O Brasil sabe importar sistemas?

13 de Novembro de 2014

Dificuldades brasileiras ao importar esquemas táticos

Como o Campeonato Brasileiro de 2014 está quase no fim, alguns apontamentos táticos já são possíveis em relação aos times brasileiros neste ano. Um deles é a preferência por esquema oriundos do 4-4-2 em linha como esquemas base das equipes. O 4-2-3-1, o 4-4-2 e o 4-3-3 foram muito utilizados em terras brasileiras durante este Brasileirão.
Por outro lado, estes esquemas oriundos da Europa necessitam de princípios ofensivos e, principalmente, defensivos para atingirem todo o seu potencial. Princípios como entrada na diagonal do winger oposto durante a ação ofensiva e a marcação por zona do sistema defensivo. Entre estas dificuldades, em sua maioria, os técnicos brasileiros não apresentam total conhecimento em relação ao balanceamento defensivo dos wingers.
Como no 4-3-3, que é o único esquema tático da história brasileira com jogadores abertos próximos do atacante central, os pontas marcavam somente os laterais adversários; o 4-3-3, o 4-2-3-1 e o 4-4-2 atualmente utilizados no Brasil sofrem com este passado de marcação. No Campeonato Brasileiro de 2014, constantemente os wingers marcaram somente os laterais adversários e geraram as seguintes consequências aos seus times:

Exemplo de marcação do 4-3-3 realizado no Brasil: com os laterais do Sport avançando, Élber e Dudu, atacantes de lado do 4-3-3 do Coritiba, voltaram só os marcando (Reprodução: Sportv/ PFC).

1) Dificuldade em saber qual é o posicionamento defensivo das equipes, já que ela é somente relacionada à movimentação adversária;
O Brasil sabe importar sistemas1 Exemplo da dificuldade em saber qual é o posicionamento defensivo de um time brasileiro que joga no 4-2-3-1: como o lateral-direito do Atlético-MG não avançou, o winger esquerdo do Palmeiras não recuou e gerou o posicionamento 4-3-1-2, mesmo com o time jogando no 4-2-3-1 (Reprodução: Sportv).

 

 

2) Grandes espaços para projeções de qualquer adversário no espaço entre o winger oposto ao lado da bola e o meio-campista mais próximo;
O Brasil sabe importar sistemas3

Exemplo da falta de balanceamento defensivo do winger oposto ao lado da bola em um 4-2-3-1 no Brasil: com a bola na direita do Atlético-PR, Marcos Guilherme – o winger esquerdo do time- não balançou defensivamente e deixou Edson do Fluminense livre de marcação entre ele e Paulinho Dias (Reprodução: Rede Globo).

 

 

 

3) Grande dificuldade em marcar a projeção do lateral adversário oposto ao lado do campo que iniciou a jogada ofensiva adversária;
O Brasil sabe importar sistemas4 Exemplo da dificuldade em marcar a projeção do lateral oposto ao início do lado que iniciou a jogada ofensiva: como o winger esquerdo do Goiás, Esquerdinha, só marcava o lateral-direito do Atlético-PR, ao perceber a sua projeção, Esquerdinha não conseguiu acompanhar o avanço do adversário (Reprodução: Sportv/ PFC).

 

 

 
Ao mesmo tempo em que em diversos times brasileiros, os wingers opostos ao lado da bola não balançam defensivamente, há algumas equipes que jogam em esquemas oriundos do 4-4-2 europeu que realizam todo trabalho defensivo corretamente.
O Brasil sabe importar sistemas6

 

 

 

 

 

Em relação ao balanceamento correto, o São Paulo de Muricy Ramalho realiza frequentemente este movimento defensivo em seu 4-4-2 (Reprodução: Sportv/ PFC).
O Brasil sabe importar sistemas7

 

 

 

 

 

Já o Palmeiras de Dorival Júnior, enquanto teve um lateral-esquerdo atuando como winger esquerdo, balançou corretamente para lado da bola em seu 4-2-3-1 (Reprodução: Sportv).

Mesmo após cerca de cinco anos da primeira importação do 4-2-3-1, vários técnicos brasileiros ainda não sabem realizá-lo com as devidas movimentações ofensivas e defensivas que os esquemas táticos oriundos do 4-4-2 europeu pedem. Como muitos destes técnicos se baseiam no 4-3-3 da década de 70 brasileira, taticamente, o Brasil pouco consegue se desenvolver neste aspecto. Há alguns que conseguem chegar perto do máximo tático do 4-3-3, do 4-2-3-1 e do 4-4-2, mas nenhum realiza com a ótima execução.

Caio Gondo, Brasil. Novembro. Brasilerão 2014