ISABELINO GRADIN

16 de Junho de 2005

Conta-se que quando em 1916, na primeira Copa América da história, o Uruguai venceu o Chile por 4-0, os chilenos protestaram o jogo porque os uruguaios tinham alinhado dois africanos. Eram os negros Gradín e Delgado, bisnetos de escravos, mas que, filhos de emigrantes, já tinham nascido na América do Sul. Nesse tempo, o Uruguai era o único país do mundo que alinhava jogadores negros na sua selecção. De todos, a lenda adoptou Gradín, que se estreou no Peñarol em 1915, como o grande driblador, um saltimbanco malabarista veloz como uma gazela, que fora também campeão sul americano dos 400 metros.

Fez parte de uma fabuloso ataque com Campolo, Chery e Piendibene que sempre que o via entrar na área em corrida com a bola, saia do caminho e só dizia: Por favor, entra Isabelino... Gradín tinha sempre a cara de quem comera o pão duro de ontem. Fisicamente era um monte de ossos, perfil de velocista, que inspirou o poeta peruano Juan Parra del Riego, a dedicar-lhe um poema, intitulado Pilirritimo al jugador de fútbol, onde a certo ponto se pode ler:

Passas um, dois, três.. quatro... sete jogadores...
A bola ferve num ruído seco e surdo de metralha,
se revolve numa epilepsia de cores campeão,
e já estás frente á área, com o peito... a
alma... o pé... e
és remate que numa tarde azul explode como um cálido balázio que leva a bola até á rede.
Palomares! Palomares!
Dos cálidos aplausos populares...
Gradín, embolo, música, bisturi, tubarão
Gradín! Rouba o relâmpago do teu corpo incandescente que hoje me rompeu em mil cometas de uma louca elevação