“Eu não quero crescer!”

02 de Julho de 2011

Há lances que definem um jogador e, num instante, concentram toda a magia que, por razões insondáveis, fica tantas vezes escondida durante a carreira. Isto é, sabemos que aquele jogador tem um dom especial, mas misteriosamente ele não aparece. Giovani dos Santos é um exemplo desse perturbante fenómeno. Desde que o vi no Mundial Sub-17/2005, com 16 anos, que falo nele como um craque. Hoje, aos 22, muitos desconfiam disso. Foi mais um meteoro do futebol jovem? Não acho. O golão que marcou aos EUA na final da Gold Cup ganha pelo México revelou o melhor Giovani, mago de finta curta em centímetros de relva que parecem alargar na forma como cola a bola ao pé e em passos curtinhos busca o melhor timing e buraco para a meter onde quer (neste caso um chapéu-arco ao ângulo).
Vendo o labirinto da sua carreira (Barcelona aos 17 anos, depois, jogando pouco, Tottenham e Ipswich, e Turquia, Galatasaray, sem referências) é o caso ideal para reflectir sobre a gestão e evolução dos jogadores que brilham nas camadas jovens e logo se lhes projecta carreiras fabulosas.

Claro que os casos variam com as características (humanas, talento, inteligência) de cada um, mas há locais mais indicados para fazer cEu não quero crescerrescer um jogador. Por exemplo, o futebol francês. Acho que é o ideal para um jogador em fase de crescimento no futebol adulto, para aprender táctica e maturidade humana-desportiva. Com exigência, sem pressão desmedida. Diferente do cenário inglês, que exige maior disponibilidade física e resistência/velocidade mental (a pensar e a jogar) que raramente um miúdo saído da formação tem. Giovani andou por demasiados clubes, todos fora do tempo e habitat certo.
Dá a ideia que é um jogador que faz o seu futebol depender do estado de espírito. Se se sente triste onde está, o seu futebol também fica triste. Notava-se em Inglaterra. Em Espanha, em meia época no Santander, bastou umas bolas em profundidade e a alegria com que correu atrás delas, para no grande plano da sua cara logo a seguir, se perceber outra leveza e sorriso. Ou seja, seu estado de espírito mudara. E, num ápice, mais alegre, já era outra vez o craquezinho do início.

Ele foi a estrela-mor, segundo avançado, de uma sedutora selecção mexicana com um valor só não mais visível a nível internacional por jogar num quadro competitivo muito frágil. Excelentes defesas, a fechar e a sair, um pivot, Torrado, que é um relógio, soltando Osório nas transições, um extremo vertical, Barrera, um flanqueador que joga por dentro, Guardado, um 9 goleador, Chicharito e um…9,5 que joga, passa e faz golos, Giovani, claro. Todos exemplares de arte asteca com bola.

O golo (magia) de Giovani aos EUA (ver em LFL TV)

http://www.planetadofutebol.com/media/giovani-mago