GERRARD e ANCELOTTI: De Liverpool a Milão

21 de Fevereiro de 2007

GERRARD e ANCELOTTI De Liverpool a Milão

Gerrard, o último símbolo

Os símbolos cada vez fazem menos sentido no futebol. Longe vão os tempos em que um jogador personificava um clube durante anos. Há um último refúgio, porém, desse tempo de sonhos. Liverpool. Nostálgica, a estátua de Shankly respira fundo quando vê Gerrard. Com ou sem a bola. Corpo e carácter num jogador que parece ter vindo desse outro tempo. No inferno de Istambul, em reviravoltas épicas, ou face ao que resta da Kop, a bancada atrás da baliza. Viu homens grandes a chorar com os seus golos decisivos. Viu pais levantarem orgulhosos os seus filhos com a camisola do Liverpool. Viu a alma de Anfield e beijou o seu emblema. Um sentimento que irrompeu em Barcelona. O último jogador-símbolo. A prova de, como cantam arrepiados os seus adeptos em cada jogo, o Liverpool, e sua história, nunca caminhará só.

Steven Gerrard: Os passos de Anfield

26 anos (30-Maio-1980) 1.88m • 83kg Contrato até 2009

ÉPOCA - CLUBE - JOGOS - (Suplente utilizado) - GOLOS

  • 1997/98 Liverpool 0 /0
  • 1998/99 Liverpool 12 /0
  • 1999/00 Liverpool 26 (3) 1
  • 2000/01 Liverpool 29 (4) 7 2
  • 001/02 Liverpool 26 (2) 3
  • 2002/03 Liverpool 32 (2) 5
  • 2003/04 Liverpool 34 (0) 4
  • 2004/05 Liverpool 28 (2) 7
  • 2005/06 Liverpool 32 (0) 10
  • 2006/07 Liverpool 27 (0) 4

Selecção de Inglaterra: 53 jogos /10 golos

O futebol de Ancelotti: Milan, a dimensão internacional

GERRARD e ANCELOTTI De Liverpool a MilãoNo banco, o semblante de Ancelotti revela cada vez maior ansiedade e uma sensação de impotência para controlar o que se passa em campo. Perdido no campeonato, o Milan aposta na Europa. Sem Ronaldo. Em Glasgow, frente ao empolgado Celtic, viu-se a dimensão internacional do onze de Ancelotti. Outra confiança. Maior personalidade e controlo do campo. Quer no momento defensivo como no ofensivo. A boa noticia foi, em 4x4x1x1, a saída de Brocchi e a entrada de Gourcuff no quarteto do meio-campo. Para apoiar Pirlo, pivot defensivo de construção, Gattuso e Ambrosini aproximavam-se dele ou activavam a zona pressing mal a equipa perdia a bola, impedindo que as linhas recuassem excessivamente. O dilema ofensivo está em jogar só com um avançado: Gilardino.

Para o apoiar, para além dos centros de Gourcuff, as entradas desde trás de Kaká. Uma anarquia criativa em velocidade mas muitas vezes sem possibilidade de triangular com outro colega e assim avançar apoiado nos últimos 30 metros. Do ponto de vista italiano, terá conseguido o resultado ideal. 0-0. Faltaram-lhe alguns metros de criação com bola para ganhar o jogo. Na Europa, porém, o olhar de Ancelotti torna-se, num ápice, mais confiante.