze onde brilhavam Archibald, Hoddle e Crooks, entre outros, goleou os gunners, em White Hart lane, por 5-0.

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TED DRAKE (ARSENAL)

GRANDES «DERBYS» DO FUTEBOL MUNDIAL1Em duas épocas consecutivas fez cinco golos ao Tottenham carimbando duas histórias goleadas sucessivas. Em 1934, na goleada por 5-1, fez um hat-trick. Em 1935, bisou no histórica goleada record de 6-0. Era um avançado centro mortífero. O record de sete golos num só jogo pelo Arsenal ainda é seu (em 1935, nos 7-0 ao Aston Villa). Jogou nos gunners entre 1934 e 1945, mas a guerra roubou-lhe muitos anos. No total, fez 184 jogos e marcou 139 golos pelo Arsenal.

 

 

 

GLENN HODDLE (TOTTENHAM)

GRANDES «DERBYS» DO FUTEBOL MUNDIAL2Grande figura do forte Tottenham dos anos 80 que, guiado pelo seu elegante futebol desenhado a régua e esquadro, infringiu, em 1984, a maior goleada ao Arsenal da história dos spurs: 5-0. Formado nas escolas do Tottenham, Hoodle, médio de grande recorte técnico, fez quase toda a carreira em White Hart Lane, entre 1975 e 1987, altura em que partiu para o Mónaco.

HISTORIAL (Só jogos da Liga)

  • Jogos: 128 jogos Vitórias do Arsenal: 50 Vitórias do Tottenham: 45 Empates: 33

 

 

GRANDES «DERBYS» DO FUTEBOL MUNDIAL3No início, em 1903, o Atlético chamava-se Athletic, por ter sido uma filar do Ath.Bilbao, fundado por um grupo de jovens bascos e madrilenos que vivendo na capital adoptaram a terminologia inglesa, e só em 1911 passaria a envergar o tradicional equipamento rojiblanco, largando o pioneiro azul e branco. Foi quando se lhes passou a aplicar o pitoresco rótulo de colchoneros devido à semelhança do equipamento com as cores de uma marca de colchões muito utilizados naquela época. Nos anos 30 viveu uma grave crise económica, a maior da sua história. A solução para evitar a extinção foi fundir-se com um clube recém-criado pela força aérea, desejava participar nos torneios nacionais. Assim nasceu o Atlético Aviacion. I

ronia da história, com o seu velho campo em obras, o novo Atlético disputa os seus primeiros partidos no Estádio de Chamartin, propriedade do hoje rival Real Madrid. Com dinheiro fresco, que permitiu recuperar a estrela Gabilondo por 40 mil pesetas ano, é com esse nome que, em 39/40, conquista a primeira Liga da sua história. Em 1947, financeiramente sanado, recuperou a sua denominação actual., mantendo-se no topo do futebol espanhol até meados dos anos 50 quando chega a Chamartin um homem que iria mudar o curso da história: Di Stefano. O Atlético joga bem mas não ganha e começa-se a falar das arbitragens parciais protectoras dos merengues que na origem se chamava Madrid Fottball Club. Só em 1920 o Rei Afonso XIII lhe decidiu atribuir o título de Real, passando a figurar no topo do seu emblema a coroa real, acompanhada das iniciais MCF, Madrid Club de Futbol. É desse tempo que nasce o mito de que os merengues são o clube do Rei, o clube do Estado que, no fundo, representa e usufrui das benesses do poder. Uma imagem que perdura até hoje, depois de atravessar a ditadura de Franco, fonte da revolta do Barcelona e do visceral ódio dos velhos e novos adeptos do Atletico. O historial de conquistas é, porém, implacável. Ao longo dos tempos, enquanto o Atlético venceu 9 campeonatos, o Real conquistou…29!

