CÉSAR LUÍS MENOTTI

16 de Maio de 2006

"Através da maneira de jogar das minhas equipas, eu falo da sociedade em que gostaria de viver!", César Luis Menotti (Treinador argentino, campeão do mundo em 1978).

Em 1974, a equipa sensação na Argentina chamava-se Húracan. No seu leme estava um homem alto, magro e algo introspectivo que como jogador, defesa no mais puro estilo sul americano, alinhara no Rosário Central e Huracan, para além de duas épocas passadas no Santos onde jogou ao lado de Pelé. Era El Flaco Menotti. Finda a carreira de jogador tornara-se um treinador de sucesso.

Um dia, numa fim de tarde de Agosto, findo o treino, foi abordado por Bracuto, nesse momento presidente do Húracan e da Federação Argentina de Futebol. O convite era simples: -Oiça, César, você quer ser técnico da selecção? Lembra Menotti que sorriu com nervosismo. No horizonte estava, dentro de quatro anos, um emocionante Mundial para ser jogado nas canchas argentinas. Era um desafio empolgante, um sonho que esperava desde que começou a treinar. A resposta só podia ser sim e, como repetiria incessantemente, durante os treinos da sua selecção, Vamos, só a vitória interessa!

CÉSAR LUÍS MENOTTIArgentino puro, César Menotti nasceu num bairro de Rosário mas mudou-se para Fisherton com um ano. Em pibe morou uma casa rodeada por uma sebe contuya, uma planta trepadeira, onde o seu velhote lhe abriu um buraco por onde ele passava para jogar futebol no campo que existia ali mesmo ao lado:
“ Estou certo que a origem das coisas deve-se procurar muito atrás. Creio que se tivesse nascido num bairro como Olivos, a estas horas não seria o que sou. O mais provável que me tivesse tornado jogador de ténis ou de golfe. Tudo menos jogador de futebol, porque esta é a única modalidade que tem a ver com a condição social.”

Para Menotti o problema o futebol argentino era claro e residia no facto de todos os anos procurar copiar algo em conformidade com o campeão de serviço em vez de aperfeiçoar as suas condições naturais dos seus jogadores sem comparação no mundo:
“É como o que aconteceu com Buenos Aires. Começamos a construi-la com os olhos postos em Paris, copiando até os seus mais ínfimos pormenores e depois tratámos de a adaptar sempre as ultimas novidades, mas nunca foi possível vergar o seu espirito nem o seu estilo de vida. O portenho é e será sempre portenho. Depreendo que dentro do emaranhado de conceitos estão encerrados os segredos ou as chaves mais importantes que continuo a procurar, mas penso que é tudo um problema de sensibilidade. Tenho repulsa pelo trivial, tento chegar á profundidade do jogo, á pureza do encontro colectivo através de uma bola. Um jogo que se alimenta da própria picardia e desembaraço que o garoto do bairro utiliza para sobreviver. Pratica o seu futebol e defende-se. É por isso que acredito que o jogador argentino é único, não se parecendo a nenhum outro, nem mesmo o uruguaio.”

CÉSAR LUÍS MENOTTI1Os quatro anos que separaram a sua entrada na selecção do inicio do Mundial não foram, no entanto, uma série de passeios pelas pampas. É difícil teorizar sobre os sentimentos, mas com esse esforço intelectual, Menoti criou, por fim, um verdadeiro estilo e identidade para o futebol argentino.
A primeira aproximação ao futebol é puramente selvagem. Nos anos 40, todos os domingos á tarde, nas canchas de Buenos Aires milhares de hinchas via jogar El Mago Pedernera e descobriria um turbilhão de emoções que iriam reger o seu futuro.

Tal como em 1961, Menotti entendeu ser necessário o realizar uma digressão pelo Velho Continente para entender melhor o futebol europeu e dar experiência internacional aos seus jogadores procurando, ao mesmo tempo, criar, com dois anos de distância, uma equipa base para o Mundial. Em 1976, a sua Argentina venceu na URSS e Polónia, exibindo um jogo na linha do clássico futebol argentino, baseado no toque assistido pela dinâmica da equipa complementado por uma forte mentalidade ofensiva.

Mas poderá falar-se, em rigor, de um verdadeiro conceito futebolístico típico de César Luíz Menotti? Em 1987, quando estava no At.Madrid, “El Flaco” afirmava que “não, penso que é mais correcto falar-se de uma proposta-Menotti, que assenta basicamente na criatividade dos jogadores, a pensar no espectáculo. Hoje, de facto, o importante é ganhar, mas uma equipa que jogue bom futebol têm mais hipóteses de vencer e dar espectáculo. O futebol têm de ser encarado como uma arte e a arte é disciplina.

Os verdadeiros artistas- porque há os artistas e os comerciantes- são os que são disciplinados e se entregam ao trabalho com seriedade. No futebol há obrigações que necessitam de uma ordem, porque nada se cria na desordem. Repare que grandes jogadores como Eusébio, Cruyff, etc. tiveram grande ordem nas equipas onde jogaram, e esta ordem do colectivo é essencial no sucesso individual. Eusébio ou Cruyff num pequeno clube seriam sempre grandes jogadores, mas nunca atingiriam o brilhantismo que tiveram no Benfica e no Ajax. Uma equipa desordenada, nunca poderá ter regularidade nos bons resultados”.

