MCCARTHY, GUTI, MATURANA E STOICHKOV

02 de Maio de 2007

MCCARTHY, GUTI, MATURANA E STOICHKOV

McCarthy, «Pop Art Football»

Conduz um Bentley, deixou as tranças, mas, mesmo nas nuvens inglesas, continua fazendo da rebeldia um estilo. Trata-se de uma personagem com um estilo de vida festivo, provocador de emoções. No meio, existe um jogador de futebol. As suas histórias escondem uma personalidade entre Dr. Jeckly e Mr. Hyde. Quem o entender, descobre um avançado para fazer a diferença.

Em Blackburn, desenha jogadas de classe e faz golos fantásticos. Joga por instinto, ri-se dentro e fora do relvado. Festeja de nariz no ar, como que desafiando o mundo. Lembro-me de uma frase de Catherine Deneuve: «Preciso do olhar dos outros». A cruzada de Benny nos relvados ingleses já tem assinatura própria. Só assim o seu futebol faz sentido. O universo do futebol inglês parece feito à sua imagem. Nas luzes e nas sombras. Com Manchester tão perto. É o «Pop Art Football».

Época - clubes - (suplente utulizado) - golos-

  • 1995/96 Seven Stars 29 /27
  • 1996/97 Seven Stars 20 /12
  • 1997/98 Cape Town Spurs 7 /3; Ajax 16 /9
  • 1998/99 Ajax 19 /11
  • 1999/00 Celta Vigo 25 (6) 8
  • 2000/01 Celta Vigo 8 (11) 0
  • 2001/02 Celta Vigo 0 (2) 0; FC Porto 10 (1) 12
  • 2002/03 Celta Vigo 2 (12) 2
  • 2003/04 FC Porto 23 (6) 20
  • 2004/05 FC Porto 21 (2) 11
  • 2005/06 FC Porto 22 (1) 3
  • 2006/07 Blackburn Rovers 36 (0) 18

O efeito Guti

MCCARTHY, GUTI, MATURANA E STOICHKOVSubiu à primeira equipa com Raul mas nunca conseguiu ganhar o mesmo espaço real. A cada época, por cada estrela que chegava, pensava-se em quem sairia para entrar o novo reforço e surgia o nome de Guti. Fez a carreira na sombra dos galácticos. Saltou de posição em posição. De avançado a médio defensivo ou ofensivo. Na ala ou no centro. Sem nunca se esconder do jogo. Pede a bola nos momentos mais difíceis. Indiferente a assobios ou aplausos. E faz a diferença. Como contra o Sevilha. Entrou ao intervalo e, com passes de mestre, o seu pé esquerdo iluminado deu a volta ao jogo. Os argentinos diziam a seus filhos, mesmo vivendo em bairros de lata, que eram demasiado orgulhosos para serem pobres. Mesmo vivendo no banco, Guti sempre foi demasiado orgulhoso para ser apenas um mero suplente. Um titular indiscutível mesmo quando sentado na bancada.

Épocas - clubes - jogos - (suplentes utilizados) - jogos

  • 1995/96 Real Madrid B 26 /11 Real Madrid 9 /1
  • 1996/97 Real Madrid 14 /0
  • 1997/98 Real Madrid 17 /1
  • 1998/99 Real Madrid 28 /1
  • 1999/00 Real Madrid 21 (7) 6
  • 2000/01 Real Madrid 22 (10) 14
  • 2001/02 Real Madrid 9 (20) 4
  • 2002/03 Real Madrid 18 (16) 4
  • 2003/04 Real Madrid 16 (10) 2
  • 2004/05 Real Madrid 18 (13) 0
  • 2005/06 Real Madrid 28 (5) 4
  • 2006/07 Real Madrid 21 (5) 1

O mundo de Maturana

MCCARTHY, GUTI, MATURANA E STOICHKOVFoi autor de um dos projectos futebolísticos mais atraentes dos anos 90. O Toque. Estilo rendilhado que fazia a equipa avançar em campo em toques curtos e apoiados, como que zurzindo uma teia que envolvia o adversário. A Colômbia de Pacho Maturana era um poema.Quando me cruzei com ele na Alemanha, no Mundial 2006, ainda tinha essa imagem na mente. Está bem mais velho. Parece cansado. Imaginava-o ainda com o vigor dos 90 mas o tempo passa. As suas ideais também entristeceram. Já não acredita no toque como ideal revolucionário. Regressou esta semana aos bancos, na Argentina, no Gimnasia La Plata. El futbol de Pacho caiu no mundo real e tornou-se mais um, digamos, treinador do regime. Insiste em dizer que continua com a mesma filosofia. O problema foi que “quando tinha todas as respostas, mudaram-me as perguntas!”.

 

Stoichkov, o Rei Bulgaro

MCCARTHY, GUTI, MATURANA E STOICHKOVGosto de rever velhos jogadores passados alguns anos. Mais gordos, relaxados, falando dos velhos tempos abertamente. Há coisa, porém, que nunca mudam. Olhando Stoichkov no banco da Bulgária ainda se o vê, muitas vezes, reproduzir, por instinto, o gesto técnico que o seu jogador devia fazer em campo. Sempre de pé, simula, chuta no ar. E como o normal é o jogador, longe do talento do chefe, falhar, a seguir também vemos Stoichkov fazer os mesmos gestos de revolta que fazia em campo. O jogador continua vivo dentro de si. O subconsciente trá-lo de regresso à vida, mesmo fora das quatro linhas, gordo e com cabelos brancos. Assinou esta semana pelo Celta. Regressa a Espanha para salvar os galegos da descida. Por vezes, a insolência também é útil no futebol. Em geral, está baseada no valor e castiga especuladores.