Esquecer que somos pequenos

14 de Março de 2016

A dita equipa “pequena” é quase sempre um ator secundário que as análises menorizam quando um “grande” inesperadamente treme (ou cai mesmo) perante elas. O União de Norton de Matos tem sido um “especialista improvável” desses intrigantes “filmes de futebol” esta época. Todos têm tido o argumento comum da sua organização atrás da linha da bola, baixando o bloco por vezes quase até se “pendurar na baliza”, mas sempre lúcido do que fazer nesse momento defensivo em que tem de viver.

No Dragão, porém, a esse plano base acrescentaram outra noção do contra-ataque, não tanto pela transição rápida, mas sim pela forma como se movimentava nos últimos 30 metros. Uma mobilidade que cresceu após sofrer o 2-0 com a entrada do ponta-de-lança Cádiz (enorme a evolução técnico-táctica deste miúdo venezuelano desde que o vi na pré-época) e passar o até então falso 9 Toni Silva para as suas costas, ocupando um espaço até então vazio. Ninguém no onze portista deu importância a estas mudanças (deixou o jogo “partir”) e sobretudo também à entrada dum ala não só habilidoso no um-para-um (como Amilton) mas inteligente e rápido a entrar nos espaços vazios em diagonais (Danilo Dias).

O mais irónico foi, após o 2-2, Norton não ter reforçado a defesa (o FC Porto passara a dois pontas-de-lança), manter o esquema, deixar o jogo “partido” e perder quase esquecendo-se que era uma equipa... “pequena”. Ganhou na intenção e mostrou que tem muito mais vida para além do bloco-baixo e que é essa que a pode salvar de descer.