EURO 2004- MOMENTOS MÁGICOS

14 de Junho de 2004

Os relvados portugueses, grandes Estádios, o melhor futebol da Europa em nossa casa. Uma experiência inolvidável, quase para esfregar os olhos de assombro, para quem há pouco mais de duas décadas ainda via jogos da Primeira divisão em campos pelados. É um novo tempo. Com imagens divinas para guardar eternamente no nosso baú de memórias, como os dois golos de Zidane nos três minutos de desconto frente á Inglaterra. Um Deus passeando pela brisa do anoitecer de Lisboa perante uma Inglaterra “italianizada” a defender, que fora perdendo, pouco a pouco, o fôlego do contra ataque. Curioso o cumprimento entre Beckham e Deus “Zizou” logo após o apito final. Dois penaltys, um herói e um vilão. O olhar de Zidane como procurando decifrar o estado de espirito de Beckham e o levantar da cabeça do spice boy, dedo apontado, reconhecendo a falha fatídica. Como a alegria discreta de Valerón, a insustentável leveza da classe espanhola em apenas curtos segundos sobre o césped do Algarve. O dominar da bola, a troca de pés, um russo por terra, parecia que tinha parado o tempo sob o olhar da lua e das estrelas.

Um golo de catedrático que deu a vitória a uma das melhores equipas – no verdadeiro sentido do termo equipa- deste Euro-2004, a prova de como com extremos o campo logo parece maior e o futebol fica muito mais belo. Uma lição dos livros dada, na prática, por um canhoto veloz e driblador, Vicente, reminiscência de Gento no Séc.XXI.

EURO 2004 MOMENTOS MÁGICOSFalando em extremos, a nossa mente, num ápice, recorda as imagens dos dinamarqueses velocistas em Guimarães, assustando a selecção italiana, dogmatizada no seu 4x2x3x1, do qual Del Piero, “preso” ao flanco esquerdo raramente se consegui libertar. Um jogo para suster respiração, sob 33 graus, escaldando as emoções, do qual retenho a imagem de dois grandes guarda redes, Sorensen voando para desviar um cabeceamento de Vieri, e Buffon, gigante, esticando-se como se fosse de borracha para defender o remate de Tomasson, ou como um muro, detendo os remates do meio da rua. Mais imagens deste Euro-2004 que coloca o nome de Portugal em todo o mundo: Os golos de Larsson, agora comemorados menos com a língua de fora, mas com a mesma autoridade dos grandes predadores da área, perante um onze búlgaro que, após uma excelente primeira parte, resvalou para o inferno numa segunda parte dominada pelos suecos com a naturalidade dos icebergs em silencioso movimento.

Os passes de Hakan Yakin, o cérebro suíço num jogo onde um árbitro português tentou, sem êxito, bater o record de cartões num jogo do Europeu. Interessante a selecção croata. Primeira parte em 4x4x2, a segunda em 3x5x2, mas, muitas vezes, surgindo no ataque com quatro avançados clássicos, quase em 4x2x4: Olic, Prso, Sokota e Mornar. Menos virtuosismo ou tecnicismo rebelde, mais força e pujança ofensiva.

EURO 2004 MOMENTOS MÁGICOS1Vendo o jogo de Portugal, fica a imagem do veloz Karagounis partindo para a área lusa, como um diabo encarregue de nos destruir o sonho perante um capitão luso, Fernando Couto, meio assustado, recuando, encolhendo-se perante o ousado grego. O olhar desalentado de Figo, a face impotente de Rui costa, os movimentos perdidos de Pauleta, encurralado por Kapsis, e, no banco, Scolari, esfinge brasileira, mergulhado na dureza da realidade, mais dura que a sua postura controversa. Frente a uma Grécia fria, que não teve medo, em 4x2x3x1 ou 4x4x2 de impor , desde o inicio, um ritmo alto ao jogo, a selecção portuguesa nunca se libertou da pressão de todo um país com os olhos postos nos seus movimentos e, em 4x2x3x1, nunca criou um circuito preferencial de jogo. A base do bom futebol é a posse da bola e sua circulação.

Portugal teve quase sempre a sua posse, mais de 65% , mas nunca conseguiu faze-la circular eficazmente. Destes primeiros três dias de Euro-2004, estas são algumas imagens que retenho, entre muitas outras fascinantes, para lá das análises tácticas (SIC Notícias, Diário do Euro). Agora, o encontro decisivo contra os russos...