ESQUEMAS TÁCTICOSDAS 15 SELECÇÕES APURADAS PARA O EURO-2004

13 de Janeiro de 2004

As outras quinze selecções apuradas para a fase final do Euro-2004, já exibem, em face do demonstrado durante os jogos de qualificação, um sistema táctico praticamente definido, no qual assentam a sua filosofia de jogo, embora, cada qual, sujeito a dinâmicas diferentes, em função do adversário e dos jogadores ao dispor.O sistema dominante é o 4x4x2 e suas variantes, imperando o 4x3x1x2 como principal referência entre as selecções de topo: dois avançados, um médio playmaker com estilo de segundo avançado que entra de trás e um ala ou extremo para flanquear o jogo. Um design mais ofensivo que contribui para o aparente declínio do conservador 4x2x3x1, enquanto que o 3x5x2 é adoptado apenas por Croácia e Grécia.

FRANÇA

ESQUEMAS TÁCTICOSDAS 15 SELECÇÕES APURADAS PARA O EURO 2004Treinador: Jacques Santini Sistema táctico preferencial: 4x4x2 (variante 4x2x2x2) Alternativa: 4x1x3x2 Vencedor do Mundial-98, em 4x3x2x1, e do Euro-2000, em 4x2x3x1, a França depois de falhar no Mundial 2002, jogando em 4x3x1x2, passou, com Santini, a esquematizar-se num 4x4x2 mais clássico, desenhado, na dinâmica da táctica, numa espécie de 4x2x2x2, escalando o meio campo em duas linhas: dois médios defensivos (Makelele-Vieira) e dois médios ofensivos, um ala (Wiltord ou Pires), sobre um dos flancos, e, no centro, um organizador de jogo, o nº10, Zidane, atrás da dupla de pontas de lança Trezeguet, em cunha entre os centrais, e Henry, que rasga desde a esquerda, flanco no qual se esconde, recuando muito até á linha do meio campo, beneficiando e ao mesmo tempo colmatando a ausência de um médio-ala de raiz nessa zona do terreno. Com esse movimento, foge ás marcações e surge, depois, em corrida, na área, desiquilibrando as defesas contrárias.

Durante a fase de apuramento, porém, contra adversários mais fracos (Chipre e Malta) jogou por vezes só com um trinco, em 4x1x3x2, numa postura mais ofensiva que não se deverá repetir no Euro-2004. é, das grandes favoritas, a selecção que tem o modelo de jogo mais definido, dependendo sobretudo a sua eficácia (como desoladoramente se provou no Mundial-2002) da forma física em que as suas estrelas cheguem á fase final do
Euro-2004

ITÁLIA

ESQUEMAS TÁCTICOSDAS 15 SELECÇÕES APURADAS PARA O EURO 20041Treinador: Giovanni Trapattoni Sistema táctico preferencial: 4x3x1x2) Alternativa: 4x2x3x1 Neste momento, tacticamente, afastada que está a opção pelo 3x4x1x2, a Itália de Trapattoni encontra-se entre o 4x3x1x2 ou o 4x2x3x1, um dilema que, filtrado pelo eterno debate do Calcio entre colectivo e individualidades, resulta, sobretudo da tentativa de fazer coexistir no mesmo onze, os quatro grandes talentos ofensivos do actual futebol italiano: Del Piero e Totti, no meio campo, Vieri e Inzaghi no ataque. Nunca jogaram os quatro juntos. Durante a fase de apuramento, Trapatonni utilizou, preferencialmente, o 4x3x1x2, tendo para essa opção beneficiado, muitas vezes, das ausências, por lesão, de Totti ou Del Piero. Desta forma escalou quase sempre uma dupla de pontas de lança (Vieri-Inzaghi), tendo o 4x2x3x1, sido adoptado apenas em dois jogos (contra a Finlândia, casa e fora). Alicerçando o meio campo sobretudo na robustez defensiva da sua linha de médios de contenção (C. Zanetti-Gattuso-Perrota), o principal lacuna do onze, nesse sector, reside na falta de bons alas que alarguem o jogo pelos flancos.

