Fechar ou Abrir o Jogo

13 de Fevereiro de 2017

O mercado de Inverno muda equipas e quase as vira ao contrário. Nesta jornada, dois relvados pareciam de pernas para o ar com dois avançados reinventados, cada qual no seu estilo, um em força e técnica (Soares) outro em finta e serpenteado (Podence), a jogarem contra as suas anteriores equipas de há duas semanas, V. Guimarães e Moreirense. No ataque do FC Porto e Sporting, ambos, agora redimensionados num nível superior, marcaram a diferença em jogos fechados ou “tacticamente amarrados”.

Nuno percebeu logo que tinha ali o “homem sapiens nº9” que a equipa precisava com um bisturi de força+técnica a jogar e finalizar. No seu 4x4x2, a dupla de avançados-centro, , posiciona-se de raiz pouco no... centro. Começa aberta para alargar as marcações adversárias e dar ponto de partida para uma dinâmica de diagonais dos alas, subidas verticais dos laterais e movimentação vagabunda no.... centro.

Por isso, o FC Porto dos extremos é hoje quase um plano... imprevisível. Como se Nuno durante muito tempo entregasse o jogo antes à pressão do jogo interior (por isso, em Guimarães surgiu André André em vez de Oliver) e, de repente, abrisse o jogo com os tais extremos puros (entra Corona e encosta Brahimi à linha) fazendo dançar o adversários que,  esse momento, perde as marcações que já tinha “encaixadas”.

A questão táctica do “jogo exterior” pelos flancos continua a ser chave na dinâmica de desequilíbrios que as equipas ditas grandes podem criar frente a adversários que se fecham atrás da linha da bola ou numa trincheira nos últimos 30 metros.

Este segundo caso sucedeu com o Moreirense na segunda parte e, mesmo passando jogo a atacar (e a chocar contra o muro de Inácio) o Sporting raramente conseguia ver brechas para furar. Quando Jesus abriu Podence na esquerda foi como se torna-se o campo mais largo e assim também forçou as marcações adversárias a alargarem e dançar (abrindo as tais brechas entre os posicionamentos defensivos por onde Podence furou).

O futebol tem esta geometria básica que não é ilusão: á medida que se ataca o comprimento do campo diminui (vai escasseando profundidade nas costas da defesa adversária) mas a largura mantém-se isso. Ou seja,  o espaço nos flancos é o mesmo. Ai não se coloca só a questão da profundidade mas sim dos desequilibrios de ir à linha ou fazer diagonais.

Foi através dessa percepção que Nuno e Jesus acabaram por ganhar os jogos que dominaram sempre em termos de postura ofensiva apesar de enquanto um teve esmagadora percentagem de maior posse de bola (Sporting) o outro teve menos que o adversário (o FC Porto de Nuno) mas dentro de um plano estratégico sem dilemas estéticos, apenas com intenções tácticas.