HISTORIAL

  • Jogos:153 Vitórias do Real Madrid: 82 Vitórias do Atletico Madrid: 38 Empates: 35

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HUGO SANCHEZ (REAL MADRID)

GRANDES «DERBYS» DO FUTEBOL MUNDIAL4O acrobata mexicano goleador foi um ídolo das duas hinchadas madrilenas. Chegou a Espanha em 1981, contratado pelo At. Madrid, onde jogou até 85, altura em que foi roubado pelo Real. Os colchoneros nunca perdoaram a traição, mas hugogol nunca tremeu e até 92, tornou-se num dos maiores goleadores da história do futebol espanhol (207 golos em 283 jogos). Por isso, muitos diziam que a fabulosa Quinte del Buitre do Real nos anos 80 era afinal, apenas 40 golos de Hugo Sanchez por época…

BEN BAREK (AT.MADRID)

GRANDES «DERBYS» DO FUTEBOL MUNDIAL5O símbolo da grande época do At.Madrid no futebol espanhol, em finais dos anos 40, antes da chegada de Di Stefano a Chamartin. Ben Barek, o marroquino que transformou o futebol em ballet, foi o primeiro Pelé da história do futebol mundial. Ágil como um felino, driblador nato, chamaram-lhe a Pérola Negra. Descoberto por Herrera, nos baldios de Casablanca, jogou no Atlético entre 1948 e 1954.

 

 

 

GRANDES «DERBYS» DO FUTEBOL MUNDIAL6Milão, anos 60. Após conhecer 12 treinadores em 5 anos, o Inter arranca para um ciclo dourado. Vivia-se o reinado do grande presidente Angelo Moratti, empresário do ramo petrolífero, cujo legado permanece hoje no seu filho Massimo, actual chefe neroazzuro. Com ele chegou a Itália, o treinador mais amado e odiado da história do futebol europeu: Helénio Herrera, fundador do grande Inter dos anos 60, com estrelas como Suarez, Facchetti, Mazzola e Jair. Foi por essa altura, que se solidificaram a imagem e os valores que, ao longo dos anos, se colaram aos dois grandes clubes da elegante Milão, mas a alvorada da década acentuaria ainda mais essa dicotomia social e financeira. O Milan, tal como, noutras regiões, o Torino e a Roma, era a equipa vermelha do proletariado urbano.

O Inter, do milionário Moratti, era, tal como a Juventus de Agnelli e a Lazio aristocrática, a equipa do rico patronato dominante. Pouco importa que o Milan progressista de meados do século, seja hoje propriedade de Berlusconi, capitalista da era moderna, pois, na memória das gerações que formam outras gerações, quando se fala de futebol todos os valores são absolutos. Todos os derbys, independentemente do lugar que as equipas ocupam, são disputados perante grande emoção, com o estádio cheio. Confrontos que, quase sempre, fizeram honras ao rótulo de defensivo que, até hoje, ao futebol italiano. Traiçoeiro, parece mais ambicioso quando não tem a bola do que quando a recupera. A 11 de Maio de 2001 um jogo abalou a história, quando o Milan, numa noite endiabrada de Shevchenko, goleou, 6-0, o Inter, então treinado por Tardelli que definiu essa noite como a mais larga de toda a sua vida! O Inter, vencedor de 13 Scudettos, já não é campeão desde 1989 (Trapatonni, no banco, Matthaus, em campo). O Milan soma 19 títulos, com duas épocas de ouro. Nos anos 50 com o trio Gre-No-Li, iniciais dos suecos Gren, Nordhal e Liedhlom, que arrasavam os relvados transalpinos, e, nos anos 80/90, quando nasceu a zona pressionante de Sacchi, sublimada com três holandeses voadores Rijkaard-Gullit-Van Basten.

HISTORIAL (só jogos do campeonato)

  • Jogos: 155 Vitórias do Inter: 57 Vitórias do Milan: 48 Empates: 50

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GIUSEPPE MEAZA (INTER)

GRANDES «DERBYS» DO FUTEBOL MUNDIAL7Sempre com o cabelo coberto de brilhantina, galã dos anos 30, Meazza, avançado centro no Inter, tornou-se regista na selecção. Jogou no Inter entre 27 e 40, mas, no final da carreira, já com um respeitável barriguita, ainda fez dois anos no Milan, entre 40 e 42. A sua aura é de tal dimensão que o seu nome ainda hoje é o único caso em que ao longo do tempo foi possível um consenso entre os rivais, ao ponto do Estádio São Siro, onde jogam as duas equipas de Milão, ostentar hoje o seu nome.

