ZICO

16 de Junho de 2005

Conta-se que quando garoto foi treinar pela primeira vez ao Flamengo, o ex-jogador Modesto Bria, treinador das camadas jovens do clube da Gávea, franziu os olhos quando viu, junto ao campo, um miúdo de 14 anos mas que parecia ter só 12, tão magrinho, quase raquítico, com 1,45 m. de altura, dentes tortos e ombros caídos, pedindo para jogar entre os bem nutridos e grandões míudos de Bria. Só entraria a dez minutos do fim do treino de captação, quando o treinador já mal olhava para o campo.

Foi então que aquele monte de ossos, tocou na bola pela primeira vez e logo ai a colocou por entre as peras do seu marcador, um negrinho forte, deixando-o caido no chão. Em seguida, inventou mais alguns lances de igualk nível e Bria abriu os olhos de espanto. Com era possível? Nesse preciso instante nascia o melhor jogador brasiliro dos anos 80, Artut Antunes Coimbra, o Zico. Coube ao preparador físico José Roberto Francalacci, a dura tarefa de fortalecer os seus músculos.

Foi submetido a uma dieta especial, enfrrentou duros treinos de resistência fisica, tratou dos dentes, ganhou peso, aos 17 anos já tinha 59 quilos e media 1,72 m., ergueu os ombros e fez-se craque de corpo inteiro. A 21 de Julho de 1971, fazia a sua estreia na primeira equipa do Flamengo, entrando no lugar do seu grande ídolo, Dovai. “É mentira que para jogar futebol se tenha de ter nascido um atleta”. O treinador que o lançaria na selecção seria Osvaldo Brandão, no Uruguai.

ZICODesde que Pelé abandonará o futebol o Brasil carpia a mágoa de ainda não ter descoberto um génio igual, capaz de lhe continuar a garantir as mesmas conquistas. No final dos anos 70, uma nova estrela emergia na relva da Gávea: Zico, o Galinho de Quintinho, o bairro onde nascera.. No momento da sua explosiva aparição muitos não tiveram dúvidas a chamá-lo de Pelé branco.

Durante o Mundial-78, ele foi o principal motivo de constestação ás opções de Coutinho que já conhecia Zico de ser seu treinador no Flamengo. A nova grande estrela do futebol brasileiro vinha arrastando uma série de problemas musculares, mas mesmo em condições, o seleccionador teórico hesitava muito em lhe entregar as chaves do meio campo. Zico era um poeta, um digno representante da dinastia do futebol arte

O seu futebol era de cristal. Os seus golos eram tão bonitos que até os cegos lhe pediam: “Zico, por favor, conte-me esse golo!”.

Sempre com o nº10 nas costas, Zico tornou-se no grande amor da torcida do Flamengo, pelo qual se sagrou campeão brasileiro em 89, 82, 83 e 87. Tratava a bola como uma amiga e marcava livres de rara beleza: “A verdade é que eu estava aprendendo sempre. No inicio já rematava bem, mas só para um dos postes, o da direita do guarda redes. Depois, treinei muito e aprendi a dar á bola o efeito contrário e mete-la no poste direito, o lado esquerdo do guada redes. Foi dificil. Estive um ano inteiro todos os dias no final dos treinos durante horas até que adquiri a perfeição”. Em toda a sua carreira Zico só perderia dois jogos dos que disputaria pela Selecção Brasileira mas nunca se sagrou campeão mundial.

CARREIRA

  • Flamengo, 1971 a 1983.
  • Udinese, 1983 a 1985.
  • Flamengo, 1985 a 1989.
  • Kashimna Antlers , 1991 a 1994.

 

TITULOS

  • 1 Taça intercontinental no Flamengo, 1981
  • 1 Copa Libertadores no Flamengo, 1981.
  • 3 Campeonatos Brasileiros no Flamengo, 1980, 1982, 1983.
  • 7 Campeonatos cariocas no Flamengo, 1972, 1974,1978, 1979, 1981 e 1986.
  • 1 Copa União (Campeonato brasileiro), 1987.
  • 2 vezes melhor goleador do Campeonato brasileiro, 1980 (21 golos), e 1982 (21 golos).
  • 3 vezes nomeado Melhor jogador da América do Sul em 1977, 1981 e 1982
  • 6 Copas Guanabra com o Flamengo, 1972, 1973, 1978, 1982, 1988 e 1989.