GRANDES GOLEADORES

01 de Março de 2006

Klose (Werder Bremen) –Alemanha -17 golos Van Nistelrooy (Manchester United) Inglaterra – 19 golos Toni (Fiorentina) Itália – 22 golos Eto`o (Barcelona) Espanha – 18 golos

Podem falar de táctica, sistemas e métodos de treino, mas, sempre que se compõe uma equipa, há um lugar que se destaca como a grande preocupação a ocupar: o ponta-de-lança. Ou seja, o goleador. Muita táctica, claro, mas, depois, na prática, nada faz sentido sem o…golo! Mas, o que fazer para se tornar num grande goleador? No fundo, o goleador deve ser um sedutor. Cativar a bola com o seu charme, utilizando no campo as armas de sedução que fazem os grandes vendedores de sonhos. Mas, claro, há golos que parecem nem custar nada. Basta encostar a bola à boca da baliza. Conquistas fáceis, pois. Outros, são precedidos de grandes dificuldades. É como seduzir uma mulher fatal. Fazer um golo desses eleva o seu autor quase à categoria de um D.Juan, galã goleador dos grandes Estádios. Olhamos para a actual lista dos melhores goleadores nos campeonatos europeus e só vemos grandes especialistas, homens que, não duvidem, já seduzem o golo desde o pátio da escola. Em Espanha, Eto`o, descobre caminhos para o golo vindo de qualquer lado. A sua arma de sedução é a velocidade de execução nos últimos metros. Quando parte para a bola, mesmo arrancando de longe, faz lembrar um felino quando se lança decidido ao alcance da sua presa.

Depois, quando chega perto dela, a sua fome mistura a subtileza com a decisão e o golo é como um destino a qual o guarda-redes não pode fugir. Na Alemanha, Klose é um caçador de golos que ilude com a sua fragilidade física. Não parece um matador, mas a forma esquiva e decidida com que ataca cada bola quase o fazem entrar noutra dimensão. Destaca-se no jogo aéreo e na forma como cai nas costas dos defesas, como um fantasma, adivinhando o caminho da bola. Na Inglaterra, o holandês Van Nistelrooy é um daqueles sedutores para quem o segredo está na proximidade, falando-lhe ao ouvido palavras doces. Por isso, a sua morada fixa em campo é dentro da área. Pela proximidade das redes, os seus golos até parecem simples, mas não é assim. Nesses espaços curtos é preciso encontrar sempre a palavra e o movimento certo para o seduzir. Nessa arte, o instinto de Rudd raramente falha.

Em Itália, Toni desencanta a categoria dos pontas-de-lança inestéticos. Alto, esguio, pernas arqueadas como um alicate, meio desengonçado até, mas como o golo no sangue. A facilidade de remate quase impede os outros de pensar, sobretudo pela forma inesperada com que o executa. Parece fácil. Mas é esse exactamente um dos sinais que definem um grande goleador, fazer parecer simples aquilo que é, afinal, o mais complicado do futebol: o golo. Na babilónia do futebol, podem-se assim distinguir várias classes de avançados. Cada qual com o seu estilo, colam-se à imagem da equipa como um rótulo numa garrafa de vinho. Depois de os ver jogar, a táctica quase só parece um complexo e inútil processo burocrático.