RIVERA (MILAN)

GRANDES «DERBYS» DO FUTEBOL MUNDIAL8El Bambino de Oro, nome que lhe foi dado após ter conquistado a Bola de Ouro de melhor jogador europeu do ano em 1969, fazia o que queria da bola. A sua visão de jogo era sublime e quando driblava parecia que todo o jogo parava para admirar a sua elegância. Jogou 19 épocas no Milan, entre 1960 e 1979. Ganhou tudo, fez 501 jogos e apontou 128 golos

 

 

 

GRANDES «DERBYS» DO FUTEBOL MUNDIAL9Autêntico vulcão de emoções futebolísticas, Atenas divide as suas paixões por três grandes clubes. O mais antigo é o AEK, fundado em 1924, mas o derby que carrega maior peso histórico disputa-se entre o Olympiakos do Pireo, uma zona portuária distante do centro da cidade, onde mora o grande rival Panathinaikos. No imaginário construído pelo tempo, o onze do Piero cresceu ligado à classe operária, enquanto o emblema do trevo verde se relacionou com os citadinos mais abastados. Em termos de títulos conquistados, o Olympiakos leva clara vantagem: 32 trunfos contra 19 do Panathinaikos. Rezam os registos que, ainda na era amadora, em 29-30, o Panatinhaikos goleou o Olympiakos por 8-2, com seis golos de um velho goleador chamado Angelos Massaris.

Apesar desta remota goleada, é raro encontrar resultados desnivelados entre estes dois monstros helénicos. A maior goleada lograda pelo Olympiakos sucedeu em 66/677, quando guiado por Sedaris, terrível goleador que marcou o futebol grego dos anos 60, bateu, em sua casa, o rival Panatinaikos por 4-0, que, guiado pela sua magistral estrela Domazos, causaria, porém, por duas vezes, grande sensação ao golear por 4-1 o Olympiakos no seu próprio estádio, em 59/60 (época de estreia do campeonato profissional grego) e em 85/86. Nos jogos disputados em casa da equipa do trevo verde, o equilíbrio foi ainda maior. Em 47 jogos, 13 vitórias para cada lado, sendo o resultado mais desnivelado uma vitória do Panathinaikos por 3-0. Embora a rivalidade entre os dois emblemas transforme muitas vezes os jogos entre eles em verdadeiras batalhas campais, na história também se descobrem gestos de cortesia entre os dois clubes. Foi o que sucedeu em 1963, quando com o Olympiakos impedido de utilizar o seu Caraiskaki Stadium devido a um conflito com a Federação grega, o Panathinaikos, solidário, ofereceu o seu centro de treinos e estádio para os rivais treinarem e jogarem. Um gesto nobre que a direcção da equipa do Pireu agradeceu em público antes de jogar. Durante os 90 minutos porém, a rivalidade não conheceu tréguas…

HISTORIAL (só a partir de 59/50) *

  • Jogos: 94 Vitórias do Olympiakos: 34 Vitórias do Panathinaikos: 23 Empates: 37 * data de inicio da Liga profissional grega

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ANASTOPOULOS (OLYMPIAKOS)

GRANDES «DERBYS» DO FUTEBOL MUNDIAL10O grande goleador da história do futebol grego, estrela dos anos 80, com muitos golos feitos nos ferozes derbys com o Panatinhaikos. Para Anastopoulos um deles ficou gravado de forma especial. O de 81-82, decisivo para o titulo, e ganho, com um golo seu, pelo OLympiakos que assim se sagrou campeão grego. No seu auge goleador, o goleador de bigode ainda andou por Itália mas sem grande sucesso. Depressa regressou à sua Grécia para continuar a marcar golos.

DOMAZOS (PANATHINAIKOS)

GRANDES «DERBYS» DO FUTEBOL MUNDIAL11Médio ofensivo com grande visão de jogo, Mimis Domazos, conhecido como o General, foi, para muitos, o melhor jogador grego de todos os tempos. A maioria das suas grandes exibições foram feitas no Panathinaikos, onde ganhou 10 campeonatos, entre 60 e 77. Entrou no clube com apenas 17 anos, em 1959. Era o início de 20 anos com o trevo ao peito. Só sairia em 1979, devido a uma discussão com o treinador da época, rumando para outro grande rival da cidade, a AEK.

