GOURGUFF: Como se fabrica uma «estrela»

05 de Outubro de 2006

GOURGUFF: Como se fabrica uma «estrela»

Este tema, para se perceber melhor o seu alcance, tem, neste momento, cenário e nome próprio. Local: o laboratório do Milan. Jogador: Yoan Gourcuff. Com 20 anos, é um craque em potência. Médio de formação, destro, a sua melhor posição é caído sobre uma faixa, não como um ala clássico, mas como um interior que gosta de descair para flanquear jogo. Não é um driblador, mas sabe ultrapassar o adversário no um para um, e tem uma mudança de velocidade que faz a diferença. O Milan recebeu-o esta época, vindo do Rennes. Já fez alguns jogos, nomeadamente frente ao AEK, onde provou esta categoria. Observando-o bem, no entanto, os cientistas de Millanello detectaram, porém, que ele tem ainda uma enorme margem de progressão física, o que pode, naturalmente, aumentar a qualidade do seu jogo. Apesar de ter 20 anos cronológicos, biologicamente Gourcuff tem apenas 18. Os próximos dois anos serão, portanto, decisivos para o seu incremento atlético. Assim, vendo os traços que fazem a força do seu futebol, criaram exercícios individuais específicos que visam aumentar a capacidade física de os executar de forma cada vez melhor.

Um treino personalizado feito numa espaço de areia com 30 metros, no qual Gourcuff, para aumentar a potência muscular global, começa por fazer sucessivos sprints em linha recta. Depois, para melhorar a elasticidade muscular e articular percorre o mesmo espaço em rápidos zigzags, simulando bruscas mudanças de direcção. Os exercícios são repetidos sucessivamente por 10 vezes, repousando um minuto entre eles. Em campo, durante o jogo, estes são os movimentos atléticos mais repetidos por um jogador com os traços de Gourcuff. Desde 2001 que esta estrutura laboratorial do MilanGOURGUFF: Como se fabrica uma «estrela» existe. Desde essa data, as lesões musculares reduziram 91% em relação aos anos anteriores. Trata-se, no entanto, de uma questão individual pelo que não faz sentido trabalhá-la no colectivo. Este princípio é, aliás, aplicável a qualquer jogador. Há questões físicas específicas que, apesar de depois reflectidas no conjunto, devem ser tratadas isoladamente. O jogo colectivo é uma coisa. Nesse, a táctica e o físico são contempladas em conjunto. A performance individual é outra, pelo que física e tacticamente, pode ser trabalhada individualmente, para, depois, melhor a inserir e explorar no colectivo.