EURO 2004: A velha Albion e a «fórmula-diamante»

12 de Junho de 2004

Em 19 jogos oficiais á frente da selecção inglesa, desde há pouco mais de dois anos, Eriksson apenas perdeu um. Contra o Brasil, nos quartos-de-final do Mundial-2002. Uma derrota solitária que, no entanto, voltou a mergulhar toda a Velha Albion na mais profunda depressão, incapaz de, desde 1966, reconquistar um grande titulo internacional. Conhecido, tal como o mais tradicional futebol inglês, por ser um fiel devoto do 4x4x2, Eriksson, preocupado com os curtos horizontes do jogo da sua Inglaterra, procurou, nesta fase, incutir uma nova dinâmica ao clássico sistema, introduzindo o famoso losango no futebol inglês.

A operação-diamante como lhe chamaram os ingleses, em alusão ao similar desenho geométrico do losango, testada no jogo particular frente ao Japão, confirmou, no entanto, que ainda falta cultura táctica ao jogador inglês para interpretar sistemas ou modelos de jogo já robotizados noutras paragens, como no futebol latino. É uma questão de escola e, no caso particular, também de alguns erros de casting na escolha dos seus intérpretes. Assim, frente aos nipóicos, o fracasso do sistema começou quando Eriksson colocou Lampard como o médio mais defensivo do losango, com funções de contenção e cobertura.

Trata-se de uma força para o qual jogador do Chelsea não está, em rigor, vocacionado, pois é, claramente, um jogador mais criativo, com tendência para subir no terreno, pelo que se sente mais confortável com outro jogador ao lado, trabalhando na sombra, como num clássico 4x4x2 com dois volantes centrais.

Para jogar em losango, o homem mais indicado para o vértice recuado defensivo seria Butt, esse sim um jogador de recorte defensivo, recuperador de bola, lutador incansável e exímio a interceptar linhas de passe. Desta forma, com o losango defensivamente sem consistência, o modelo perdeu força, agravado pelo facto de Gerrard, volante central do Liverpool como vocação para jogar de área a área, ter actuado fora do seu lugar, encostado ao flanco esquerdo, preso de movimentos, só se soltando nas diagonais, mas descurando assim a cobertura defensiva da sua faixa. Face ao exposto, tudo indica que Eriksson deixe cair a formula-diamante e resgate o velho perfume do clássico 4x4x2 em linha com Beckham organizando a partir do flanco direito e Scholes funcionando como enganche com a dupla atacante Rooney-Owen.