 

 

GRANDES «DERBYS» DO FUTEBOL MUNDIAL12Nos confins do Velho Continente, há uma cidade que balança no limbo geográfico que separa a Europa da Ásia: Istambul, abrigo dos grandes clubes turcos, de tal forma que até 1959 a Liga Nacional só admitia clubes da capital. Entre eles, três gigantes: Besiktas, Fenerbahce e Galatasaray, cada qual com o seu estilo e personalidade. Embora o Besiktas seja o mais antigo clube turco, fundado em 1903, a grande rivalidade histórica faz-se entre o Galatasaray e o Fenerbahce, dois clubes separados pelas margens do Bósfaro que marca também a fronteira entre a Europa da Ásia O Fenerbache, que significa jardim de luz em turco, está situado na margem asiática do Bósfaro, distrito de Kadikoy. Criado em 1907 por membros do colégio francês de St.Joseph, ficou conhecido como o clube dos operários vindos da classe média-baixa e teve como grande adepto, Mustafa Kemal Ataruk, o fundador da Republica turca.

No lado europeu, o Galatasaray, que quer dizer Palácio de Gálata em turco, fundado em 1905 então apenas como uma secção criada por um grupo de estudantes do lendário Liceu de Galatasaray. Com a transformação deste em Universidade elitista, educador da nata da sociedade turca, o clube também se tornou uma referência de poder. o chamado clube dos aristocratas. Embora esta dicotomia social faça hoje pouco sentido, a verdade é que a rivalidade entre os dois clubes nunca parou de crescer, numa clivagem metaforicamente ilustrada pela divisão geográfica continental em que cada um está implantado. Observando os resultados ao longo dos tempos, nota-se um grande equilíbrio. Cada qual venceu 15 títulos nacionais. A diferença é feita a nível da Taça (15 vitórias do Galatasaray contra 4 do Fenerbahce). A maior goleada da história remonta a 1911, quando o Galatasaray bateu o rival asiático por 7-0! Nos tempos mais recentes, porém, o Fenerbahce devolveu a goleada: 6-0 em 2001/02, com Ortega a brilhar e Akin Serhat a marcar!

HISTORIAL (só jogos do campeonato)

  • Jogos: 177 Vitórias do Galatasaray: 55 Vitórias do Fenerbahce: 71 Empates: 51

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HAKAN SUKUR (GALATASARAY)

GRANDES «DERBYS» DO FUTEBOL MUNDIAL15Fabuloso goleador turco dos anos 90, é o melhor marcador de sempre do Galatasaray em confrontos contra o Fenerbahce. Jogou 11 derbys e fez 11 golos. Ponta de lança esguio e muito oportuno, é um predador da área sem grandes requintes técnicos. Uma fábrica de golos que, no entanto, só se revelou no especial habitat dos infernais estádios turcos. Aos xx anos, continua no activo a fazer golos…

TANJU COLAK (FENERBAHCE)

GRANDES «DERBYS» DO FUTEBOL MUNDIAL16Chamaram-lhe Bay Gol, isto é, Mister Golo. Foi Bota de Ouro em 86-87, com 39 golos pelo Galatasaray, onde jogou entre 86 e 92, altura em que causou sensação no futebol turco ao decidir mudar-se para o grande rival FEnerbache. Depois de seis épocas no Galatasaray, onde foi cinco vezes o melhor marcador do campeonato, entraria na história do Fenerbahce ao marcar seis golos num só jogo, seu record pessoal, em 92-93.

 

 

GRANDES «DERBYS» DO FUTEBOL MUNDIAL17

O grande derby de leste. Filhos da extinta pátria unida de Tito, a velha Jugoslávia, Estrela Vermelha e Partizan dividem as paixões de Belgrado. Fundados ambos na alvorada do pós-guerra, em 1945, tiveram distintas origens, as ambas ligadas a estruturas do poder. Sociedade polidesportiva da Armada jugoslava, o Partizan nasceu e cresceu com a aura do clube do exército, embora em finais dos anos 50 tenha saído da sua tutela Ao mesmo tempo, o Crvena Zvezda, Estrela Vermelha em sérvio, foi obra de um grupo de estudantes da Universidade de Belgrado, combatentes e defensores da velha união. As primeiras grandes estrelas foram, nos anos 50, os maestros Sekularac e Mitic, dois génios do meio campo só comparáveis a Savicevic, Prosinescki ou Stojkovic, figuras do onze campeão europeu em 91, cujas grandes exibições ficaram imortalizadas na relva do novo grande estádio construído em meados dos anos 40, o chamado Marakana sérvio, erguido nos terrenos onde antes morava o Jugoslavija, modesto clube da Belgrado de antes da guerra. Do lado do Partizan, que sempre jogou no seu Stadion Partizana, também brilharam grandes jogadores do belo futebol jugoslavo. Foram os casos de Bobek, Mance, Vukotic, Soskic e Mijatovic, entre muitos outros, cada qual na sua época.