A resolução deste problema surgiu através Juventus de Lippi, com a adaptação de Zambrotta a lateral esquerdo numa postura muito ofensiva, como um cursor de faixa que faz todo o corredor a defender e a atacar, e, no flanco direito, com a naturalização do italo-argentino Camoranesi, um ala destro com grande profundidade ofensiva. Dois flanqueadores que mais contribuíram para a solidificação do 4x3x1x2, com Totti trequartista atrás dos pontas de lança. A questão reside onde encaixar Del Piero. Junto a Vieiri na dupla atacante, ou no meio campo, sobre a direita, saindo Camoranesi e perdendo o onze consistência táctico-defensiva?

ALEMANHA

Treinador: Rudi Voller Sistema táctico preferencial: 4x3x1x2 Alternativa: 3x5x2 Historicamente a pátria fundadora do 3x5x2, a Alemanha de Voller converteu-se tacticamente ao 4x4x2, passando a jogar, preferencialmente, com uma clássica linha defensiva de quatro elementos. Em campo, o sistema esquematiza-se em 4x3x1x2, com a dupla ofensiva Klose-Neuville ou Bobic-Kuranyi, á frente de Ballack, médio organizador de jogo ofensivo, embora muitas vezes, fruto da sua vocação e forma de jogar no clube, recue demasiado no terreno, sobrepondo-se no raio de acção dos volantes defensivos (Jeremis-Ramelow). Nos flancos, há um claro desequilibro entre a faixa direita e a esquerda, faltando, nesta geração teutónica, médios esquerdinos de referência, acabando, assim, por serem o lateral (Lauth ou Rau) a fazem todo o sector a defender e a atacar.

Sobre a direita, surge Deisler, um talento que precisa de maior atitude competitiva, ou Schneider, um operário com disciplina táctica, ficando nas suas costas, o excelente lateral Hinkel, com o qual, muitas vezes, faz triangulações ofensivas que originam perigosa jogadas de envolvimento, á linha ou no bico da área. No jogo decisivo, contra a Islândia, Voller resgatou, no entanto, o velho 3x5x2. Jogou com a defesa a «3» (Freidrich-Ramelow-Worns), laterais ofensivos (Hinkel-Rahn), três médios centrais (Baumann-Schneider-Ballack) e dois pontas de lança (Bobic-Kuranyi). O esquema preferencial permanece, no entanto, o 4x3x1x2.

INGLATERRA

ESQUEMAS TÁCTICOSDAS 15 SELECÇÕES APURADAS PARA O EURO 20042Treinador: Sven-Goran Eriksson Sistema táctico preferencial: 4x4x2 (variante 4x2x2x2) Alternativa: 4x3x1x2 Sabiamente orientada por um fiel devoto do 4x4x2, a Inglaterra de Eriksson debate-se, porém, com um problema: a falta de extremos. Assim, alinhou, preferencialmente, a dupla atacante Owen-Heskey ou Rooney, ficando Beckham como playmaker central. Foi assim, que jogou, por exemplo, na Macedónia, com Heargreaves aberto na esquerda como o ala mais ofensivo. No segundo tempo, porém, face á ineficácia do sistema, colocou a dupla Heskey-Rooney no ataque, e Owen passou a penetrar pelos flancos. A produção de jogo subiu, mas a melhor solução ainda parece ser a utilização de Beckham no seu lugar original, como flanqueador da faixa direita, zona da qual os seus cruzamentos enroscados para a área, nas costas dos defesas, descobrem espaços e oportunidades de golo. Nesta opção, o médio centro mais ofensivo seria Scholes, ficando Lampard nas suas costas, como volante, distribuindo jogo.

A linha defensiva, sem imprevistos, é indiscutível: Campbell-Ferdinand centrais, Neville e Cole, laterais. Nos jogos decisivo, contra a Turquia, Eriksson, embora mantendo o 4x4x2, utilizou, em ambos os jogos (sem Owen) uma dinâmica táctica distinta que se estendeu em campo num 4x2x2x2 com duas linhas a meio campo: a defensiva, fechando a zona á frente da defesa com os agressivos Butt e Gerrard, e a ofensiva, entregando, depois de recuperada a bola, o traçar das coordenadas ofensivas a Beckham, que deambulava de flanco para flanco, e Scholes, mais sobre o centro, no apoio á dupla atacante Rooney-Heskey. O escasso jogo pelos flancos foi, porém, sempre uma constante. Para atenuar esse vazio, Eriksson conta sobretudo com as desmarcações de Owen ou com a entrada do veloz Vassel, um sprinter puro.

