Euro 2012: Pensar futebol!

02 de Julho de 2012

PLANETA DO EUROPEU (26)

Ao longo do Euro fui deixando aqui as minhas reflexões diárias sobre equipas e jogadores. Nada de científico. Apenas instrumentos para pensar, debater futebol, FUTEBOL! Fica para amanhã o último olhar sobre o grande vencedor. Agora, eis algumas notas de sensações fortes que tive neste Euro.

1. Chegam mais longe as equipas que defendem melhor. As que melhor sabem...perder a bola. Ou seja, raramente vimos uma equipa desequilibrada no momento de ter de passar a defender. Tal condicionou a intensidade de pressão (em vez de pressionar, a maioria recuava e organizava-se a fechar espaços ao adversária).

2. O futebol latino lapidou-se em termos de pressão e assumir da posse. A Espanha, projeto ideológico consolidado (cada treinador, de Aragonês a Del Bosque, mais do treinar uma equipa, tem de gerir uma...ideia). E ganhar ou perder com ela. A Itália de Prandelli, projeto ainda em embrião, mais devoto do futebol de estratégia latino, revelou enorme upgrade de pressão e posse. Até onde esta ideia será referência duma nova identidade é a duvida do Calcio. A base, essa, está lá.

3. Aculturação táctica do nº10 pelo bloco do meio-campo. Ozil, Montolivo, Iniesta, Nasri, Sneijder, nº10 devorados pelas obrigações táticas (ora de dar largura a atacar e arrastar marcadores do centro, ora de transição defensiva). Ozil e Sneijder foram quem mais sofreu com isso. Iniesta o mais sábio a sair desse labirinto. Até no flanco é um..10 médio-centro. Nasri acabou a discutir com o treinador. Montolivo, o que melhor recua para ser 10 desde trás.

4. As equipas com só um pivot nº6, construtor e referencia de equilíbrio defensivo, são as que jogam (ou começam a jogar) melhor. Portugal teve Veloso (deixando Moutinho-Meireles a pressionar até à exaustão). Pirlo aparece, sem aumentar de ritmo, nos dois espaços. Xavi confundiu-se com o duplo-pivot Busquets-Xabi Alonso. Khedira tem vocação mais ofensiva do que o rigor defensivas lhe impôs. Parker deixou de ser 8 para ser 6 até acabar com a língua de fora. Com a opção preferencial de sair a jogar pelos centrais, os pivots baixam menos em inicio de construção.

Arquitetos com bola

É o mundo dos jogadores-arquitetos com organização criativa em ritmo controlado
5. No modelo, triunfa a filosofia da construção curta e visão táctico-técnica ampla. Não vimos equipas a mudar muito de velocidade, procurando distância entre-linhas. Mais próximos uns dos outros, mais seguros. Meter velocidade só até não comprometer a execução.

6. Para um guarda-redes, mais do que estar á frente da baliza, é cada vez mais importante saber estar nas...costas da defesa. Base: cobrir espaço mais vazio quando a defesa sobe (natural nas grandes equipas). Guarda-redes com...visão de jogo.

7. Laterais mais responsáveis a subir. A Itália esgotou todas as variantes. Portugal controlou bem esse espaço. Os nossos laterais subiram sobretudo em apoio (Coentrão decisivo em conduções individuais quando o bloco baixava mais recuado e custava fazer a transição apoiada). Jordi Alba é um lateral motorizado. Não vejo vantagens para Lahm em jogar na esquerda (a não ser a diagonal para rematar com a direita). Na França, Blanc matou Debuchy ao puxá-lo para ala contra Espanha. Jonhson, na Inglaterra, nasceu de novo.