Fantasmas e jogadores intensos

14 de Dezembro de 2006

Fantasmas e jogadores intensos

Face aos espectáculos fantasmagóricos que têm sido muitos jogos do actual Campeonato, muitas vezes é mais agradável observar jogadores do que os jogos no conjunto. Gosto, por exemplo, de ver Zé Pedro no Belenenses. Embora muitas vezes fique incomodado com ele, não por não ter qualidade, mas exactamente por achar que podia estar ali um jogador de top. Falta-lhe qualquer coisa. Carácter, atitude, não sei, um clique que lhe desse outra intensidade competitiva ao seu belo pé esquerdo. Gosto também de Alonso no Nacional. É um bom lateral-esquerdo. Reparem nos grandes planos. Joga sempre de cabeça levantada e os olhos a tentarem ver o mais longe possível para saber onde deve colocar a bola.

Defende e ataca bem. Também gosto de ver a autoridade de Auri a defender no centro da defesa do Setúbal. Por alto é imperial. São apenas três nomes. Há outros, cada qual no seu estilo. Experimentem fazer este exercício. Pode ajudar a afugentar fantasmas colectivos.

CHAÍNHO, OLBERDAM, VANDINHO… Os operários intensos

Fantasmas e jogadores intensosSempre que digo que gosto de jogadores intensos, não falta quem encolha os ombros. Pois, pois. Então, reparem na forma como se comportam alguns jogadores, na forma como não tiram os olhos da bola e correm atrás dela durante 90 minutos, mordendo o adversário e arrastando a equipa consigo, que, com essa atitude, nunca adormece em campo e, torna todo o seu jogo mais competitivo, ou seja, mais intenso. Vejo essa intensidade em jogadores como Vandinho, no Braga, Olberdam, no Marítimo, Chainho, no Nacional, ou Glauber, na Naval, entre outros. Todos estes exemplos jogam na mesma posição, na primeira linha do meio-campo, onde, mais do que qualquer outra zona, a intensidade é obrigatória para ganhar a bola, segura a equipa e liga-la com o ataque. São pouco dados a requintes técnicos mas nunca receiam o ritmo alto. No geral, tratam-se de operários que libertam jogadores mais criativos. Um exemplo evidente da importância deste tipo de jogador aconteceu com Chainho no último Nacional-Porto.

Enquanto esteve em campo, a equipa nunca se partiu. Com a sua intensidade, manteve-a tacticamente agarrada ao jogo. Quando saiu, esgotado, o onze desprendeu-se, perdeu intensidade de pressing e posse, e perdeu o jogo. Sigam-nos num próximo jogo e descobrem o que é um jogador intenso.

PAÇOS DE FERREIRA: O «computador» de José Mota

Fantasmas e jogadores intensosDurante a semana, após um jogo, o treinador, ao mesmo tempo que prepara o seguinte, revê o passado. O que correu bem e onde falhámos. Em função disso surgem, ou não, alterações. Em Paços de Ferreira, José Mota também coloca as mesmas questões, mas na hora de escolher como jogar, ninguém descobre a diferença entre um jogo e outro. Descobriu a fórmula de tornar competitiva uma equipa pequena e nunca se desvia um centímetro desse caminho.

Faz contratações cirúrgicas e a mecanização do seu 4x3x3 nunca abala, com um triângulo no meio-campo onde Paulo Sousa é o vértice recuado, Pedrinha, mais solto e Dani, que substituiu Junior, na transição. Pressiona o adversário e aposta num jogo de pares na sua zona de construção. A atacar, solta extremos (Edson, Didi ou Cristiano) e um ponta-de-lança de combate (Ronny). É, neste sentido, o onze com os princípios de jogo mais mecanizados. A prova de como fazer uma equipa passa, antes do mais, por criar hábitos tácticos em campo.