CROÁCIA

ESQUEMAS TÁCTICOSDAS 15 SELECÇÕES APURADAS PARA O EURO 20043Treinador: Otto Baric Sistema táctico preferencial: 3x5x2 (variante 3x4x1x2) Alternativa: 4x1x3x2 A única selecção a optar de inicio, preferencialmente, pelo sistema de três defesas, alternando depois, em face da posição e da dinâmica dos laterais, entre o 3x5x2 e o 5x3x2. Para chefiar o sector defensivo, dois nomes: Tudor e Robert Kovac, fortes no jogo aéreo, muito experientes, e com grande sentido posicional, aos quais se podem juntar Tomas ou Neretljak, dois centrais de marcação. Nas faixas, o jovem Srna, á direita, e Simunic, á esquerda, enquanto que o experiente Zivkovic pode jogar em ambos os flancos, embora o natural seja á direita No meio campo, mescla do velho estilo eslavo, técnico e agressivo, mas amante do drible e da bola no pé, expresso num futebol apoiado, dispõe de um excelente grupo de talentos com classe e carácter, no qual se destaca, á frente da defesa, o trinco Leko, um jogador nuclear no caso da equipa jogar no seu sistema alternativo, o 4x1x3x2.

Com vocação mais ofensiva, surgem Babic, sobre a faixa esquerda, Rosso, o médio centro, Niko Kocac, que pode jogar na esquerda ou no centro, e, como enganche com o ataque, Rapajic, um vagabundo que deambula entre linhas, variando de flanco ou jogando nas costas dos pontas de lança. Para a frente de ataque, uma dupla renascida: Prso-Sokota, dois jogadores que, com maior mecanização de jogo, podem combinar na perfeição. Prso é mais de área, muito forte nas chamadas segundas bolas e poderoso de cabeça. Sokota, do Benfica, é muito astuto nas movimentações, lutador e inteligente nas assistências, com boa precisão de passe. As outras soluções são o gigante Mornar, dono de um potente remate, e Olic, avançado centro do CSKA.

BULGÁRIA

ESQUEMAS TÁCTICOSDAS 15 SELECÇÕES APURADAS PARA O EURO 20044Treinador; Plamen Markov Sistema táctico preferencial: 4x4x2 Embora sem terem grandes jogadores como, no passado, Stoickov ou Balacov, a selecção da Bulgária de Plamen Markov construiu um dos mais consistentes e organizados, no plano colectivo, sistemas de 4x4x2 do actual futebol europeu, o esquema sempre utilizado, em todos os jogos, durante a fase de apuramento. A base do sistema começa na defesa, com a sólida dupla de centrais formada por Kirilov e Pazin, um dos três sérvios naturalizados da equipa. Nas faixas, destaque para o excelente lateral esquerdo Petkov, muito ofensivo. No meio campo, destacam-se dois nomes, cada qual no seu estilo.

A organizar jogo, o tecnicista Peev, que na selecção joga mais adiantado do que no Dinamo Kiev, e, como médio ofensivo, Stilian Petrov, do Celtic, um criativo. Na frente de ataque, o esguio ponta de lança Berbatov, sempre em cunha entre os centrais, tem o apoio, sobretudo, de Jankovic, outro sérvio naturalizado, e, como jogador mais explosivo do onze, fazendo por vezes recordar Stoichkov, o veloz Martin Petrov, um ala-extremo esquerdo com um poder de arranque quase imparavel.

DINAMARCA

Treinador: Marton Olsen Sistema táctico preferencial: 4x4x2 (variante 4x3x1x2) Alternativa: 4x3x1x2 ou 4x4x1x1 Entre os estilos de inspiração escandinava, a Dinamarca, é, claramente, o mais virtuoso, tacticamente desenhado num coeso 4x2x3x1, que muitas vezes, na fase ofensiva transforma-se em 4x3x3. Com a defesa sempre escalado na linha de quatro (Henriksen-Laursen, centrais, Jensen e Helveg, que também pode jogar no eixo, laterais) o meio campo tem o seu suporte defensivo, numa dupla de médios de contenção, formada por Poulsen, Gravesen ou Wieghorst, três volantes pouco imaginativos mas tacticamente exemplares na marcação e no primeiro passe na saída para o ataque, exímios no transporte da bola, jogando sempre simples. A segunda linha do meio campo, é composta pelos alas, ambos com grande profundidade ofensiva, muitas vezes parecendo, por isso, quase extremos, sobretudo Gronkjaer, á direita, muito veloz, enquanto Jorgensen, á esquerda, é um jogador mais cerebral, fazendo com que a equipa, sobretudo nas jogadas de contra ataque, se estenda numa espécie de 4x2x2x2.

