KOPA

16 de Junho de 2005

Recuando no tempo e olhando a história francesa, é tentador parar no ano de 1958 e assistir á chegada ao poder de um homem que dizia trazer consigo uma certa ideia de França, capaz de forma destemida e altiva, devolver ao País de Napoleão a sua aura mundialista. Viviam-se então os primeiros dias da presidência do General Charles de Gaulle. No mesmo ano, porém, outro homem, dentro de um rectângulo verde, honrava a vocação expansionista gaulesa: Raymond Kopa, então eleito o melhor jogador europeu da época, numa altura em que já passeava a sua classe no Real Madrid.

A sua primeira aparição na alta roda do futebol francês remonta, porém, ao inicio da década de 50. Na altura, em plena preparação para a saison 51/52, a noticia não provocara grande impacto: O Stade Reims acabara de contratar, por 1 200 000 francos, uma boa soma na época, um jovem avançado, com 19 anos, de origem polaca, que desde há dois anos jogava no SCO Angers: Raymond Kopaszwski, por todos tratado, para facilitar, como Kopa. Apesar de jovem, já sentira na pele a dureza da vida, nas profundezas de Nouex-les-Mines, quando perdera, num acidente de trabalho, no fundo de uma mina, a falange de um dedo. Num tempo em que o perfume dos dribladores ainda encantava o mundo do futebol, o seu talento técnico seduzira o presidente do Stade Reims

KOPAKopa, era um maitre a jouer, como dizem os franceses, cativados pela beleza da sua finta curta, o chamado drible crochet, temperado com grande visão de jogo e capacidade de passe. Com este estilo, sentia-se mais confortável quando inserido num jogo apoiado, com a bola de pé para pé. Foi Batteux quem entendeu melhor a minha forma de jogar: "Quando em Reims, a critica começou a dizer que eu me agarrava demais á bola, ele saiu em minha defesa e ameaçou-me de tirar-me da equipa se eu...parasse de driblar. Tinha percebido que o drible era a minha arma essencial", recorda Kopa. Fora dos relvados, foi um percursor, como presidente do sindicato, na luta pelos direitos dos jogadores.

Num tempo em que os jogadores eram olhados de lado, causou sensação ao afirmar que o futebolista é um escravo da sua profissão e isso tem de acabar. O futebol aos futebolistas. Era a luta pelo fim dos contratos sem termo que então vigoravam e prendiam os jogadores eternamente aos clubes durante todo o tempo que os dirigentes o entendessem. Em 1970, foi o primeiro futebolista, depois dele só Platini, a receber a suprema medalha da Legião de Honra, símbolo máximo do reconhecimento da pátria gaulesa aos seus grandes filhos.

CARREIRA:

SCO Angers (Francia), 1949 a 1951.

Stade de Reims, 1951 a 1956.

Real Madrid, 1956 a 1959.

Stade de Reims, 1959 a 1967.

TITULOS:

3 Taças dos Campeões europeus (Real Madrid, 1957,58 e 59).

2 Ligas espanholas (Real Madrid, 1957 e 58).

4 Ligas Francesas (Stade de Reims, 1953, 55, 60 e 62).

1 Copa Latina (1957, Real Madrid).

BOLA DE OURO - Melhor jogador europeu do ano. 1958.

Internacional pela França 45 vezes, 17 golos.