Futebol brasileiro: buscando renovação

15 de Agosto de 2014

Em busca da renovação do futebol brasileiro

Os sete gols da Alemanha sofridos, na semifinal da Copa do Mundo de 2014, ainda repercutem em terras brasileiras. O tema renovação é constantemente discutido e debatido em programas de TV, em entrevistas coletivas e em conversas de diversas pessoas envolvidas com o futebol no Brasil. Mas o que não percebem é que esta renovação já está acontecendo no Campeonato Brasileiro. Ela está devagar, mas já tem sinais de mudanças.

Atualmente, dos dez primeiros colocados do Campeonato Brasileiro, em quatro deles há técnicos que já apresentam maior tempo de trabalho no cargo e em seis deles, há técnicos da nova geração brasileira. Marcelo Oliveira, Mano Menezes, Cristóvão Borges, Doriva, Eduardo Baptista e Ricardo Drubscky estão demonstrando algo diferente no aspecto tático em seus trabalhos.

Marcelo Oliveira começou a sua carreira em 2005. Depois de ter feito um trabalho muito bom no Coritiba, este técnico está fazendo outro ainda melhor no Cruzeiro, desde 2013. Neste clube, Marcelo já foi campeão do Campeonato Brasileiro e do Campeonato Mineiro. No Cruzeiro, este técnico utiliza o 4-2-3-1 como esquema tático. Desde o Coritiba, as equipes de Marcelo Oliveira apresentam alta intensidade ofensiva; um alto volume ofensivo; constante trocas de posição entre os meias, e, para finalizar, com volantes que marcam e que também saem jogando com a bola.

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O 4-2-3-1 de Marcelo Oliveira no Cruzeiro.

Mano Menezes, apesar de já ter trabalho em diversos clubes e na Seleção Brasileira, ele iniciou a sua carreira como técnico somente em 1997. Entre os anos 2005 e 2012, Menezes viveu o seu então auge profissional. No início de 2014, Mano voltou ao Corinthians para retomar a sua carreira e o trabalho sério que havia deixado no clube paulista. Desde 2005, o esquema tático preferido de Mano Menezes é o 4-2-3-1 e, atualmente, no Corinthians não é diferente. Desde o Grêmio, as equipes deste técnico apresentam consistência defensiva; velozes transições de jogo; um segundo volante com boa leitura e sistemas ofensivos organizados, nos quais os três meias são as principais referências ofensivas.

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O 4-2-3-1 de Mano Menezes no Corinthians.

Cristóvão Borges iniciou como técnico em 2011, mas foi no 2° semestre de 2013 que a sua carreira começou a dar guinada ainda maior. Neste período, Cristóvão não trabalhou, mas gastou o tempo estudando e se aperfeiçoando. Tanto que no seu atual clube, o Fluminense, este técnico está apresentando conceitos muito modernos no Brasil: compactação da equipe em curto espaço, intensidade de jogo constante, marcação pressão desde a saída de bola adversária, realização de passes curtos freqüentemente, transições de jogo velozes, organizados sistemas ofensivos e defensivos e, por fim, constante troca de posição em todos os jogadores do meio-de-campo.

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O 4-2-3-1 de Cristóvão Borges no Fluminense.

Doriva começou a sua carreira como técnico em 2014. Apesar de ter somente um ano de profissão, este técnico já foi campeão do Campeonato Paulista e já está dirigindo um clube grande do Brasil, o Atlético-PR. No Furacão, assim como no seu antigo clube, o Ituano, Doriva implantou aspectos modernos de jogo: curta compactação em todos os momentos do jogo, intensidade de jogo constante, marcação pressão desde a saída de bola adversária, realização de passes curtos freqüentemente, transições de jogos velozes e organizados sistemas ofensivos e defensivos.

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O 4-2-3-1 de Doriva no Atlético-PR.

Eduardo Baptista iniciou a sua carreira em 2014. Apesar de pouco tempo de profissão, Eduardo já foi campeão do Campeonato Pernambucano e da Copa Nordeste. A sua equipe, o Sport, apresenta: curta compactação em todos os momentos do jogo, veloz transição ataque-defesa, alta organização defensiva, procura iniciar a marcação próximo do meio do campo e, como principal característica, apresenta um contra-ataque muito bom.

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O 4-2-3-1 de Eduardo Bapstista.

Ricardo Drubscky trabalha no futebol desde 1986. Porém somente em 2008, ele passou a ser somente técnico. Desde então os seus maiores feitos foram no Tupi em 2011, no Atlético-PR em 2012 e, atualmente, no Goiás. Por ser um estudioso assumido, Ricardo Drubscky lançou o livro “O Universo Tático do Futebol – Escola Brasileira”, em 2003. Todos os seus times, desde 2011, apresentam as seguintes características: sistema defensivo compacto e organizado, velozes transições de jogo e constante movimentação ofensiva.

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O 4-2-3-1 de Ricardo Drubscky no Goiás em 2014.

Caio Gondo, analista brasileiro, escreve em “A prancheta Táctica” e tem colaborações em http://globoesporte.globo.com/pr/torcedor-atletico-pr/platb/category/coluna-no-olho-do-furacao/ e http://www.furacao.com/