PUSKAS

11 de Dezembro de 2006

Partiu esta madrugada deste mundo, um dos melhores jogadores de todos os tempos. Ferenc Puskas. Recordar a sua vida e carreira é como fazer uma viagem a um tempo onde fazia sentido sonhar e lutar. Cruzou ambos os sentimentos, porque, como ele mesmo disse um dia: "Para mim, o futebol foi mais do que a própria vida!"

Nascido em Budapeste, em 2 de Abril de 1927, no bairro de Kispest, Ferenc Puskas, de ascendência alemã, cresceu desde menino junto ao campo de futebol do Kispest AC, onde começou muito novo a dar, sempre acompanhado o seu grande amigo Bozsik, os primeiros toques na bola calçando chuteiras, nessa altura pesadas demais para o seu tamanho.

Com 16 anos, em 1943, estreou-se na primeira equipa, já na Iª Divisão húngara, sob as ordens de seu pai, que foi treinador do Kispest até perto dos anos 50, data da sua morte. Em 1945, com 18 anos, foi, pela primeira vez, internacional pela Hungria, contra a Áustria. Intregrado, a partir de 1949, no grande Honved, tornou-se em pouco tempo, uma grande estrela do futebol magiar, então a viver a sua idade de ouro. Chamavam-lhe o Major Galopante, porque sendo o Honved a equipa do exército todos os seus jogadores eram oficialmente militares e Puskas tinha, artificialmente, a patente de Major.

Em toda a sua carreira, fez 84 jogos e 83 golos pela Hungria, sagrando-se campeão olímpico em 1952 e vice campeão do mundo em 54. O seu futebol tinha duas grandes armas: velocidade e um pé esquerdo fabuloso. Quando os tanques soviéticos esmagaram Budapeste, Puskas decidiu não regressar, seguindo para Vienna, onde se reuniu com a sua família que então fora ter com ele. Inclemente, a FIFA, pressionada pela Federação húngara aplicou-lhe um castigo de 18 meses sem jogar. Quando terminou o castigo, em Julho de 1958, Puskas estava com 31 anos e tinha engordado 18 quilos. Os grandes clubes não se interessaram pela sua contratação. Foi então que surgiu o Real Madrid.

A MARCA DE PUSKAS, EL CAÑONCITO

PUSKASConta Gento, uma das estrelas dessa fabulosa equipa merengue, que a intenção de contratar Puskas nascera já um ano antes quando durante o caminho para a final da época 57/58. O jogo com o Vasas de Budapeste para a meia-final tinha terminado há pouco. A superioridade do Real fora clara (4-0). No balneário, enquanto os jogadores festejavam, entrou o húngaro Csordas que, depois de felicitar todos pelo triunfo, disse que, sim senhor, o Real Madrid era formidável, mas que o Honved era superior e que, desde logo, Puskas era melhor que Di Stefano. Don Santiago Bernabeu ouviu, mas não se preocupou muito em resolver a questão de saber quem era, de facto, o melhor. Poucos meses, depois, Puskas assinava pelo Real Madrid. Reza a história, porém, que Bernabéu hesitou muito antes de o contratar. Valeu, na altura, que o secretário técnico do Real era o húngaro Emil Osterreicher, antigo director do Honved, que o convenceu de que Puskas, apesar de já ter 31 anos e uns quilos a mais, continuava um grande jogador, capaz, ainda, de fazer muitos golos. Assim foi.

Em Madrid, Puskas, entre 1958 e 1966, fez 372 jogos e marcou 324 golos, sendo 5 vezes campeão espanhol e 3 vezes campeão europeu. Entre a Hungria e a Espanha, de 1943 a 1966, apontou 511 golos em 533 jogos oficiais. Naturalizou-se espanhol e alinhou pela Selecção da Espanha em 4 jogos do Mundial-62, ficando então conhecido como Pancho Puskas, El Cañoncito. Retirou-se dos relvados com 39 anos. Esteve 25 anos fora da sua Hungria. Regressou em 1991. Foi recebido como um herói pelo povo e pelos seus antigos companheiros do Honved, onde já não estava o amigo de infância Bozsik, morto em 1978 e que ao contrário dele regressara depois do jogo de Bilbao. Fez um jogo de exibição com a camisola magiar e sentiu-se nascer de novo. Em sua honra, o Kispest retirou do onze, em 2000, a camisola nº10, que será de Puskas para a eternidade. Um sentimento que o faz hoje confessar, com 74 anos, que para ele o futebol foi mais do que a própria vida.

HISTÓRIAS DE PUSKAS (I)

PUSKAS1O ano de 1971 marcou o inicio da lenda de Cruyff. Em Wembley, o Ajax vencia o Panathinaikos e conquistava a sua primeira Taça dos Campeões Europeus. No entanto, apesar do talento de El Flaco, para muitos que estiveram presentes a principal memória reporta aos minutos antes do jogo, onde, durante cerca de meia hora, o relvado fora pisado por um mago de outras eras, Puskas, pois claro, ao tempo treinador do campeão grego, que durante o período de aquecimento ao guarda redes Ikonomopoulos deslumbrou as bancadas repletas com um festival de remates fora da área que terminavam invariavelmente no fundo das redes. Para muitos foi aí que o Panathinaikos começou a perder o jogo, como mais tarde o próprio guarda redes helénico admitiria num desabafo: se levo golos do velho, o que me espera frente a Cruyyf, Kaiser, Muhren e companhia? Nesse tempo, o major galopante, já tinha 44 anos mas continuava, como até hoje, a passear o mesmo porte com o cabelo reluzente cheio de brilhantina.

HISTÓRIAS DE PUSKAS (II)

Conta Best, no seu livro As minhas histórias de futebol favoritas, que quando há anos foi com outras estrelas do passado visitar uma escola de futebol, notou que um dos grupos de miúdos resmungava com a sua sorte: Com tantos craques logo a nós nos havia de calhar este velho gordo e baixote. Best reparou, chamou tal figura e pediu-lhe para, diante da plateia, matar a bola no peito e, a cerca de 30 metros da baliza, chutar á barra. Dito e feito. Repetiu o truque uma e outra vez. Depois, quando lhe pediu, parou a bola no calcanhar, levantou-a suavemente e, com um tiro colocado, colocou-a no baliza mesmo junto ao ângulo.
Num ápice os miúdos ficaram boquiabertos. Mas nem sabemos o seu nome, Coach!, disse um míudo. De dedo espetado, Best olhou para o petiz futeboleiro e disse-lhe com solenidade: Eu, posso-o tratar por tu. Para vocês, ele é Mister Puskas!

TITULOS

3 Taças dos Campeões no Real Madrid
Campeão Olimpico pela Hungria: Helsinquia 52
5 Ligas de Hungría com o Honved
6 Ligas Espahiolas com o Real Madrid
1 Taça Intercontinental no Real Madrid
1 Taça de Espanha no Real Madrid
84 vezes internacional com Hungría
4 vezes internacional com Espanha