Todos eles levaram à loucura os Grobari, nome porque são conhecidos os seus adeptos, o que em sérvio significa escavadores, rezando a história que o nome se deveu a equiparem a preto e branco Com a desintegração da velha união jugoslava no início dos anos 90, Partizan e Estrela Vermelha passaram a erguer-se como os grandes símbolos futebolísticos da nova Sérvia. Esqueceram os ferozes duelos com as equipas croatas, e procuraram em si argumentos para recuperar o prestígio abalado. Um processo difícil e moroso. Num campeonato competitivamente pobre, com pouco público, o derby de Belgrado é o único jogo a atrair grandes multidões. Somando as duas eras, o Estrela Vermelha é o clube com mais título nacionais conquistados, 23, contra 18 do Partizan.

HISTORIAL

  • Jogos: 121 Vitórias do Estrela Vermelha: 61 Vitórias do Partizan: 40 Empates: 20

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MILJAN MILJANIC (ESTRELA VERMELHA)

GRANDES «DERBYS» DO FUTEBOL MUNDIAL18Um cavalheiro do futebol europeu. Nascido em 1930, na Macedónia, jogou em todas a categorias do Estrela Vermelha. Desde os juvenis até à primeira equipa. Finda a carreira, em 1960, com apenas 30 anos, tornou-se treinador das camadas jovens do clube. Durante 14 anos, de 1960 a 1974, foi a grande alma do Estrela, do qual seria depois treinador principal, vencendo cinco ligas e 4 Taças da Jugoslávia

STEJAN BOBEK (PARTIZAN)

GRANDES «DERBYS» DO FUTEBOL MUNDIAL19O jogador mais popular da história do Partizan. Um verdadeiro símbolo. Avançado de grande categoria, também espalhou o seu perfume goleador na selecção jugoslava. Jogou no Partizan entre 1945 e 1958. Treze anos de grande futebol, com 468 jogos e 403 golos apontados, record da história do Partizan! Aras de ouro, a data de 8 de Junho de 1947, quando marcou 9 golos em apenas um jogo, contra o 14 Oktober.

 

 

Mais que um grande clássiGRANDES «DERBYS» DO FUTEBOL MUNDIAL20co, Flamengo e Fluminense traduzem as mais raízes do futebol brasileiro. Uma rivalidade que teve, nos seus primórdios, contornos sociais e raciais. No final do Séc.XIX era impensável ver o futebol praticado por negros ou fora dos recintos aristocráticos. É nessa altura que nasce a história de Carlos Alberto, um mestiço contratado então pelo elitista Fluminense apesar das críticas do público e restantes jogadores. Sentindo-se marginalizado, Carlos Alberto decide então maquilhar-se com pó de arroz antes de entrar em campo para assim disfarçar a sua cor da sua pele. Apercebendo-se desse facto, os adeptos da equipa contrária, começaram a gritar Pó de arroz! Pó de arroz!, criando uma rótulo que ainda identifica a equipa e os adeptos do Fluminense. Estes factos ajudaram a criar dois tipos de clubes.

Os aristocráticos e elitistas, que olhavam de lado os negros, e os populares, onde estava o Flamengo, que se abria a todos os estratos sociais, numa rivalidade social que se mantêm até hoje. Fundado em 1895 como um clube de remo, o Flamengo só passaria a praticar futebol em 1911, quando após uma discussão com a direcção, nove jogadores do Fluminense decidem sair do clube e formar uma equipa de futebol no Flamengo! No dia 7 de Julho de 1912, 888 pessoas assistem no campo da Rua Guanabara ao primeiro Fla-Flu da história. Ganhou o Fluminense ao Flamengo, formado por seus ex-jogadores, 3-2! Esta guerra Fla-Flu, pobres contra ricos, atravessou gerações. Cada clube tem o seu Estádio, o Fluminense nas Laranjeiras, o Flamengo na Gávea, mas os grandes debys jogam-se sempre no Maracanã que, em 1963, viu o jogo entre clubes como mais público de sempre: 177 mil espectadores, num Fla-Flu para a final do campeonato carioca. O domínio estadual manteve-se sempre muito equilibrado. Oo Fluminense conquistou 30 títulos, enquanto o Fluminense venceu 28. A nível nacional o domínio é, porém, do Flamengo. 5 vezes campeão contra apenas dois triunfos do Fluminense, que ostenta a seu favor, a maior goleada da história do derby do Rio: 7-0, em 1945!