Como enganche ofensivo, á frente do organizador de jogo Claus Jensen, plantado sobre a zona central, surge Tomasson, o jogador mais criativo da equipa, um regista do meio campo para a frente, também com faro de golo, pelo que muitas vezes joga até como segundo avançado, explanando-se então o onze numa espécie de 4x4x1x1. Lutando entre os centrais adversários, como ponta de lança clássico, o possante Sand, pouco dotado tecnicamente, faz da força um estilo.

ESPANHA

ESQUEMAS TÁCTICOSDAS 15 SELECÇÕES APURADAS PARA O EURO 20045Treinador: Inaki Saez Sistema táctico preferencial: 4x2x3x1 Alternativa: 4x3x1x2 Tacticamente, o debate em torno da Espanha de Inaki Saez centra-se, essencialmente, entre o 4x2x3x1 e o 4x3x1x2. Em termos individuais, o jogador cuja utilização ou não se debate é Valerón. Em tese, Saez prefere o 4x2x3x1, com a particularidade da base da ligação meio campo-ataque residir na acção dos médios ala ou extremos clássicos (Etxeberría, Joaquín, Vicente ou Reyes), renunciando, assim, ao clássico médio central playmaker, que seria, em esquemas de 4x3x1x2, o cerebral Valerón, o único nº10 de verdadeira categoria no actual futebol espanhol, pelo que joga e faz jogar. Durante a fase de apuramento, Saez alternou os dois sistemas. Nos últimos e decisivos jogos, logrou o apuramento jogando em 4x2x3x1, com Fernando Torres como ponta de lança, dois alas-extremos, e recuando Raúl para as suas costas. A entrada de Torres só urgiu, porém nesta fase final.

Antes, apesar da presença de nº9 como Morientes, Torres ou Tristán, optara por colocar Raúl na frente de ataque, o que, na prática, faz que jogue sem um ponta de lança clássico. Em 4x3x1x2, Raúl adianta-se para o lado de Torres e Valerón orquestra nas costas, entre linhas, á frente do imutável doble pivot formado por Baraja-Albelda ou Marchena. Neste sistema, porém, perde um ala clássico. Na defesa, o principal problema situa-se na lateral esquerda. Na fase de apuramento jogaram, nesse lugar, Raúl Bravo, Aranzábal e Juan Fran, acabando pela decisão final recair sobre a adaptação de Puyol, um destro que joga a central no Barcelona. Na direita, Michel Salgado é indiscutível. No centro, a dupla mais utilizada foi Helguera-Marchena (este também já jogou a trinco). Outras opções: Puyol-Helguera, Garcia Calvo-Marchena ou Marchena-César. Em nenhuma delas, o sector revelou grande segurança.

GRÉCIA

ESQUEMAS TÁCTICOSDAS 15 SELECÇÕES APURADAS PARA O EURO 20046Treinador: Otto Rehhagel Sistema táctico preferencial: 3x5x2 (variante 5x3x2) Alternativa: 4x4x2 Depois de um fraco inicio de campanha (com duas derrotas consecutivas, Espanha e Ucránia, 0-2), Rehhagel conseguiu revolucionar o onze grego através de uma metamorfose táctica de inspiração alemã, abandonando o 4x4x2 para passar a jogar em 3x5x2 (ou 5x3x2 conforme a dinâmica da táctica seja ofensiva ou defensiva), um sistema no pasado nunca utilizado pela selecção grega, no qual ganhou os seis jogos seguintes e logrou, assim, o apuramento directo. Enquanto jogou com a defesa a «4» dupla de centrais era Dallas-Dabizas. Uando passou para a linha de «3», juntou-se a eles Kapsis. Com esta mudança, cresceu de importância o papel dos laterais, subitamente mis ofensivos: Fyssas ou Venetidis, na esquerda, Seitaridis, na direita. A meio campo, Rehhagel concilia um trio de organizadores (Tsartas ou Bassinas) e desiquilibradores (Giannakopuolos e Karagounis).

