Espanha: Lutando pelo seu estilo

29 de Março de 2016

É dramática ver a luta de Del Bosque para que a Espanha mantenha o seu estilo de jogo. Ideologicamente, continuam sem dúvidas do que querem (por isso, Diego Costa, o nº9 que não encaixa no estilo, caiu do onze) mas é cada vez mais difícil operacionalizar a ideia porque os interpretes mudam e, no limite, algumas opções acabam por trair o estilo.

Sucedeu em Itália, onde, passando por três sistemas diferentes, começou em 4x3x3 com Morata aberto na esquerda e Aduriz (o nº9 que está a marcar golos e que cedeu a chamar pela segunda vez na carreira aos 35 anos) a ponta-de-lança, a equipa deixou de ter jogo posicional de circulação e toque interior apoiado como sempre teve. Conseguia-o, a espaços, no meio-campo, mas sem ganhar, depois, profundidade.
Faltou Busquets e surgiu um duplo-pivot (San José-Fabregas contra a Itália, Sergi Roberto-Koke contra a Roménia, embora aqui já em 4x2x3x1). Neste sistema, juntando mais linhas a meio-campo e dando a faixa do ataque a um ala (Pedro) ou quem saiba vir para dentro jogar (Mata, Isco) melhorou a distribuição posicional, mas longe de resgatar o “estilo de toque/construção apoiada”.

italia-espanaO regresso de Iniesta (e Busquets) será fundamental para revitalizar a essência. Outras duvidas são saber até onde pode crescer a influência de Tiago como médio-protagonista desse estilo e o que dará Fabregas (um jogador que deixou a carreira cair numa indefinição de jogo e posição). A outra chave para pegar no estilo é fixar no meio quem o melhor pode pensar: Silva. Trata-se de reciclar o estilo com outros protagonistas.