HISTORIAL (todas as competições)

  • Jogos: 351 Vitórias do Flamengo: 128 Vitórias do Fluminense: 111 Empates: 113

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ZICO (FLAMENGO)

GRANDES «DERBYS» DO FUTEBOL MUNDIAL21A estrela suprema do firmamento da Gávea. Fisicamente franzino, o Galinho do Quintinho levou o Maracanã à loucura com o seu futebol-arte. Chamaram-lhe então, no inicio dos anos 80, o Pelé branco. No Brasil apenas jogou no Flamengo, entre 71 e 83 e 85 e 89, quando regressou de uma curta aventura na Udinese, em Itália. Fez 731 jogos e marcou 508 golos. Como gosta dizer, ele é a prova que é mentira que para jogar futebol se tenha de ter nascido um atleta

ROMERITO (FLUMINENSE)

GRANDES «DERBYS» DO FUTEBOL MUNDIAL22Um génio paraguaio que conquistou a torcida do Flu em meados dos anos 80, superando mitos como Rivelino ou Didi. Magistralmente guiado pelos seus dribles, sprints e golos, o pequeno Júlio César Romero, o popular Romerito, o Fluminense conquistou três títulos consecutivos de campeão carioca (83, 84 e 85), mesmo nas barbas do velho rival da Gávea. Um feito épico que o tornou imortal.

 

 

GRANDES «DERBYS» DO FUTEBOL MUNDIAL23

Desde cedo, o futebol seduziu os porteños, como se chamam os habitantes de Buenos Aires. Em fins do séc.XIX, as duas maiores equipas da zona do porto, eram Rosales e Santa Rosa, até que, com os adversários cada vez mais fortes, resolveram fundir-se num clube só. Sugeriram-se vários nomes e eis que surge um nome que se vira escrito num caixote que um marinheiro inglês colocara encostado a um canto: River Plate! Nunca ninguém soube o que estaria dentro desse caixote, mas, o facto é que ele seria, em 1901, o nome escolhido para um novo e ambicioso clube: o Club Atlético River Plate, cujas raízes, afinal, são as mesmas do Boca Juniors, seu rival nas margens do Riachuelo. Com o tempo, porém, fugiu ás suas raízes.

A primeira clivagem deu-se com a chegada do profissionalismo e o River comprou Bernabé Ferreyra com um contrato fabuloso de 45 mil pesos! ganhando o nome que perdura até hoje: Milionários. Em 1930, porém, o clube mudava-se para o elegante Distrito Nuñez, zona dos ricos de Buenos Aires que vivem em grandes mansões. Nascia o grande choque social. Nenhum clube, no entanto, cativou tantos adeptos e despertou tantas paixões como o Boca Juniors, nascido em La Boca, pobre bairro de Buenos Aires, situado junto ao antigo porto, famoso pelas suas casa de cores berrantes, -vermelho, amarelo, azul- e pelo grande núcleo de emigrantes italianos, sobretudo genoveses, Com o tempo, a sua génese popular entrou no coração do povo, tornando-se o clube dos descamisados, como lhe chamou Juan Perón. Muitos ídolos nasceram no Boca, mas nenhum com a loucura do guarda-redes Hugo Gatti. Uma vez, quando ainda jogava no Gimnasia foi jogar contra o Boca, na Bombonera. Conta-se então que, quando foi buscar uma bola que saíra para junto da bancada onde estava a hinchada mais fanática do Boca, levantou a camisola, no momento em que todos o começavam a assobiar, e por debaixo do equipamento principal, mostrou a camisola dos seus amores: a azul e ouro do Boca! No global, o River Plate venceu 27 campeonatos argentinos, enquanto o Boca Juniores conquistou apenas 20.