Como pêndulo entre os dois estilos, o experiente Zagorakis. Para romper pelos flancos, as soluções derivam do movimento basculantes de Giannakopulos, na esquerda, e Kapsis, na direita. Como playmajker, emerge Tsartas, mas a sua produção de jogo só se torna decisiva quando o ritmo de jogo é essencialmente lento. No ataque a dupla será formada por Charisteas, ponta de lança clássico, alto, para jogar em cunha, e Nikolaidis ou Vryzas, jogadores mais móveis, exímios a entrar nos espaços vazios. Curiosamente, porém, no último jogo particular, contra Portugal, Rehhagel voltou a testar o 4x4x2. Qual será, no Euro-2004, o sistema eleito: 4x4x2 ou 3x5x2?

HOLANDA

ESQUEMAS TÁCTICOSDAS 15 SELECÇÕES APURADAS PARA O EURO 20047Treinador: Dick Advocaat Sistema táctico preferencial: 4x3x1x2 Alternativa: 4x2x3x1 ou 3x4x3 O inicio da fase de apuramento confirmou a preferência táctica de Advocaat pelo 4x4x2 com o meio campo em linha, suportado no centro por um forte dupla de trincos (Davids, Van Bommel ou Cocu) e abrindo nas alas com dois criativos (Seedorf, á direita, e Zenden, á esquerda). Faltou, no entanto, a este meio campo o rasgo de génio que lhe era dado no passado por um jogador como Bergkamp. No actual cenário, o único talento laranja com essa criatividade é Van der Vaart, como se viu contra a Republica Checa, em Roterdão, quando depois de começar com o clássico 4x4x2, Advocaat mudou, logo aos 30 minutos, para o mais dinâmico 4x3x1x2, com a saída de Van Bronckhorst e a entrada de Van der Vaart para a chamada zona de criação, atrás da dupla de avançados.

Os jogos seguintes confirmaram esta tendência, agora com Van der Meyde aberto na ala direita. Contra a Áustria, sem Van Nistelrooy, adiantou Van der Vaart e colocou Van Bommel a organizar na zona central á frente dos trincos. No ataque, o enigma reside no fraco rendimento da dupla Kluivert-Van Nistelrooy, duas grandes estrelas que, no entanto, não tem, entre si, qualquer mecanização de movimentos, como se provou, por exemplo, em Glasgow, contra Escócia, onde Advocaat alinhou em 4x2x3x1, com Kluivert atrás de Van Nistelrooy. Assim, a opção poderá ser Makaay-Van Nistelrooy, ganhando, assim, o onze mais verticalidade ofensiva, fruto do estilo veloz, exímio a desmarcar-se nos espaços vazios, de Makaay, ou então, como fez contra a Escócia, no último jogo do play-off (vitória, 6-0) no velho sistema da escola holandesa, o 3x4x3, com três defesas (Reiziger- Ooijer-Bouma) meio campo ofensivo (Sneijder-Cocu-Davids-Van der Vaart) e o ataque com dois extremos (Van der Meyde, á direita, Overmars, á esquerda) e um ponta de lança (Van Nistelrooy).

REPUBLICA CHECA

Treinador: Karel Bruckner Sistema táctico preferencial: 4x3x1x2 Alternativa: 4x1x4x1 Uma das selecções mais atraentes da fase de apuramento, na qual o 4x3x1x2 inicial em vez de derivar de um recuo do 4x4x2 é antes um ponto de partida, na dinâmica da táctica, para um ofensivo 4x3x3, com um fantástico quarteto de médios, gerido, á frente da defesa, na zona dos trincos, pelo volante Galasek, a placa giratória dos movimentos colectivos do onze, com ou sem a bola. A seu lado, Poborsky, sobre a direita, e Rosicky, que, embora seja um playmaker no Borussia Dortmund, tende, na selecção, a descair para a faixa esquerda, um flanco no qual se destaca Jankulovsky, muitas vezes adaptado a lateral esquerdo, numa faixa onde também é opção o combativo Vachousek, um jogador com notável precisão de passe. Como maestro do onze, emerge Nedved, talvez neste momento o melhor médio ofensivo organizador de jogo do futebol europeu.

