AS GRANDES EQUIPAS NÃO DISTINGUEM A FASE DEFENSIVA DA OFENSIVA.

21 de Janeiro de 2005

AS GRANDES EQUIPAS NÃO DISTINGUEM A FASE DEFENSIVA DA OFENSIVA.

Neste esquema de jogo, partindo do onze-base utilizado pela Juventus esta época, podemos observar como a equipa de Capello estende em campo o seu 4x4x2 de forma a que fase defensiva e ofensiva funcionem como um bloco unico, sincronizado, no pressing e na construção, na recuperação e na destribuição. Os elos de ligação na dinâmica táctica são Emerson, com os seus avanços, e Del Piero, na forma como recua, tal como Ibrahimovic, na hora em que a equipa perde a bola. No avanço de Emerson, reside a grande referência do onze no transporte da bola, enquanto, nos flancos, para além da subida dos laterais, a profundidade é incutida por dois alas com grande capacidade de penetração, Camoranesi e Nedved, este mestre em fazer diagonais, flectindo no terreno em busca de espaços vazios para o remate ou triangulações. Nesta dinâmica, expresso num jogo de triângulos em movimento, a Juventus prova como as grandes equipas não destinguem a fase defensiva da ofensiva. Elas estão interligadas e não existem uma sem a outra. A recuperação da bola, por exemplo, mais do que uma acção defensiva, é o inicio da acção ofensiva. A eficácia de ambas estão de tal forma relacionadas ao ponto de serem uma só na dinâmica de jogo.
Esta é uma realidade que cruza quase todos os grandes campeonatos europeus. De Inglaterra a Itália.AS GRANDES EQUIPAS NÃO DISTINGUEM A FASE DEFENSIVA DA OFENSIVA.

O segredo, já se sabe, está na eficácia das transições defesa-ataque-defesa, mas, nesse jogo de dinâmicos triângulos tácticos entre-linhas, terá de existir sempre, sem subverter a moldura colectiva, quem crie o desequilíbrio no bloco adversário. É a, digamos, ordem criativa, sagrada união entre o «pressing alto» e o «pressing construtivo». Percorrendo os relvados europeus, analisando com lupa, as suas grandes equipas, há um onze que, dentro da perspectiva exposta, merece, neste momento, junto com o Chelsea, especial destaque: a nova Juventus, um onze reconstruído, no caracter e no estilo, por um treinador que, por onde passa, deixa sempre a sua marca: Fabio Capello. Depois do Milan, Real Madrid e Roma, constrói, agora, a nova Juve, impondo, desde o inicio, a contratação de quatro jogadores chave, um por cada sector: um central (Canavaro), um médio centro recuperador e destribuidor (Emerson) e um grande avançado (Ibrahimovich).

AS GRANDES EQUIPAS NÃO DISTINGUEM A FASE DEFENSIVA DA OFENSIVA.Com esta espinha-dorsal base de confiança, montou um elástico 4x4x2 (abandonando os sistemas de três defesas utilizados na Roma) e, neste momento, quando está em campo, controlando o jogo (embora quase sempre sem o dominar), ninguém consegue distinguir, com clareza, quando a equipa está na fase defensiva ou ofensiva. Isto porque o primeiro a defender é o ponta de lança, Ibrahimovich, na forma como pressiona o defesa adversário que tenta sair com a bola jogável, e o primeiro a atacar é o trinco, Emerson, na forma como cada recuperação de bola que executa é de imediato seguida de um passe que inicia a manobra atacante. É o chamado pressing construtivo. Com este perfil, no qual é crucial a revelação Blasi, marcando e cortando linhas de passe ao lado de Emerson e na frente das torres defensivas Thuram-Canavaro, Capello como que blindou a sua Juventus. Torna-se mestre em ganhar por 1-0 e nunca perde as referências posicionais que unem as tais duas fases, a defensiva e a ofensiva. Nesta máquina de futebol colectivo, os artistas escondem-se atrás da máscara de operários. São os casos de Nedved e Del Piero. Enquanto o checo parte da esquerda e surge, quando o onze tem a posse da bola, na zona central, em serpenteadas diagonais de penetração, Del Piero refinou-se em termos de marcação. Joga ao lado de Ibrahimovich e, com liberdade nos últimos 30 metros, tem sempre presente a noção da importância do avançado jogar sem bola, esteja esta na posse do nosso extremo ou nos pés do adversário. Na forma como se tenta recuperar a bola o mais cedo possível (ou seja, o mais perto possível da área adversária), aumenta, proporcionalmente, a possibilidade de criar desiqilibrios no esquema contrário. É o pressing alto levado ao extremo. Com o regresso de Trezeguet, o sistema mantêm-se o mesmo.