HISTORIAL

  • Jogos: 183 Vitórias do River Plate: 62 Vitórias do Boca Juniores: 67 Empates: 54

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REINALDO MERLO (RIVER PLATE)

GRANDES «DERBYS» DO FUTEBOL MUNDIAL24Nada mais do que a fidelidade a um clube, o chamado amor à camisola, liga tanto uma multidão de adeptos a um jogador. No River, um desses casos foi Reinaldo Merlo. Jogou sempre nos Milionários, entre 1969 e 1984, e foi também o jogador que mais vezes enfrentou o Boca, em 35 ocasiões. Era um médio durinho, ao velho estilo gaúcho, com uma voz de trovão que ainda hoje mantêm, tendo sido o treinador do River esta época. Saiu, porém, vitima dos maus resultados…

CAMBÓN (BOCA JUNIORES)

GRANDES «DERBYS» DO FUTEBOL MUNDIAL25Ao longo dos tempos, o Boca sempre teve grandes magos, mas, no capitulo dos clássicos, há um nome que ganhou direito à imortalidade: o elegante esquerdino Carlos García Cambón. Jogou no Boca apenas entre 1974 e 76. Fez 135 jogos e 33 golos, e entraria na galeria dos inolvidáveis no dia da sua estreia, quando fez quatro golos ao River Plate, marca que ainda hoje é um record no clássico dos clássicos

 

 

O maior derby do futeboGRANDES «DERBYS» DO FUTEBOL MUNDIAL26l mundial. Orgulhosa bandeira da independência egípcia, o Ah-Ahly, Nacional -tradução árabe do seu nome - é muito mais do que um simples clube de futebol. Desde os primórdios, fundado em 1906, por 6 estudantes egípcios opositores do colonialismo inglês, sofreu a oposição do império britânico, ameaçando-o com suspensões e extinção. Este confronto só serviria para tornar o clube ainda mais amado. Em termos de títulos, o domínio do Al-Ahly no futebol dos faraós é quase sufocante e começou desde que, em 1948, nasceu, oficialmente, a Liga Egípcia. Só no inicio dos anos 60, surgiria outro clube capaz de combater o seu domínio.

O Zamalek, a chamada escola do futebol bonito, por, desde sempre, as suas equipas terem a fama de, mesmo perdendo, praticar um futebol atraente, de fino recorte técnico. A origem da rivalidade tem, porém, nome próprio: Hussein Hegazy, uma lenda do futebol egípcio. Quando em 1914 regressou de jogar em Inglaterra, no Fulham, todo os queriam, mas ele disse sempre que não e fundou um clube novo, o Hegazy Heart. Pouco tempo depois, porém, em 1917, ingressou no Al-Ahly, enquanto os outros jogadores da sua ex-equipa, foram para o Zamalek, para onde, dois anos após, também iria jogar. Era um rebelde, em 1928, perto do fim da carreira, regressou ao Al-Ahly. Por cada vez que mudava de clube, arrastava consigo uma legião de adeptos que só por causa dele mudavam de clube! Foi neste período que os grandes derbys Nacional-Zamalek começaram a incendiar todo o Cairo. Frente a frente, duas escolas do futebol egípcio e duas facções sociais. De uma lado um clube nacionalista, do outro um clube que desde a sua criação, onde o primeiro presidente foi o belga Sir Merbach, sempre se abriu para o estrangeiro. Os dois gigantes defrontam-se desde há 90 anos. Ao longo dos tempos, disputaram-se muitos derbys. O primeiro confronto foi em 48/49 e terminou empatado (2-2), mas como último grande destaque está a repetição de uma esmagadora goleada já lograda, em 2002, pelo Al-Ahly: 6-1!, tornado Manuel José num verdadeiro herói.

FIGURAS

AL-GOHARI (AL AHLY)

GRANDES «DERBYS» DO FUTEBOL MUNDIAL27Como jogador, foi um médio que fez furor no Al-Ahly, onde entrou em 1955, com 17 anos, conquistando 5 títulos de campeão, mas uma lesão no joelho, obrigou-o a acabar a carreira aos 28 anos. Em 77 voltou para o treinar, conquistando, em 82, a primeira Taça dos Campeões Africanos da sua história. Em 88, após abandonar a selecção, ingressou no Zamalek. Apesar de se ter transferido para o grande rival, os adeptos do Al-Ahly continuaram a vê-lo como um herói, o único homem a conseguir a união entre governo, federação e os dois maiores clubes egípcios, directores e adeptos.