No ataque, a dinastia de gigantes checos, tem hoje sucessor no possante Koller, um ponta de lança tipo carro de assalto. A seu lado, furando nos espaços vazios, surge sobretudo Baros, que gosta de arrancar de trás, como faz no Liverpool. As outras opções seriam Lokvenc e Stajner. Na defesa, Bolf e Ujfalusi impõem-se no eixo, e, na faixa direita, destaque para o polivalente Grygera, que, na sua carreira, já jogou em todos os postos do sector defensivo, sempre com a mesma eficácia técnico-táctica. O seu lugar natural é, porém, como lateral direito. Outra opção táctica, utilizada contra a Holanda, em casa (vitória, 3-1) poderá ser o traiçoeiro 4x1x4x1, com Koller ponta de lança á frente de quatro médios, mesclando no centro, dois playmakers, Nedved-Rosicky, ficando Poborsky, á direita e Smicer, á esquerda.

RÚSSIA

ESQUEMAS TÁCTICOSDAS 15 SELECÇÕES APURADAS PARA O EURO 20048Treinador: Georgi Yartsev Sistema táctico preferencial: 4x1x3x2 Alternativa: 4x4x2 ou 3x5x2 Dois treinadores, dois sistemas tácticos. Com Valeri Gazzaev, jogou em 3x5x2. Com Georgi Yartsev, jogou em 4x4x2 ou 4x2x3x2. O demolidor argumento dos resultados consagrou o segundo sistema, utilizado nos últimos cinco jogos, como o suporte táctico que garantiu o apuramento. Enquanto jogou em 3x5x2, com a defesa a «3» (Nijegorodov-Onopko-Ignachevitch), o onze russo nunca teve a segurança defensiva capaz de soltar a criatividade do seu excelente meio campo gerido, desde a meia-lua, pelo volante Smertin, um médio de contenção com grande visão de jogo. Á sua frente, um must de talentos russos com vocação de playmaker: Mostovoi, o nº10, Titov, que está jogar sobretudo sobre o flanco esquerdo, Loskov, Radimov e o jovem Izmailov, muitas vezes utilizado como ala ou segundo avançado.

Outras opções são Gusev, á esquerda, Kariaka, á direita, e Alenichev, que pode jogar no centro como nas alas. Desde grupo, Yartsev escolhe o trio para jogar á frente de Smertin, e nas costas da dupla atacante, na qual renasceu, pela sua mão, um ponta de lança antes ignorado por Gazzaev: o nº9 o Dinamo de Moscovo, Dmitri Bulykin um poderoso cabeceador. A seu lado, podem jogar Sytchev, muito rápido e frio a finalizar, ou Kerzhakov, outro criativo para complementar o estilo mais em força de Bulykin. Da observação dos seus últimos jogos, fica, porém, a ideia que esta selecção russa, muito talentosa, necessita sobretudo de quem acelere o jogo a meio campo, muitas vezes demasiado lento, pelo que solução seria colocar o dinâmico Titov na zona central como organizador de jogo, apoiado, sobre a direita, pelo irreverente Izmailov, aumentando assim o rimo das movimentações ofensivas. A longa suspensão imposta a Titiv por ter acusado positivo no controle anti-doping, confundiu, porém, as intenções do seleccionador russo, que, num ápice, ficou privado do seu jogador mais criativo. Um dilema para resolver nos próximos jogos...

SUÍÇA

ESQUEMAS TÁCTICOSDAS 15 SELECÇÕES APURADAS PARA O EURO 20049Treinador: Jacob Kuhn Sistema táctico preferencial: 4x3x1x2 (variante 4x1x2x1x2) O perfume transalpino do futebol e contenção e contra ataque numa das equipas tacticamente mais sábias do actual futebol europeu, alinhando quase sempre com o mesmo onze, num dinâmico esquema de 4x4x2 com futebol apoiado, que, em campo, se desenha em 4x3x1x2 ou, para ser mais exacto, 4x1x2x1x2, com um trinco de grande nível técnico-táctico, Vogel, e um excelente playmaker que, dono de uma sublime visão de jogo, coloca bola o que quer, Hakan Yakin, sempre com grande precisão.