CÉSAR LUÍS MENOTTI2Para Menotti as grandes equipas fazem-se, dentro do campo, de “pequenas sociedades”, entendendo a simplicidade, o talento e a criação espontânea, como os instrumentos do belo futebol. A liberdade para criar só pode existir num esquema de jogo ofensivo, organizado com defesa “em linha” ou com marcação “á zona”, com o fim de reduzir espaços e facilitar a circulação da bola com toques curtos rente á relva.
O sistema evolui entre o clássico 4-3-3 e um elástico 4-5-1, ensaiado em treinos que define como “ateliers de arte onde se apura o colectivo”. Enzo Trossero, antigo internacional argentino, que privou com Menotti em inúmeros estágios, define-o como “um homem muito inteligente. No futebol e na vida. é um homem que conhece tudo, a cultura, a política, etc... Com os jogadores ele fala sobre todos os assuntos. As concentrações podem ser longas, mas com ele passam rápido”.

No seu livro “Futbol sin trampa”, que escreveu com Angel Cappa, seu adjunto ao tempo, em 86, que depois trabalhou com Valdano, Menotti afirma que “através da forma como faço jogar as minhas equipas. eu falo da sociedade em que gostaria de viver”, utilizando o futebol como uma “forma de expressão” de valores como “a estética, a beleza e o fair-play, com jogadores solidários”. Agora, sexagenário, abandonou a utopia: “Pertenço a uma geração que lutou muito para mudar o mundo.

Hoje, olhando o mundo actual, pergunto-me se valeu a pena. Um mundo onde poucos têm tudo e muitos não têm nada. Não me agrada. Sempre vivi com coragem e esperança. A coragem permanece em mim, a esperança lego-a aos mais jovens”.

CÉSAR LUÍS MENOTTI4Me interesa tratar el tema fútbol juego, que como ya lo expliqué no es fácil cuando nos toca vivir esta realidad. Seria bueno acentuar la idea de que los entrenadores entrenan para ensenar y los jugadores entrenan para aprender, como objetivo fundamental de un entrenamiento. Es mucho más difícil entrenar para ensenar, o aprender para jugar ai fútbol, que solamente para otros conceptos que estén ligados a la preparación física, teniendo en cuenta que los dos son importantes.

Siempre un futbolista se hace importante por la capacidad que muestn nn resolver acciones dei juego. Esto es, en definitiva, lo que destaca a un jugador de fútbol. Quanto más acciones es capaz de resolver, mayor es su importancia, y esta condición se amplía cuando mayor es su conocimiento dei juego, y más fácil es este aprendizaje cuando se entiende y se compromete la participación en función colectiva. Esta capacidad de resolver acéiones, los futbolistas la logran dedistintas maneras, persistencia, esfuerzo, carácter, personalidad, como también deI estado de ánimo, que respalda {sostiene aptitudes; la velocidad, la técnica, la habilidad, la pegada, el toque, visión dei juego, anticipo, definición. Todo esto hace ai buen jugador, y todos los jugadore s son posible de ser entrenadores, mejorados. . . Y hasta juntos, jugador y entrenador, descubrir nuevas y más posibilidades.

Ocurre que cuando se juega ai fútbol en alta competencia y se pretende como máximo un equipo que logre la eficacia desde el buen juego, se tiene que partir de lugares que nos permitan crecer en posibilidades y me atrevo a dar dos conceptos para encontrar los suenos que nos permitan todos los días imaginar jugadas, acciones que nos satisfaga el espíritu creativo que debemos tener si queremos ser entrenadores que ensenan y ganamos el reconocimiento de los espectadores de buen gusto jugando cada dia, cada mes o cada ano, un poco mejor.

CÉSAR LUÍS MENOTTI5Concepto uno: tenençia de la pelota' con sentido de ataque. Preparar un ataque exige tenencia de pelota, no para realizar exhibición de toques sino para encontrar los ti"!mpos y el espacio que le den contundencia a la acción. Esta resolución es la está dada por I., ( Jpacidad que se tiene, que se entrena y que se busca mejorar desde lo individual y desde lo colectivo.

Concepto dos: para tener la pelota hay que encontrar capacidad para recuperaria y desde esta acción, que debe ser colectiva, el equipo tiene que saber qué jugadores no pueden salir de la zona defensiva. Jugadores que se entrenan desde lo individual conformando luego pequenas sociedades para defender, son los que nunca pueden confundir los conceptos de recuperar y defender. Hay defensores de raza, los que en la última instancia de riesgo están alerta y leen la acción por instinto y la accionan desde el coraj

Conceito 3: Siempre he sostenido mi inclinación por la defensa en 'zona, sin descalificar ningún sistema creo que tiene más vuelo creativo, es más solidaria, más colectiva. Todo estilo de juego tiene como premisa encontrar el funcionamiento para hacerlo bien y desde donde el entrenador debe crear. Cierro diciendo que no se puede marcar en zona sin achicar espacios. Desde estos dos conceptos podriamos escribir 100 páginas, mi intención es ayudar a encontrar razones.

