Beckham, O meu craque é uma «pop-star»

05 de Fevereiro de 2007

Beckham, O meu craque é uma «pop-star»

O Real Madrid agoniza em campo e Beckham, proscrito por Capello, assiste descontraído atrás de um camarote envidraçado. Acena e sorri a quem olha para ele. Nem por um segundo perde a noção da imagem. Penteado na moda, calças Dolce e Gabbana e um toque de Versace. O perfil ideal na antecâmara de Hollywood.

Ainda estará verdadeiramente ali um jogador de futebol? Esqueçam. Beckham é mais do que isso. Ninguém como ele entendeu, na plena dimensão, o que é hoje futebol e showbiz. Uma pop-star com a bola nos pés. Uma cultura iconoclasta que deixou a selecção inglesa para trás. Nas memórias do Mundial, tenho muitas emoções e imagens. Entre elas há uma que, embora vinda de fora do relvado, ocupa um lugar à parte, vivida na zona vip antes do Inglaterra-Portugal. Almoçar junto de Victoria Posh Beckham. A sua entrada na sala, rodeada por um séquito de seguranças que depois se espalharam por vários locais, tiraram-me lucidez para continuar em busca de velhas estrelas para falar. O nariz de Cleópatra num corpo inventado, fazem dela um ícone do showbiz actual. Come fruta e bebe Coca-Cola. Ao mesmo tempo, Beckham começa a aquecer no relvado.

Beckham, O meu craque é uma «pop-star»

Joy Beverley, e as «Beverley Sisters». Inglaterra, 1958

Embora em locais opostos, a imagem dos dois continua a fazer parte da mesma encenação. Durante as transmissões televisivas, as suas imagens, um no relvado, outro na bancada, sucedem-se mas ninguém entende essa alternância como algo que foge do jogo. Eles fazem parte do mesmo jogo iconoclasta. É o popstar football.

Durante várias épocas, Beckham conseguiu o sonho de, ao mesmo tempo, ter o melhor carro, a mulher bonita, marcar a moda e continuar a ser o melhor em campo. Nos últimos tempos, porém, abandonou a intenção de continuar a conciliar a última. Assumiu-se como uma popstar e na hora de decidir o futuro, aos 31 anos, em vez de ouvir Galliani que o queria no Milan, ouviu Tom Cruise e assinou pelo LA Galaxy. Ele e Victoria, claro. Em vez da posição em que vai jogar, fala-se da mansão que vai comprar. Em vez dos jogos, fala-se dos locais que vai frequentar. O futebol é hoje um mundo de sonhos e os jogadores ícones.

Beckham, O meu craque é uma «pop-star»

Victoria «Posh» Beckham, Alemanha 2006

Em campo, levantam as golas, mostram tatuagens e penteados que demoram horas a fazer. Fora dele, roupa de marca e uma mulher de capa de revista. Vasculho jornais velhos e vejo, datada de 1958, uma foto de Joy Beverley, namorada de Billy Wright, antiga estrela inglesa, vendo um jogo, na tribuna do Wolverhampton, junto com as colegas das Beverley Sisters, onde era vocalista. A relação entre jogadores e popstars não é, portanto, nova, mas Bechkam é um case-study impar. Só Best se terá aproximado, mas sem a noção empresarial da marca do casal Beckham. Agora, se também virem uma bola a rolar não se assustem. É normal.