Pode um jogador tornar-se em “outro jogador” a meio da carreira?

08 de Abril de 2016

Todo o universo torce pelo Leicester. Este onze de Ranieri não é, no entanto, um mero “sonho de futebol”. Tem bases terrenas. Tácticas e humanas. Cada jogador parece valer, a cada jogo, pelo menos mais 50% do que vale verdadeiramente. A história de Vardy ultrapassa um argumento de ficção. Mas nas histórias de transformação estão mais jogadores. Como um japonês, Okazaki, que só via sempre a correr muito na Bundesliga.

Não é possível mudar os jogadores na sua essência. Um jogador lento não se vai tornar num jogador rápido. Mas um jogador rápido pode aprender a usar melhor a sua velocidade (as pausas e arranques) e, sobretudo, a cultura de movimentos. É a apreensão de “fundamentos de jogo” que pode tornar um jogador em “outro jogador” a meio da carreira. Não muda a natureza, muda a forma como a usa.
Sempre vira Okazaki como um jogador de “esticões” metido na faixa. Agora, tem outro domínio do jogo em mais espaços. Vindo da ala ou no centro, solto, numa dupla de avançados, continua a correr muito mas agora no ritmo certo de desequilíbrios.

Só quando um jogador é diferente no onze é que o resto dos jogadores o procuram. De outra forma não precisavam dele, porque já faziam o que ele iria fazer. Agora procuram-no porque ele aprendeu a fazer melhor o que, afinal, já... sabia fazer.