STANLEY MATTHEWS

16 de Junho de 2005

Condecorado por sua Majestade como “cavaleiro”, adquirindo o titulo de “Sir”, Stanley Matthews, só pendurou as pesadas botas, que no inicio dos anos 60 se tornaram mais leves, quando corria o ano de 1963 e envergava a camisa do Stoke, o clube da sua vida. Completara 50 anos há cinco dias.

Conta-se que o homem que ganhou a alcunha de feiticeiro, apenas jogava do meio campo para a frente e que quando embalava pelo seu corredor parecia desenhar estranhos movimentos com a bola escondida entre os pés, tocando-a com os calcanhares, banboleando em frente aos opositores, que hipnotizados pela magia branca do feiticeiro da “Velha Albion” nunca entendiam a sua arte, que terminava quase sempre com um cruzamento enroscado, para o que hoje se chama a “zona de ninguém”, á espera de que algum “striker”, solicito, a encaminha-se para o aconchego das redes. As suas jogadas eram obras de arte embrulhadas pelos seus pés, os seus dribles pareciam nós de marinheiro impossíveis de desatar, os seus centros eram convites para a festa dos golo, só faltava o convidado aceitar a opípara envitação e tornar real o sonho do cavaleiro de Stoke. Nenhum outro ser terreno adquiriu semelhante aura de imortalidade.

ESTANLEY MATTHEWSm 1930 começou no Stoke com um salário de uma libra por semana. Em 1947 rumou para o Blackpool, mas seria em 1961 que o seu nome causaria sensação no mercado de transferências quando, já com 47 anos, regressou ao seu Stoke, então na II Divisão, por 2.800 libras, cerca de 225 contos. Com Matthews o clube retornou á Liga principal e o Victoria Ground voltou a encher-se de público. Dizia-se que só a presença de Sir Mathews garantia pelo menos mais 10 mil espectadores nas bancadas. Quando em 63 abandonou os relvados britânicos ganhava 50 libras por semana mas o seu nome continuava a arrastar uma incomensurável legião de adeptos.

Para cá da mancha, no continente, a sua auraSTANLEY MATTHEWS2 mítica, génio imortal, ganhou contornos de lenda. Nascido na pátria do futebol, por quem com o escudo real ao peito, Mas para os ingleses nada se compara a uma final da Taça de Inglaterra. Nem um Mundial significa tanto para os corações futebolísticos britânicos do que a mais antiga competição do mundo que viu a luz do dia pela primeira vez em 1872. Seria nesse palco, na catedral de Wembley, que Matthews realizou a sua mais memorável exibição com a cor azul do Blackpool, quando, a dez minutos do fim o Bolton vencia por 3-1. Foi então que o feiticeiro colocou o seu talento em ebulição e, pelo seu corredor, inventou três golos, virou o jogo, ganhou a Taça e tomou em suas mãos as chaves do Olimpo do futebol. Corria o ano de 1953 e Matthews tinha já 36 anos.

Quando do cimo da montanha dos cinquenta pendurou as botas, resolveu viver longe do clamor das multidões e refugiou-se com sua mulher na Ilha de Malta, numa vila mediterrânica, perto de uma pequena aldeia de pescadores, curiosamente chamada “Horas Idílicas”. Passava os dias a pescar, olhando o mar, emoldurando memórias, descansando o corpo, acariciando a alma. Estava tudo posto em sossego quando em 1970 o Hibernians, campeão maltês, se preparava para receber o poderoso Real Madrid.

O jogo frente ao gigante espanhol colocara toda a Ilha em alvoroço. Ansiosos, os dirigentes malteses procuravam encontrar formas de combater o poderio castelhano. Foi então que decidiram falar com o hóspede inglês. O apelo da bola e o cheiro a relva e couro num ápice convenceram Mathews que logo aceitou o convite, reforçado com preciosos conselhos tácticos, fruto de anos a fio a conviver com vários mestres da bola. O jogo terminou 0-0, ou seja, com uma grande vitória do Hibernians, o último clube da carreira do feiticeiro que nos últimos dias trocara o nevoeiro britânico pelo sol meditterânico. Nos tempos seguintes, Mathews voltou a repetir a experiência, até que um dia deixou Malta e rumou para a África do Sul.
Para trás ficara um universo de sensações fantásticas, must de magias futebolísticas que assombraram Sua Majestade. Hoje, de regresso á sua pátria, vive sereno na capital das porcelanas: Stoke, que, numa das principais praças da cidade, ergueu um estátua em sua homenagem. O velhinho Victoria Ground, onde viveu tantas tardes de glória é agora propriedade de um banco. O futebol actual não o entusiasma. Diz ser muito fechado. No seu tempo jogava-se mais aberto e “sem medo de prejuízos financeiros porque então o futebol não obedecia só às regras de mercado...”

CARREIRA

  • Stoke City. Blackpool (1931 a 1965.)
  • BOLA DE OURO - Melhor jogador europeu do ano, 1956 (tinha 41 anos!)
  • TITULOS: 1 Taça de Inglaterra com o Blackpool, 1953.