O sorriso de Lionel

22 de Fevereiro de 2006

O sorriso de Lionel

De uma lado, as caras fechadas de Gudjhonsen, Lampard ou Cole. Do outro as faces sorridentes de Messi, Et´o e Ronaldinho. Durante meia hora, encostado ao lado direito, o pé canhoto de Messi colocou de pernas para o ar o jogo de marcações de Del Horno. Insolente, pára em frente ao seu adversário directo. Simula, dribla e enerva, até que após um túnel cruel, o espanhol esqueceu-se da bola e foi directo no contacto. Foi então que Messi desencantou a outra picardia herdada da rua, entendeu os nervos de De Horno e mesmo defendendo-se da entrada, tirou partido do lance. Potrero puro, os baldios de terra sul-americanos, na relva enlameada e revolta de Londres. Apesar de Rijkaard ter parecido entrar ainda com o jogo da época passada na mente, colocando um doble-pivot, a dupla de médios defensivos, à frente da defesa (Edmilson-Mota), aquele trio insolente, mesmo movendo-se nas teias que a táctica tece, nunca perdeu o sorriso.

A melhor fase colectiva do onze surgiu, porém, quando Rijkaard desfez essa dupla defensiva, tirou Motta, inseriu um ponta de lança, Larsson, encostou Eto ´o à direita, recuou Ronaldinho para meio, ao lado de Deco na construção, e manteve Messi na direita. Limitado na transição rápida ofensiva, Mourinho especulou enquanto teve o jogo tacticamente a seu favor. Não lhe está no sangue arriscar nesses momentos. Vendo os adiantamentos de Silvinho pela esquerda, ainda ensaiou meter nessa corredor a velocidade de Wright-Phillips, mas, nessa altura, já era o Barça a jogar com o sorriso do diabo. A batalha prossegue agora na imensidão do relvado do Nou Camp. Em Madrid, outro duelo, duas equipas, Real Madrid-Arsenal, e …um jogador: Thierry Henry. Mais do que jogar, o francês desliza por entre os defesas adversários. Serpente venenosa com o golo no sangue. Com a batuta outro miúdo insolente: Cesc. Apenas 18 anos (faz 19 em Maio) e já é um catedrático do futebol. Joga com uma tranquilidade e personalidade que arrepia. Pede a bola e assume a organização do jogo. Nasceu na mesma escola de cérebros de Barcelona que fez Guardiola. O futuro do Arsenal na Europa depende deles. Cesc a escrever as coordenadas do bom futebol, e Henry a percorrer, do meio campo à baliza, as serpenteadas rotas para o golo.