A apoiar estes dois motores do onze, um ordenador e outro criativo, está o médio de contenção Wicky, muito regular. e outro médio com vocação regista, Cabanas, que tempera a disciplina táctica transalpina com o carácter lutador herdado dos seus genes hispânicos, num sector onde também se destaca Celestini, exímio nas compensações defesa-ataque. O comando do sector defensivo está entregue ao experiente M.Yakin, que faz dupla com Muller, enquanto que nas faixas, destacam-se, á esquerda, os pendulares Magnin e Berner, enquanto que á direita, Hass é titular indiscutível. O ponto menos forte do onze será, talvez, o ataque, ainda a viver do veterano Chapuisat, 35 anos, já sem a velocidade outrora, e do oportuno Frei, algo limitadamente tecnicamente, o típico avançado que joga na antecipação e no corpo-a-corpo para ganhar os duelos na área. O grande segredo da equipa reside, no entanto, no equilíbrio entre linhas, com as três com excelente sentido posicional, fruto sobretudo da acção dos sábios Vogel, volante, e H.Yakin, playmaker.

SUÉCIA

Treinador: Tommy Soderberg e Lars Lagerback Sistema táctico preferencial: 4x4x2 (variante: 4x2x2x2) O típico futebol nórdico expresso num robusto 4x4x2 sem grande criatividade mas com grande poder atlético. Analisando o actual meio campo sueco, verificamos que lhe falta um organizador de jogo clássico que sirva de ponto de referência para o colectivo, embora, em toda a sua história, estes homens, na escola nórdica, da qual a Suécia é o supremo símbolo, fossem sobretudo os trincos ou os volantes de contenção que, recuados, geriram, em toque curto, mas atleticamente poderoso, a manobra do onze. Para esta função, a actual Suécia, conta sobretudo com Kallstrom, um médio centro com grande visão de jogo. Os outras referências da linha de quatro do sector intermediário são Nilsson, sobre a direita, Jakobsson, que pode jogar no eixo da defesa ou como trinco, e, como elementos ofensivamente mais criativos, o ala Ljungberg, um pilar do Arsenal, já com a técnica e a agressividade moldada pelo espirito lutador britânico, e Andres Svensson, o viking mais virtuoso.

No ataque, sem Larsson, dois nomes, o mesmo estilo possante e de choque, sem qualquer requinte técnico: Allback, o ponta de lança peitudo de área e Jonsen, menos forte mas com maior movimentação, incansável a perseguir a bola, recuando a defender com grande espirito de sacrifício. Neste cenário, todas as esperanças se depositam na actual grande estrela do futebol sueco: Ibrahimovic, do Ajax, um avançado de grande categoria técnica, táctica, exímio a fugir ás marcações, penetrando pelo flanco direito e com grande poder de finalização, muito frio em frente ao guarda redes. É, como alguns lhe chamam, um Romário sueco com 1,92m. de altura.

LETÓNIA

ESQUEMAS TÁCTICOSDAS 15 SELECÇÕES APURADAS PARA O EURO 200410Treinador: Aleksandrs Starkovs Sistema táctico preferencial: 4x4x2 Tacticamente, a grande sensação entre os finalistas do Euro-2004, joga num clássico 4x4x2 que tem a particularidade de as linhas meio campo-ataque jogarem, na maior parte do tempo de jogo (sobretudo quando não têm a posse de bola), muito distantes entre si. Desta forma, a forma preferencial de desenhar as jogadas ofensivas é, essencialmente, através do passe longo, num sistema de contra-ataque que, pela velocidade dos seus intérpretes, pode causar muito perigo, sobretudo quando consegue fazer a pressão sobre o adversário mais longe da sua área, recuperando a bola na zona central do terreno. Um estilo mordaz que a Turquia sofreu na pele. Entre os seus médios, destaca-se, no centro, o organizador Lobanovs, apoiado por Laizans e Astafievs, ambos muitos activos nas acções de marcação e pressing sempre que o adversário invade o último terço do terreno.

Inteligente a fazer circular a bola ao primeiro ou segundo toque (lembrando a espaços o velho estilo de leste), o onze letão, embora sem qualquer requinte técnico, sabe abrir o jogo nos flancos, revelando-se muito importante, nesse papel, a acção dos alas Bleidelis, á direita, e Rubins, á esquerda. Em termos ofensivos, porém, este 4x4x2 vive, sobretudo da perigosa dupla de avançados, composta por Verpakovskis, a estrela da equipa, e Rimkus, forte remate com o pé esquerdo, ambos rápidos e combativos, nunca desperdiçando uma oportunidade de rematar á baliza, a única forma de tornar produtivos os movimentos de contra-ataque desenhados pelo lutador quarteto do meio campo, quase sempre escalado em linha.