HOSSAM HASSAN (ZAMALEK)

GRANDES «DERBYS» DO FUTEBOL MUNDIAL18O faraó goleador construiu a sua forma no Al-Ahly, entre 85 e 99. Marcou 9 golos em jogos entre Al-Ahky e Zamalek, record absoluto. Saiu em 99, andou pela Grécia e Suíça, regressou ao seu Al-Ahly, mas em 2000 quando causou sensação ao transferir-se para o velho rival Zamalek. Muitos adeptos reagiram indignados. Depois de uma vida no Al-Ahly, encerrava a carreira no visceral rival. Foi, com Abdel Hamid, um dos dois únicos jogadores a marcar golos no derby por clubes diferentes

HISTORIAL (jogos da Liga egipcia)

  • Jogos: 91 Vitórias do Al Ahly: 32 Vitórias do Zamalek: 23 Empates: 55

 

GRANDES «DERBYS» DO FUTEBOL MUNDIAL29

Chamam-lhe o derby Old Firm, designação que atravessou o tempo e teve origem em inícios do século XX, devido à capacidade de, num tempo em que o football ainda dava os primeiros passos, ambos os clubes já atraírem grandes multidões e, talvez antecipando uma era de loucura contemporânea, já gastarem e gerarem muito dinheiro, em contraste com o Queen`s Park, o grande clube escocês do Séc. XIX, que perderia assim o seu domínio com o emergir dos gigantes de Glasgow. Com o passar do tempo, o confronto entre os dois históricos emblemas da velha capital escocesa transformou-se, também, num choque político e religioso. De um lado, o Celtic clube dos católicos. Do outro, o Rangers símbolo dos protestantes, pelo qual foi fundado. Com a subversão da vizinha Republica da Irlanda contra o domínio do Império inglês, os adeptos do Celtic, na sua maioria irlandeses, tornaram ainda mais feroz a sua rivalidade com os supporters do Rangers, maioritariamente devotos de Sua Majestade. Durante 70 anos, o Rangers fez inclusive questão de nunca contratar um jogador católico.

A excepção surgiria em 1986, quando, já com Souness como treinador, o Rangers decidiu contratar o ponta-de-lança Maurice Johnston, um goleador escocês de religião católica e que, épocas antes, jogara no Celtic. A contratação suscitou grande divisão no clube, mas na hora do derby, as paixões continuaram imutáveis, apesar de no presente ambos os clubes entrarem em campo com muitos jogadores estrangeiros. Históricos dominadores do futebol escocês, apenas por quatro vezes, nos últimos 45 anos, o título fugiu a estas duas equipas (um para o Dundee e três para o Aberdeen de Ferguson, nos anos 80). Em 109 campeonatos disputados, o Rangers venceu 51 e o Celtic 39. A grande época do Celtic sucederia por obra do mítico Jock Stein, um treinador que revolucionou o futebol escocês nos anos 60 e 70, conquistando a Taça dos Campeões Europeus em 1966. A única ganha por clubes escoceses em toda a história. Rezam os registos que o primeiro confronto deu-se a 28 Maio de 1888, e o Celtic venceu por 5-2. 128 anos de grandes emoções que se repetem em todos os jogos, mesmo numa época em que, como agora, os clubes se defrontam quatro vezes por temporada.

HISTORIAL (todas as competições)

  • Jogos: 339 Vitórias do Rangers: 147 Vitórias do Celtic: 132 Empates: 90

FIGURAS

DALGLISH (CELTIC)

GRANDES «DERBYS» DO FUTEBOL MUNDIAL30102 vezes internacional pela Escócia, Dalglish entrou no Celtic, descoberto por Stein, um ano após o titulo europeu de 6x. Seriam dez anos inesquecíveis. Em 77 rumou ao Liverpool. Foi dos jogadores britânicos tecnicamente mais evoluídos de sempre, com golos fantásticos, remates em arco, e outros gestos de rara beleza plástica. Sempre com o nº7 nas costas, introduziu a arte nos relvados escoceses dos anos 70.

McCOIST (RANGERS)

GRANDES «DERBYS» DO FUTEBOL MUNDIAL31O maior goleador da história do Rangers, pelo qual, contabilizando todas as competições, marcou 421 golos! Fez carreira entre 82 e 98. Passou dois anos em Inglaterra, no Sunderland, mas de imediato regressou, saudoso da atmosfera de Glasgow e dos fanáticos derbys da Old Firm, onde McCoist deixou muitas marcas nas redes do Celtic. Um caçador de golos que é um símbolo dos protestantes.