LEÔNIDAS

16 de Junho de 2005

Leônidas da Silva, foi a grande estrelas da selecção brasileira de 1938. Um símbolo da nação canarinha, avançado centro, acrobático, expressão de arte, rebeldia e criatividade. Se pensarmos na génese artística dos negros que fizeram grande o futebol canarinho, Leônidas, simboliza, sem dúvida, mais, essa imagem. Como diria Gilberto Freyre, Leônidas teria sido a primeira grande expressão de um futebol emancipado das suas origens britânicas e aristocráticas, ele sim era o verdadeiro futebol brasileiro. De estatura pequena, 1,65m. de altua, mas com uma agilidade prodigiosa, era o homem borracha jogando futebol. Se dividirmos o futebol brasileiros em três fases distintas de evolução, podemos concluir que Friedenreich foi o herói da fase amadora, Leônidas o herói da era romântica e Pelé o herói da fase do profissionalismo.

Diz-se que ele foi o inventor do pontapé em bicicleta, mas na verdade tal não corresponde á realidade. Onde o gesto nasceu pela primeira vez foi no Chile, e por isso em Espanha e em todos os países da América Latina ainda se chama chilena ao gesto. O seu inventor foi, em 1927, o avançado David Arellano, jogador do Colo Colo, que, anos depois, traria o gesto malabarista para a Europa, numa digressão pela Espanha. Disse-se então que isso era normal no Chile, e que até teria sido num campo do porto chileno de Talcahuano que, tempos antes, um jogador chamado Ramón Unzaga a teria feito pela primeira vez. A acrobacia causou tanta admiração em Espanha que Arellano logo lá ficou a jogar no Valladolid, mas após marcar vários golos suspenso no ar, de costas para a baliza, acabaria por morrer, no estádio do Valladolid, após um violento e fatal choque com um adversário. No Peru, chamam a essa jogada Chalaca, porque defendem ela ter sido inventada por um jogador peruano do Chalaca FC. Na Argentina e no Equador chama-se Tijera. No Brasil, onde ganhou o nome de Bicicleta, antes de Leônidas, já Petronilho de Brito, irmão de Valdemir de Brito, o descobridor de Pelé, executara esse gesto mirabolante.

LEÔNIDASUma coisa, porém, é certa, ninguém as executava com tanta perfeição e beleza como Leônidas e seria ele, num tempo em que as comunicações começavam a nascer, a torná-la famosa e todo o mundo. "Nem lembro quando marquei o primeiro golo dessa maneira, mas posso garantir que fazia a jogada desde menino", confessou anos depois.

Era um génio do mais puro futebol da rua. A prová-lo, no Mundial de 38, no jogo contra a Polónia, disputado sob forte chuva e com o campo enlameado, resolveu a certo ponto tirar as botas e jogar descalço porque assim, dizia, jogaria mais confortável. Ao perceber, o árbitro obrigou-o a calcar as chuteiras novamente, cumprindo as regras, mas se fosse possível, Leônidas preferiria jogar sempre descalço. O passar dos anos iria minar porém a vitalidade do Diamante Negro.

A sua velhice seria passada, internado num lar, com a terrível doença de Alzhaimer. Conta sua mulher que muitas vezes, nos últimos anos de vida, acreditou que por breves instantes ele ainda se lembrou de quem era, pois uma vez, quando caminhava amparado num dos corredores, disse em voz tremula e baixa: “Eu sou o Leônidas”. É, de tudo sempre resta um pouco, como diria Drumond.

CARREIRA

CLUBES ONDE JOGOU:

  • São Cristovão Bom Sucesso, 1930 a 1932.
  • Peñarol-Uriguai, 1933.
  • Vasco da Gama, 1934.
  • Botafogo, 1935 a 1936.
  • Flamengo, 1936 a 1942.
  • São Paulo, 1943 a 1950.

TITULOS

  • Campeão Carioca no Vasco, 1934.
  • Campeão Carioca no Botafogo, 1935.
  • Campeão Carioca no Flamengo, 1939.
  • 5 Campeonatos paulistas com o São Paulo, 1943, 1945, 1946, 1948 e 1949.
  • Vice Campeão do Mundo/ 1938.
  • Melhor marcador com oito golos no Mundial de 1938.