Habrá quien tema crecer de la zona por temor ai desorden que genera la bú~ueda colectiva y el desarrollo de posibiliétades. Pero seria bueno sentir toda la acción limitadora como una injusticia para no caer, como dice Vázquez Montalbán, en el mensaje que siempre utiliza la derecha: es peor el desorden que la injusticia. Me gusta decir en fútbol, que en el único orden que creo es el que obtenga desde sentirme justo, por eso prefiero la zona, ante la injl '~''icia de no juego para no dejarte jugar. La defensa en zona de lucha para recuperar lo más rápido posible la pelota, y que la tengan los talentosos. De la otra forma sólo es una lucha para que no la tenga nadie. l.Quién me garantiza más efectividad?: la capacidad de un jugador o la capacidad de un sistema.

 - Cómo se da el combate ideológico dentro de la corriente resultadista que parece imperar en estos días?

Menotti: Ante la mediocridad de hajar el nivel de la polémica, tenninan en ladifamación, en el discurso de la calumnia. Ahí ya no existe esta discusión. Además hay una cosa que es fundamental. loPor qué elegimos esto? Lo que nosotros queremos deI fútbol está ligado a la libertad creativa, a la posibilidad de la intenninable variante que el entrenador y los jugadores pueden alcanzar. No tiene límites, hasta dónde se puede llegar es inealculable. Esto es un juego y jugar es una cosa muy seria y el fútbol pasa por ahí.

Saber jugar aI iútbol es como el troco. Hay muchos tipos que creen saber jugar bien porque ganan algún partido porque ligaron 33. Y ligar en el fútbol significa la fuerza, la habilidad. Ellos ligaron, como en el truco el as de espada.

CÉSAR LUÍS MENOTTI7- La polémica Bilardo-Menotti es seria y no es artificial. Menotti: Hay falta de argumento, de pudor. El otro día dije que se jugaba muy mal y el técnico de la selección (Alfio Basile) dijo que no estaba de acuerdo, que había buenos y maios partidos. Es una posición acomodada. Si de diez partidos hay cinco pésimos, tres maIos, dos regulares y uno bueno el índice dice que se está jugando mal. Esto no só lo lo digo yo, se lo preguntamos ai taxista, ai mozo, y te van a decir se está jugando mal.

Dijeron que es;te era el fútbol más difícil deI mundo y me preguntaron y yo dije que este fútbol sí, pero para Van Basten, para Bahiano, abora para Bergomi o para Ferri éste es un fútbol facilísimo. Vienen, dan dos patadas, dos codazos, tiran la pelota afuera y juegan. Antes era ai revés. Si Valdano tiene que ir a ver un jugador para el Real o el Barcelona, le costaria muchísimo saber si es derecho o zurdo y esto ya es un drama, es imposible. Si el Milan sale campeón, lo destruirían, abora en lo que no reparan es en que los cuatro equipos italianos que se van ai descenso marcan ai hombre, los cuatro tiran la pelota afuera. Si yo dirijo a Newell'sy pierdo 4 a O yendo aI ataque, me matan, me tengo que ir de la Argentina. Ahí la lucha es difícil, pero hay que seguir peleando.

CÉSAR LUÍS MENOTTI8- Como se vislumbra la efectividad dei sistema?, por qué dicen que siempre hay que jugar con los mismos jugadores? No toman precauciones en funcion del rival?

Menotti: Mirá hay cosas que aprendés a traves de la experiencia. Jugaban River y Boca y yo me pasé toda la semana planificando el partido, cuando me pasó una cosa entre dos jugadores que yo daba por obvia, que la pude corregir recién en el primer tiempo. EI entrenador también va adquiriendo conocimiento. Acá no hay un manual, vos vas aprendiendo. Hay tipos que hacen cosas y vos decís "éste me cagó" o yo me olvidé. Y lo digo después de muchos afios. Un jugador sacaba ellateral, el otro recibía en el área y siempre le pegaba un culazo y me sacaba aI defensor. Recién en el primer tiempo le dije, "pare muchacho, usted amaga y cuando él recibe usted vaya".

Hay otra diferencia: hoy va a jugar Argentina con Italia, bueno es un partido once contra once, pero en el vestuario te dicen no, va a ser diez contra diez, porque vos marcás a éste. Después te dicen que no es de nueve contra nueve, porque vos marcás a tal, y así no va...

CÉSAR LUÍS MENOTTI9Lo cobarde de todo esto son las conclusiones. Un día se armó esta discusión, los riesgos de la zona, del achique de algo contra evitar los riesgos. Estábamos en el Guerín Sportivo y se me ocurrió que buscaran todos los goles que le habían metido aI Inter. Lo sacaron, analizamos equipo' por equipo. Y la mayoría de los goles lo habían hecho los tipos que debían marcar los stoppers. Esto de asegurar estos riesgos es una mediocridad, es no saber volar a otras alturas.